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Afinal de que temos medo?

por Jorge Soares, em 21.09.15

europa.jpg

 

...há neste mundo mais medo de coisas más

que coisas más propriamente ditas..

Mia Couto

 

Há pouco  no telejornal foi noticia uma manifestação onde  umas dezenas de pessoas algures em Lisboa,  mostravam cartazes e gritavam consignas contra a entrada de refugiados em Portugal.. Para além dos slogans mais ou menos racistas e xenófobos, o jornalista tentou fazer as pessoas falarem do que estavam ali a fazer, em vão, todos repetem as mesmas frases feitas, mas ninguém consegue ir mais além e formular duas ou três ideias.

 

Esta manifestação não me estranha, a extrema direita nacionalista, racista e xenófoba existe em Portugal e até tem um partido que concorre em todas as eleições, felizmente não são mais que aquelas poucas dezenas.

 

Para ser sincero a mim tem-me chocado  muito mais ver pessoas que conheço há anos, com as que já falei muitas vezes, a publicar ou partilhar no Facebook  posts contra os refugiados, contra o islão, contra a emigração...

 

De vez em quando o assunto vem à baila nas conversas do dia a dia e para grande espanto meu a maioria das pessoas ainda que não expresse directamente, parece de uma ou outra forma ser contra o acolhimento de refugiados em Portugal.

 

Em comum há sempre duas coisas, a situação do país e o medo ao que possa vir, e não vale a pena explicar que não são 5 ou seis mil pessoas que irão fazer a diferença na economia portuguesa, ou que os terroristas ou já cá  estão ou se quiserem vir não vão atravessar desertos e arriscar-se a morrer nas travessia do mediterrâneo, aliás, o que temos vistos é que há portugueses a ir combater na Síria e no Iraque ao lado do estado islâmico e esses vão para lá de avião.

 

Não percebo bem porquê nem desde quando, mas pelos vistos para o português médio, Sírio é sinónimo de terrorista e mesmo que venha com a mulher e os filhos pequenos, continua a ser terrorista e só pode vir para cá causar problemas.

 

O mais estranho é que esta conversa parece ser transversal a toda a sociedade portuguesa, porque ouvi o mesmo medo em pessoas de todas as classes sociais e níveis de instrução.

 

Estas conversas deixa-me sempre triste e irritado, primeiro porque há pessoas que me causam uma enorme decepção, porque na maior parte dos casos são pessoas com as que de uma ou outra forma trato  há anos e parece que afinal não as conhecia. Por outro lado a tristeza é muito maior porque é de seres humanos que estamos a falar e parece que a maioria desta gente os preferia ver a morrer já seja na miséria ou nas guerras civis dos seus países de origem.

 

Dizia Mia Couto há dois ou três anos no Estoril que ...há neste mundo mais medo de coisas más que coisas más propriamente ditas... nestas alturas percebemos o alcance das palavras do grande escritor Moçambicano. 

 

Quanto a mim, há pessoas que para as quais não voltarei a olhar da mesma forma, sempre tive mais ou menos a noção que o povo português é na sua génese racista e xenófobo, já não devia ser apanhado de surpresa, mas confesso que não tinha a noção de que somos tão medrosos e vivemos com tantos fantasmas à  nossa volta.

 

Se puderem vão ler o texto de Mia Couto sobre o Medo, aqui

 

Jorge Soares

publicado às 22:23

direito2.jpg

Imagem do Público

 

Vivi num país em que mesmo de dia era difícil sair à rua sem medo, num país em que ao fim de 10 anos, mesmo não saindo de casa depois das oito da noite, eu era a única pessoa que eu conhecia que nunca tinha sido assaltado. 

 

Era outra vida, outro mundo, vim para Portugal e demorei anos a conseguir andar na rua ou estar sentado num sitio qualquer, sem saber e ver a todo momento tudo  o que estava a acontecer à minha volta.. e as pessoas não sabem o que isso significa e a diferença que isso faz para o nosso bem estar.

