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sobretaxa.jpg

 

Imagem de aqui

 

Não me lembro quando nos foi prometido que poderia haver uma devolução do IRS, mas lembro-me perfeitamente de nesse dia ter perguntado aos meus colegas se alguém queria apostar, eu apostava em que a seguir às eleições teríamos sorte se em lugar dos 3,5%  a sobretaxa não passasse  para 4 ou 5, mas que a devolução seria na melhor das hipóteses, 0!

 

Ninguém aceitou a aposta, vá lá a gente perceber por quê!

 

Algures em Julho calculava-se que poderiam devolver 19%, em Agosto eram 25 e em Setembro 35 %, parece que a coisa estava a correr bem na cobrança de impostos.... não percebo porquê mas a seguir às eleições, ou a malta deixou de pagar ou o estado deixou de saber cobrar impostos, os dados actuais apontam para as minhas previsões, 0% de devolução.

 

Como são previsíveis os políticos portugueses... e a julgar pelos resultados eleitorais, como é fácil enganar o zé povinho, ou alguém acredita mesmo que a cobrança de impostos varia assim de um mês  para o outro?

 

Jorge Soares

 

PS:Senhor presidente da República, falta muito para termos um governo sério?

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publicado às 23:54

Impostos

 

Imagem de aqui

 

Há uns dias Passos Coelho ficou muito indignado porque Catarina Martins afirmou em pleno debate parlamentar que a palavra de Passos Coelho não vale nada, e apontou uma serie de exemplos de afirmações que depois se viriam a mostrar precisamente ao contrário... hoje foi-nos dado mais um argumento para partilharmos a opinião da Deputado do Bloco de esquerda. Ainda a semana passada Passos Coelho dizia que o caminho para a redução do défice seria pela redução da despesa e não pelo aumento da carga Fiscal. Quantas vezes ouvimos o primeiro ministro e os seus ministros repetir a ideia de que não haveria mais aumentos de impostos?

 

A ministra das finanças Maria Luís Albuquerque e o ministro O ministro do Emprego e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, apresentaram ao país as medidas inscritas no  Documento de Estratégia Orçamental, entre outras coisas ficamos a saber que o Iva passa de 23 para 23,25 % e os descontos para a segurança social passam de 11 para 11,2 %. Sobre o não aumento de impostos, estamos conversados.

 

Outra das medidas apresentadas é a criação de uma "contribuição de sustentabilidade", que corta entre 2% e 3,5% nas pensões acima de 1000 euros. Isto não é mais que um novo nome e uma nova roupagem para a famosa taxa de solidariedade, medida temporária que agora passa a definitiva.... quantas vezes ouvimos os membros do governo dizer que as medidas de austeridade era temporárias e que não haveria medidas a passar a definitivas?

 

Há algo que me escapa no meio de tudo isto, segundo o PSD e o governo, a prioridade é o combate ao desemprego, ora, alguém me explica como é que se combate o desemprego sem incentivar o consumo? E como é que se incentiva o consumo se se continuam a aumentar os impostos?

 

É claro que a devolução de uma parte dos cortes aos funcionários públicos é bem vinda, mas depois de tantas trocas e baldrocas, eu já estou como Santo Tomé, ver para crer, é que de aqui até Janeiro ainda faltam muitos meses e ainda dá para mudar de opinião muitas vezes.

 

Há algo que me deixa ainda mais confuso, como é que no meio de tantas trapalhadas e de tanto diz e desdiz ainda há quase 30% de portugueses que dizem que vão votar no PSD.... há muita gente que gosta mesmo de ser enganada

 

Jorge Soares

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publicado às 22:54

Adopção

 

Cada certo tempo recebo um destes mails, normalmente de alguém de um dos programas da manhã ou da tarde, de inicio ainda respondia, pedia desculpa mas não tenho feitio para algumas coisas, ultimamente  na maior parte das vezes já nem respondo, cansa ver os temas sempre apresentados e tratados da mesma forma e quase sempre da forma errada.

 

Hoje chegou mais um desses mails, chamou-me a atenção o seguinte:

 

"Naturalmente, e sabendo um pouco as dificuldades que existem em todo o processo de adopção, gostaria de saber se conhece alguém que esteja, neste momento, à espera de adoptar e que o processo parece não avançar. 

 

A nossa intenção é demonstrar a dificuldade e as burocracias por que passam as famílias que gostariam de adoptar e a força que têm para lutar por algo que, em última instância, estará a ser benéfico para uma criança que vive institucionalizada . Naturalmente, e dada a natureza do referido tema, seria pertinente termos testemunhos de "pais" que estejam, de facto, à espera há muito tempo (mais de um/dois anos)." 

 

Notem o detalhe do "pais" entre aspas. Não resisti e respondi o seguinte:

 

Já passei por dois processos de adopção e a verdade é que há muito pouca burocracia num processo de adopção, um questionário, duas entrevistas e uma visita domiciliária não são muita burocracia. Estamos a falar  da vida de crianças e isso não pode ser visto de animo leve, as avaliações devem ser o mais exaustivas e rigorosas possíveis, aliás, a julgar por alguns casos que vamos conhecendo de vez em quando, se calhar não são o suficientemente rigorosas e exaustivas.

O que faz com que os processos sejam demorados não é a burocracia ou o mau desempenho da segurança social, o problema é que em Portugal há muitos mais candidatos a adoptar, quase 4 mil, do que crianças cujo projecto de vida seja a adopção. A verdade é que em Portugal, feliz ou infelizmente, não há crianças para adoptar.

Há sim em Portugal  muitas crianças institucionalizadas, mais de oito mil, o problema é que 95% destas crianças estão entregues à guarda do estado mas não estão nem nunca estarão para adopção. Aquela ideia de que há muitas crianças à espera de uma família é um mito, uma mentira que é muitas vezes alimentada de forma errada pelas pessoas e pela comunicação social.

Destas crianças todas há algumas, perto de 500 que estão à espera sim, mas são aquelas que não são desejadas por ninguém, aquelas que não estão nos ideais nem nos sonhos dos mais 4000 candidatos de que falei acima. Crianças com mais de 10 anos, crianças com doenças crónicas, crianças deficientes, fratrias de irmãos, crianças de cor, crianças ciganas, etc. Crianças como a do caso de que falei aqui, que apesar de eu ter publicado a carta duas vezes e de esta ter chegado a dezenas de blogs e milhares de pessoas, por aquilo que sei, continua à espera de alguém disposto a amar.

Querem fazer um programa interessante? e desde já disponibilizo-me para participar, façam um em que se dê a voz a estas crianças, um programa em que se confrontem os candidatos que dizem que o processo é moroso e burocrático, com estas crianças e com a sua espera, afinal qualquer uma delas pode fazer com que o processo em lugar de durar anos ou meses, dure dias.

Desculpem o desabafo

 

Jorge Soares

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publicado às 23:16

Uma mentira estraga mil verdades

por Jorge Soares, em 01.11.13

Uma mentira

 

Imagem de Pontos de vista 

 

 

“Em 2011 vivemos uma espécie de 1580 financeiro. Em Junho de 2014 podemos viver uma espécie de 1640 financeiro”, disse (Paulo Portas), no encerramento do debate na generalidade do Orçamento do Estado (OE), referindo-se ao período em que Portugal esteve sob domínio espanhol. 


Também há quem diga que o desemprego está a descer, é claro que se fizermos as contas, aos mais de 120 mil que emigraram durante o último ano, em vez dos 16.3%, passamos para mais de 18% .. mas evidentemente tudo depende do ponto de vista e para a ministra das finanças, Paulo Portas, Pedro Mota Soares e o primeiro ministro, isto são sinais positivos.... 