 

Por isso nego-me a aceitar que no meu país, no país que escolhi para viver e criar os meus filhos, aconteçam coisas como as que aconteceram a Sara Vasconcelos.

 

Segundo esta noticia, Sara foi barbaramente agredida por um energúmeno qualquer que guia um táxi no porto, pelo simples facto de que se despediu de uma amiga com um beijo na boca.

 

Há coisas que não tem desculpa, imagino que haverá outra versão da história para além do que a Sara conta, mas seja qual for essa versão, não pode haver desculpa para que alguém agrida desta forma cobarde, assim como não pode haver desculpa para quem assistiu a tudo e não fez nada nem denunciou.

 

Em pleno século XXI, num país que se diz europeu e desenvolvido não podem acontecer estas coisas, as pessoas não podem ser agredidas barbaramente simplesmente porque tem preferências sexuais diferentes, a liberdade sexual é um direito de cada um e todos devemos poder expressar carinho por alguém sem ter medo.

 

Eu quero que no meu país as pessoas possam sair à rua sem medo, até porque hoje agrediram a Sara porque é lésbica, amanhã o mesmo animal, que imagino continua a conduzir o táxi como se nada se tivesse passado, vai agredir alguém porque tem cor da pele diferente, ou porque é de outro clube, ou de outra religião, ou ...

 

Jorge Soares

publicado às 22:37

Júlio Resende

 


Júlio Resende é já um dos grandes pianistas portugueses da actualidade. Resende começou a tocar aos 4 anos e tem formação clássica, mas cedo descobriu que não ficava satisfeito em ser intérprete de temas onde não pudesse improvisar.
 
Este disco é um novo desafio: trazer o Fado ao piano. Cantar as melodias com o piano, em vez de as acompanhar apenas. Com o piano exprimir tudo o que o Fado significa. Afirma Júlio Resende que “todos os pianistas têm o sonho de realizar um disco a solo. Eu queria fazer o disco a solo mais pessoal possível. Entendo a palavra “solo” como algo que tem a ver com terra, com raízes, com o chão que pisas, que habitas. Entre as minhas memórias musicais mais antigas está a voz da Amália a cantar “A Casa Portuguesa!” ou o avassalador “Estranha Forma de Vida” e ela serve de símbolo para esta viagem musical.”
 
Assim chegou ao disco que se prepara para editar em breve – Amália Por Júlio Resende. Uma obra onde revisita, apenas com o piano, alguns dos mais marcantes fados interpretados pela maior diva da música Portuguesa, Amália.
 
O resultado é um disco onde a tradição e modernidade convivem em harmonia, onde o património é preservado pela inovação.

 

Fonte: Santos da Casa

 

Para além das fantásticas interpretações ao Piano, Júlio conseguiu o feito de ressuscitar Amália, que graças às novas tecnologias dá a sua voz ao Fado Medo:

 

 

 

Letra

 

Quem dorme à noite comigo,
É meu segredo.
Mas se insistirem lhes digo:
O medo mora comigo
Mas só o medo...

E cedo, porque me embala,
No vai-e-vem da solidão,
É com o silêncio que fala.
Com voz que move onde estala
E nos perturba a razão

Gritar, quem pode salvar-me?
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me
Mas eu sei que ele há de esperar-me
Ao pé da ponte, do fim.

 

Podem escutar mais de Júlio Resende no A música Portuguesa

 

Jorge Soares

publicado às 00:51

és suficeintemente parvo para voltar a votar em quem nos levou a este estado?

 Imagem de aqui

 

...o medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte, vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura, algo me sugeriu o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas...


Mia Couto


Hoje no telejornal da RTP foi apresentada uma sondagem que diz que se as eleições fossem hoje, o PS estaria muito próximo de ter mais votos que PSD e CDS juntos. Bastou que Passos Coelho nos fosse ao bolso a todos para que um monte de gente que há um ano atrás mimava os socialistas com impropérios como: incompetentes, corruptos, ladrões, etc, agora se prepare para os voltar a colocar no poder... Quer-me parecer que para além de um povo sereno, somos principalmente um povo de memória curta.