 

Certo certo é que uma vez mais o orçamento foi aprovado pela maioria... na assembleia o povo gritou e mostrou que estava contra... era bom que em lugar de gritar o povo tomasse notas... e gritasse com todos os pulmões nas próximas eleições... isto se ainda restar alguém por cá com capacidade para ir votar.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:08

Miguel Relvas ou Bárbara Reis, quem mente?

por Jorge Soares, em 25.05.12

Bárbara Reis foi ouvida nesta quinta-feira na ERC

Imagem do Público 

 

 

A directora do PÚBLICO, Bárbara Reis, reiterou nesta quinta-feira de manhã, na ERC, que Miguel Relvas “fez uma pressão” sobre o jornal com diversas ameaças, e contou que o ministro lhe disse depois ter “humildade suficiente para pedir desculpa” pelo telefonema que fizera à editora de Política. 

 

O ministro Miguel Relvas negou nesta quinta-feira de manhã, na ERC, ter feito ameaças à jornalista do PÚBLICO que tem escrito sobre as "secretas" e disse que é ele próprio quem se sente pressionado por o jornal lhe ter dado 32 minutos para responder a uma pergunta. 

 

Eu ouvi o senhor ministro dizer que não, que não tinha feito ameaças nenhumas e que o pedido de desculpas foi só pelo tom indelicado do telefonema, algum tempo depois ouvi a senhora ali da fotografia, Bárbara Reis de seu nome e directora do jornal Público,  a dizer que sim, que tinha havido ameaças de divulgação de dados da vida privada da jornalista, alguém perguntou quais dados, ao que ela respondeu que isso não interessava naquele momento.

 

Eu ouvi, ninguém me contou... agora a questão é, quem está a mentir?, porque do que eu ouvi, alguém está a mentir...e mentir é muito feio.

 

Entretanto parece que começaram os danos colaterais de tudo isto, Adelino Cunha, membro do gabinete do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, demitiu-se na sequência de terem aparecido nas investigações algumas mensagens telefónicas trocadas com o ex-espião Jorge Silva Carvalho.

 

Jorge Soares

 

PS: Aceitam-se apostas sobre o que dirá a ERC, aposto que eles entenderam outra coisa completamente diferente do que eu entendi.

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publicado às 11:52

 Primeiro ministro apanhado em contradição.. uma vez mais.

Imagem do Público

 

O primeiro-ministro afirma que o Estado vai ter de pagar à Lusoponte 4,4 milhões de euros equivalentes ao valor das portagens de Agosto da ponte 25 de Abril, porque quem arrecadou essa receita em 2011 não foi a empresa, mas sim a Estradas de Portugal.

 

Eu ouvi em directo algumas partes do debate na assembleia da república, as tentativas de explicação do  Passos Coelho, as respostas de Francisco Louçã, que de documentos em mão pôs a nu as contradições de um  Primeiro Ministro que uma vez mais foi para um debate sem preparar os temas do momento e uma vez mais foi apanhado em contramão.

 

O primeiro Ministro diz que não houve duplo pagamento, diz que o dinheiro ficou retido pelas estradas de Portugal... eu fiquei na dúvida, o que tem as estradas de Portugal a ver com tudo isto?, então as portagens da ponte não são da Lusoponte?, e os funcionários que fazem as cobranças não são da Lusoponte?,  então mas agora a Lusoponte pega no dinheiro do seu negócio e dá às estradas de Portugal?... a propósito de quê?

 

Entretanto quando vinha a caminho de casa, no noticiário da Antena 1 alguém da Lusoponte explicava que não vai haver devolução, que os 4 milhões de Euros vão servir para acertar contas das dividas do estado à empresa... ou seja, ao contrário do que diz o Primeiro Ministro, a empresa reconhece que recebeu a dobrar..... 

 

4 milhões de Euros são uma gota de água, mas todo este caso é o reflexo da forma como o país está a ser gerido, como é que o secretário de estado não reparou que estava a pagar o que já tinha sido pago?, como é que a empresa recebe uma quantia que sabe que não lhe corresponde e não diz nada?, como é que passado todo este tempo tem que ser a oposição a trazer o assunto à luz do dia para que o governo se decida a averiguar o que aconteceu? É esta a politica da verdade que tanto se apregoou na campanha eleitoral?

 

Assim de repente estes 4 milhões davam para pagar ao fornecedor das compressas do Garcia da Horta.... por exemplo.

 

No meio de tudo isto, a mim ficou-me uma certeza, entre o Primeiro Ministro, o Secretário de Estado das obras públicas e a Lusoponte, alguém está a mentir... e todos estão a fazer de nós parvos...

 

Update: Entretanto ao fim da tarde em nota explciativa... A secretaria de Estado explica que os 4,4 milhões de euros foram pagos porque esse é o montante que está estipulado pagar à Lusoponte por não cobrar portagens em Agosto e que como o contrato está em vigor .. e viva a incompetência.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:44

Fim do News of the World

Imagem do Público

 

Sempre me fez confusão que exista este tipo de jornalismo, jornais feitos de boatos, meias palavras, meias verdades, completas mentiras ... faz-me espécie que existam pessoas que façam deste tipo de escrita modo de vida, assim como me faz especie que existam pessoas que mesmo sabendo que na maior parte das vezes o que lá vem escrito não passa de mais um episódio da imaginação de um qualquer escriba de ocasião, as comprem.

 

O News Of the World era um jornal com 168 anos, não sei quantos haverá no mundo mais antigos, de certeza que serão poucos, também não sei desde quando enveredou por este tipo de jornalismo de sarjeta. Hoje foi a sua última edição, em qualquer outro caso seria de lamentar a morte de mais um jornal, e para mais um jornal com esta idade, neste caso, só podemos lamentar que tenha demorado tanto tempo.

 

O sucesso deste tipo de de jornalismo mostra como somos cada vez mais uma sociedade voyeur, uma sociedade que dá cada vez mais importância ao acessório, ao fútil, ao que não deveria interessar a ninguém. Num mundo em que os jornais sérios, os que vivem de vender informação e noticias, tem cada vez mais dificuldades em sobreviver, as revistas cor de rosa e este tipo de jornais florescem como cogumelos a seguir às chuvas do Outono.

 

Curiosamente há muito que eram conhecidos os métodos deste jornal, há muito que se sabia que se faziam noticias com base em métodos ilegais, até agora as vitimas era só famosos, imagino que até agora se partiu do principio que ser vitima destes senhores era parte do preço a pagar por ser ser rico e/ou famoso. O escândalo e o encerramento do jornal só chegaram quando se percebeu que os métodos ilegais afinal servem para todos, ninguém está livre, é pena, se tivessem tomado medidas logo na primeira vez, não se teria chegado tão longe.

 

Mas o News of the Worls não é o único a viver deste tipo de jornalismo, há mais, muitos mais, esperemos que tenham rápidamente o mesmo fim.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:14

Devemos votar sim

 

Quanto a mim, esta foi a campanha eleitoral mais pobre de que me lembro, achava eu que nas últimas legislativas tínhamos chegado ao nível zero e que agora só podia melhorar, está mais que visto que estava enganado... o nível pode sempre descer mais... Eu sei que o presidente da república representa pouco mais que uma mera figura decorativa, não estava à espera de grandes ideias, nem de programas para governar... mas o que aconteceu foi mau de mais.

 

Continuo a achar que em lugar de votar no melhor candidato, estas eleições servem para eleger o menos mau, mas algo de bom saiu de tudo isto, esta campanha serviu para trazer à luz o verdadeiro carácter do cidadão Cavaco Silva.. a áurea de seriedade que para os seus seguidores o elevava quase ao nível de santo caiu por terra.Hoje ficámos a saber que o senhor é tão chico esperto como qualquer outro português, e que na hora dos negócios, tenta fugir às suas obrigações e a pagar os impostos como qualquer outro...