 

Como é possivel que depois de tudo o que se disse sobre Sócrates e o seu governo socialista, o PS possa ser neste momento a alternativa para voltar a governar o país?

 

Como é possivel que depois do que tem sido o governo do PSD/CDS e a sua política do custe o que custar até ao descalabro final, existam 31% de eleitores que voltaria a votar nestes senhores?

 

Na verdade não é assim tão estranho, não conheço ninguém que consiga estar de acordo com Passos Coelho na questão da TSU, todos acham que é uma medida que só vai piorar a situação do país, mas quando tento aprofundar um bocadinho a conversa e tentar perceber em quem votariam as pessoas, a coisa termina sempre em "pois, mas não há alternativas"

 

Esta semana perguntei directamente a alguém porque não equaciona votar num dos partidos que nunca governou, por entre dentes e meio a medo, lá obtive a confissão, "o povo tem medo do comunismo".

 

Não, isto não foi dito por alguém de 60 anos que cresceu a ouvir dizer que os comunistas comiam criancinhas ao pequeno almoço, isto foi-me dito por uma pessoa na casa dos trinta, ante a minha incredulidade e o silêncio das 3 ou 4 pessoas que estavam ali naquele momento. 

 

Medo, a explicação para o facto de apesar do roubo dos subsídios, do aumento do IVA, da TSU, do aumento das taxas moderadoras, do descalabro da politica educativa, e de tudo o resto, a soma dos votos do PCP e do BE apenas chegarem aos 20%, bem menos que nas eleições de 2008 por exemplo, é que as pessoas tem medo da mudança.

 

O medo explica que as pessoas prefiram ser roubadas, enganadas, espoliadas dos direitos que custaram décadas a ser conquistados pelos nossos pais, a acreditar na mudança, a acreditar que sim, que os políticos não são todos iguais e que poderá haver no nosso país quem possa governar de outra forma, de uma forma que não nos leve ao abismo.

 

Depois disto, e apesar de eu não estar muito para aí virado porque já passei por isso e não me estava mesmo a ver a repetir a experiência, acho que a mim e a muita gente que quer o melhor para os seus filhos, só nos resta mesmo uma hipótese, emigrar, porque pelos vistos com este povo não vamos lá...

 

Muito sinceramente já deixei acreditar na lucidez de quem vota neste país... tem medo, compre um cão, não abra as portas aos ladrões.

 

E tu és suficientemente parvo para voltar a votar nos partidos dos dois governos anteriores?

 

Jorge Soares

publicado às 22:13

.. há neste mundo ...

por Jorge Soares, em 01.08.12

.. há neste mundo ...

Imagem minha do Momentos e Olhares 

 

.... há neste mundo mais medo de coisas más que coisas más propriamente ditas ....

 

Mia Couto

 

Alviães, Oliveira de Azemeis

Agosto de 2011

Jorge Soares

publicado às 22:58

Morreu Khadafi, o fim do medo na Líbia

por Jorge Soares, em 20.10.11


morreu Muammar Khadafi

Imagem do Público

 

Morreu Mohamar Khadafi, é o fim de uma era de terror na Líbia, e esperamos nós, mais um passo na caminhada do mundo Árabe para a liberdade e a Democracia. Esperemos que a sua morte não sirva para que se coloque um véu sobre toda tirania e barbárie com que ele e os seus seguidores governaram o país durante mais de 40 anos, o povo Líbio exige e tem direito à justiça.

 

Não podemos também esquecer que tal como dizia há pouco tempo Mia Couto, "... os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são precisamente os que mais armas venderam a Kadafhi...", todo o sofrimento do povo Líbio é também culpa de quem durante estes 40 anos de uma forma ou outra contribuiu para o prolongar de um regime de terror.

 

Jorge Soares

publicado às 20:48



... o medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte, vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura, algo me sugeriu o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas....

.... há neste mundo mais medo de coisas más que coisas más propriamente ditas ....

 

... para fabricar armas é necessário fabricar inimigos, para produzir inimigos é imperioso inventar fantasmas .... 

 

... porque razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são precisamente os que mais armas venderam a Kadafhi?

 

...  em pleno século XXI um de cada seis seres humanos passa fome, o custo para superar a fome mundial seria uma fracção muita pequena do que se gasta em armamento, a fome será sem dúvida a maior forma de insegurança do nosso tempo...

 

  ... há quem tenha medo que o medo acabe ...

 

Mia Couto
Um vídeo para ver até ao fim e para reflectir.

 

Jorge Soares

publicado às 21:23

As Torres gémeas no dia do atentado
Imagem do Público

 

Hoje a meio da tarde, deitado ao sol do Alentejo, dei por mim a pensar que já estive em Nova Iorque, em Londres e em Madrid, três cidades que foram vitimas de atentados da Alqaeda. 

 

Estive em Nova Iorque em 2007, era Dezembro, estava muito frio, não fui ao Ground Zero e não me lembro de ter pensado nos atentados. Em Madrid foi diferente, talvez porque fui com toda a família e cheguei de comboio à estação de Atocha, um dos locais onde explodiram as bombas. Não falamos do assunto, mas lembro-me de ter sentido um friozinho no estômago.. O mesmo friozinho que senti quando cheguei a Londres há uns dias e fui de metro do aeroporto para o Hotel e nos dias seguintes quando ia no metro e dava por mim a lembrar-me do assunto.

 

É verdade que não deixamos de viver, mas somos humanos e  o que aconteceu nestas três cidades não deixa de nos marcar.

 

O Onze de Setembro para além do enorme número de vidas que ceifou, foi para todos nós o acordar para um mundo diferente, desde o fim da guerra fria que se vivia uma calma aparente. Os atentados acordaram-nos para a realidade e para guerras e receios diferentes.

 

Entretanto muitas coisas mudaram, de repente todos passamos a ser presumíveis terroristas com tudo o que isso significa: andar de avião é um suplício, visitar monumentos, museos e até igrejas implica quase sempre ser sermos vistos, revistados e vasculhados. Gastaram-se biliões de dólares em segurança, invadiram-se países, mudaram-se governos e regimes. Morreram perto de 3000 pessoas no dia 11 de Setembro de 2001, entretanto nas guerras geradas por esse dia, só americanos já morreram mais de 7000 soldados.Será que tudo isto nos faz sentir mais seguros?

 

A verdade é que não, como dizia alguém numa das muitas reportagens que vi ou li, andar numa cidade e ver soldados ou policias armados até aos dentes não nos faz sentir mais seguros, só nos recorda que o perigo é latente e que as ameaças podem vir de qualquer lado.

 

Um mundo seguro é aquele em que não são necessários policias armados até aos dentes, nem scanners corporais nos aeroportos, nem revistas nas entradas dos museus. A existência de tudo isto 10 anos depois da queda das torres só significa que todas as guerras, que todos os mortos que ocorreram entretanto, serviram para muito pouco, estamos muito longe, talvez cada vez mais longe, de ganhar a guerra ao terrorismo e ao terror que este semeia em todos nós. 

 

Jorge Soares

publicado às 21:33

Quem tem medo do Caracol?

por Jorge Soares, em 15.06.11

Quem tem medo do caracol

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

O Medo é uma manifestação mais ou menos irracional da expressão de um sentimento de receio que manifestamos ante uma determinada situação da vida.

 

De uma forma ou outra todos temos medos, há quem tenha medo dos aviões ou de voar, quem tenha medo das alturas, de andar à noite, dos fantasmas, dos mortos, dos vivos. Eu tenho medo, pavor, impressão, chamem-lhe o que quiserem, das cobras. Cresci numa aldeia e no verão andava livre pelo campo, mais que uma vez tive encontros imediatos com elas e até hoje, até quando aparecem na televisão mudo de canal.