 

Depois de tudo o que veio a público, das suas ligações aos responsáveis do caso BPN, da história das acções, de toda a trapalhada da troca dos terrenos,  nas obras e escritura da casa, se este fosse um país a sério, o senhor não só não era elegido, como deveria ser chamado a tribunal para dar contas de tudo isto e pagar os seus impostos.... Como não somos um país a sério... o senhor continuará no seu pedestal e a pairar sobre todo nós com a sua arrogância habitual.

 

Há muito quem se pergunte se vale a pena ir votar... votar é um direito e um dever, votar é ter uma palavra a dizer no nosso futuro e no do nosso país,  não ir votar é deixar a decisão aos outros, é aceitar a escolha dos outros e é abdicar do direito a pedir contas quando os governantes fazem mal o seu trabalho.

 

Vou voltar a copiar algumas das palavras da Sandra:

 

Quem não se interessa por política, não se interessa pela própria vida. Porque a política, quer queiramos quer não, é intrínseca à vida. A idade a que podes casar, se podes abortar ou não, as bebidas e os filmes e as marcas que tens ou não disponíveis no teu país, os cursos que podes tirar, as escolas que podes frequentar ou não, os cuidados de saúde a que podes aceder, a liberdade de expressão que possas ou não ter, o poderes ou não casar com quem quiseres e bem entenderes. Tudo, tudo isto é política. Descartar a política, é descartar a vida. É descartar, principalmente o pouco que ainda nos resta de comandarmos a nossa própria vida.

 

Se as pessoas julgam que são mais livres afastando-se da política e não participando, enganam-se. A liberdade vem da possibilidade de escolha. E quem não escolhe, quem cruza os braços, deixa que os outros decidam e escolham por si. A sua vida e a dos seus filhos. O seu futuro. Eu não aceito que escolham por mim. Nunca! E até podes supor e mesmo acreditar que os políticos são todos iguais. Mas o facto de acreditar não faz disso um facto. Os que lá estiveram (durante estes 36 anos!!) já podes avaliar se são iguais ou não. Os outros, só podes adivinhar. Não podes dizer que não gostas da sopa antes de a teres provado. Isso é coisa dos putos."

 

Portanto, devemos ir votar sim, todos, eu sei em quem não vou votar, porque acho que o país deve ser governado por pessoas dialogantes e coerentes, não por arrogantes e mentirosos... agora que sabemos que o senhor perdeu a seriedade e a vergonha, está na hora de lhe mostrar que já basta...  e não, não são todos iguais.. ainda há pessoas sérias e honestas neste país.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:24

WikiLeaks e Portugal, o país das mentiras

por Jorge Soares, em 01.12.10

WikiLeaks

Imagem de aqui

 

Eu nunca gostei muito da Ana Gomes, sempre achei que era alguém que vivia fora de tempo,  ouvir a senhora falar era como voltar aos discursos do Prec, mas se há algo em que lhe bato palmas é na forma como contra tudo e contra todos, insistiu até à exaustão na investigação da passagem por cá dos famosos voos secretos da CIA,  que levavam prisioneiros para e de Guantânamo. Eu não sei o resto do mundo, mas para mim era mais que claro que os voos tinham passado por cá, as provas eram mais que evidentes, apesar de toda a areia que nos andaram a atirar para os olhos.

 

Hoje foram tornados públicos no site WikiLeaks 722 documentos com origem na embaixada dos Estados Unidos em Portugal, um desses documentos esclarece que os Estados Unidos fizeram um pedido ao nosso governo para a passagem dos voos e que o assunto terá sido discutido entre Luís Amado e Condoleezza Rice em Washington.

 

Tudo isto se passou exactamente na altura em que o governo apresentava ao parlamento e ao país o resultado de uma investigação que concluiu pela não existência de provas da passagem por cá desses voos.

 

Ora, não sei o que irão revelar os restantes documentos, mas para já, temos a prova de que há um monte de gente que andou a mentir ao parlamento e ao país... na altura Luís Amado prometeu demitir-se se alguém conseguisse provar a cumplicidade do governo... ainda vai a tempo, ele e quem andou a prestar declarações incompletas ou falsas às comissões que investigaram o assunto.

 

Eu não tenho uma opinião sobre este fenómeno da WikiLeaks, acho que é para todos evidente que há coisas que são e devem ser secretas, nem tudo na vida, na nossa privada ou na dos Estados,  pode ser público, o mundo é muito complexo como para ser completamente transparente... e imagino que haverá muitos segredos que se descobertos causarão muito mais dano que o que lhes deu origem...  por outro lado, o equilíbrio e a paz mundial não podem ser mantidos com base em mentiras e no encobrimento.

 

Acho que nesta altura está mais que claro que quem mais lucra com tudo isto são os meios de comunicação, sem eles não existiria o site nem ninguém teria ouvido falar de Julian Assange o seu fundador... vamos esperar para ver até onde vai chegar.

 

Para já, e como muito bem diz a Ana Gomes aqui, "Mais depressa se apanha um acariciado que um coxo".

 

Jorge Soares

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publicado às 21:44

Não dou!

por Jorge Soares, em 18.11.08

Não dou

 

Este post da Flor fez-me recordar uma situação que se passou há uns anos atrás. Era eu um pobre estudante deslocado em Lisboa quando um dia em companhia da P. decidimos tirar uma tarde de folga aos estudos e fomos passear até Belém. Lá chegados fomos tomar um café numa das pastelarias. Estávamos na fila para o pré pagamento e à minha frente estava uma senhora de idade, baixinha e magrinha, demorou-se imenso tempo, tinha muitíssimas moedas e algumas notas pequenas que estava a trocar por contos... no fim a quantia era muito perto de 10 contos... muito dinheiro naquela altura. Guardou as notas no bolso, virou-se para mim, estendeu a mão e disse:

 

-Não me dá uma ajudinha?

-Desculpe?

-Não me dá nada?

-.... . Não, claro que não!

 

Ela virou costas, resmungou qualquer coisa  e eu fiquei ali de boca aberta... com o homem da caixa a olhar para mim.

-Grande lata - disse eu!

-E já é a segunda vez que cá vem hoje.... e ainda vai voltar .

 

Naquela altura, a mim estudante que só comia em cantinas, 10 contos dava-me para uma semana pelo menos, e tinha que dar, porque não havia muito mais..... em todo caso, eu é que devia ter estendido a mão a ver se ela me dava algo, está-se mesmo a ver que eu precisava mais que ela.

 

Este episodio marcou-me e deixou-me de pé atrás, mas há mais, aqui há uns anos eu tinha os meus filhos num infantário da igreja católica e pagava quase 30 contos por mês de  cada um, um dia descobri que aquela instituição recebia alimentos do banco alimentar contra a fome... é claro que fiquei indignado. E ainda hoje continuo por perceber como é que isso era possível, porque eu estava a pagar e bem cara a alimentação dos meus filhos....desde então deixei de dar alimentos para o banco alimentar.

 

Não dou nada a pedintes de rua, nem a ceguinhos que cantam no metro, nem entro em peditórios ou campanhas de angariação de fundos. Eu desconto todos os meses 11 por cento para a segurança social e entendo que se as pessoas realmente necessitam é lá que se devem dirigir, é para isso que existe a acção social e também é para isso que servem os meus impostos.

 

Faço duas excepções, os bombeiros voluntários e é claro que pagaria comida a alguém que me pedisse isso, mas nunca daria dinheiro... porque por norma esse dinheiro é aplicado em tudo menos no bem estar das pessoas a quem seria destinado.

 

Bom, tenho dito.

Jorge

 PS:imagem retirada da internet

PS:Pronto.. lá se  foi a minha imagem... mas antes isso que achar que era preciso seis meses sem democracia!

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publicado às 21:57


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