 

Cá em casa há medos para todos os gostos, a minha meia laranja tem medo de ratos e roedores, o N. tem um pavor terrível dos cães, é mais forte que ele, qualquer bola de pelo de poucos centímetros o deixa em pânico. Até à pouco a D. era uma miúda destemida e sem medo de nada, ultimamente deu em ter medo de tudo o que seja insecto, mal vê uma mosca desata aos berros:

 

- Medo do bicho!

 

Mas não tem medo de todos os bichos. Não sei de que modo descobriu que a R. tem medo de caracóis, vai daí entre ela e o irmão, arranjaram maneira de numa das saídas ao jardim trazerem para casa uns dois ou três caracóis que foram estrategicamente guardados num dos vasos de orquídeas da varanda.

 

Num destes dias, estava a R. a ver televisão e aparece a D. com um caracol na mão:

 

-Olha mana!

 

A outra quando viu o que era desatou a gritar e a correr pela casa, e de repente tínhamos uma matulona de 12 anos que está mais alta que a mãe,  a correr entre a sala e a cozinha aos gritos com uma pirralha de três anos atrás dela morta de riso e a gozar o prato.

 

Fizemos desaparecer os caracóis.. não serviu de muito, este fim de semana na visita ao Castelo de Penela, o diabinho encontrou um caracol e lá tivemos a repetição da cena para gáudio de miúdos e graúdos ... 

 

Jorge Soares

 

publicado às 22:13

Japão, voltou o medo do holocausto atómico?

por Jorge Soares, em 17.03.11

Fukushima

 

Imagem do Público

 

Hoje à hora do almoço enquanto lia algumas das reportagens do enviado do El Mundo a Fukushima, dei por mim a lembrar-me de uma fase da minha vida em que tinha terror às bombas atómicas. Convém recordar que eu comecei a tomar consciência do mundo que me rodeava no fim dos 70's início dos 80's, quando o mundo ainda estava dividido entre os bons e os maus e a ameaça do holocausto nuclear era ainda bem real.

 

A queda do muro afastou esta realidade, pelo menos aparentemente e com o tempo, não só deixei de ter esse terror ao nuclear, como até há uns dias atrás eu estava convencido que a energia do futuro seria mesmo esta. Mais limpa, mais barata e esperava eu que num futuro não muito longínquo, até mais segura.

 

Por vezes a realidade é maior que todas as certezas, hoje sabemos que com a tecnología actual não se conseguem construir centrais nucleares realmente seguras, e à medida que vou lendo mais e mais noticias vou percebendo que muito do que eu pensava sobre a segurança deste tipo de energia estava construído sobre mentiras e meias verdades.

 

Noticias como esta do Público vão saindo a pouco e pouco e mostram como os interesses se sobrepõem muitas vezes à verdade e na ânsia de não matar a galinha dos ovos de ouro, há muita gente que mente, esconde factos e até acidentes. O pior é que isto é válido para as centrais japonesas e para muitas das de outros países, basta recordar que na vizinha Espanha já ocorreram acidentes que só vieram a público quando desde cá se começaram a medir níveis anormais de radiação.

 

Será difícil medir quanto do poderio económico do Japão se deve ao facto de ter apostado neste tipo de energia que fez diminuir a sua dependência do petróleo e do exterior, assim como será difícil saber qual o preço que terá que pagar agora em recursos e em vidas humanas pelo desastre que aconteceu em Fukushima.

 

Neste momento há muitos países a repensar e até a cancelar projectos de energia atómica, é difícil aceitar que algo de positivo possa sair de uma tragédia como a que aconteceu no Japão, mas quando leio que a Alemanha mandou encerrar uma série de reactores cuja vida útil estava esgotada e que se queriam manter a funcionar por mais umas décadas, que a India cancelou o seu programa de energia Atómica, ou que a Espanha decidiu testar a segurança de todas as centrais do país... eu só posso pensar que a natureza é mesmo sábia e  que muitas vezes se escreve direito por linhas muito tortas.

 

Jorge Soares

publicado às 22:02


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