Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Shame on you Angola

por Jorge Soares, em 20.10.15

luaty2.jpg

 

Imagem do Facebook  de Sofia Zambujo

 

Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade,

mas sim a verdade.

A liberdade não é um fim, mas uma consequência.

Leon Tolstoi

 

José Eduardo dos Santos, que está no Poder desde 1979 e as únicas eleições a que se submeteu, foram a origem de uma guerra civil que deixou milhares de mortos... não se sabe quando vão ser as eleições.....

 

Escrevi a frase acima algures em 2009 num post sobre o Hugo Chaves, já choveu bastante em Angola e na Venezuela desde então, entretanto  "el comandante" foi-se e deixou no seu lugar um senhor que recebe os seus recados através do canto dos passarinhos e para a desgraça ser completa, o petróleo passou dos 100 para os 50 dólares por barril.

 

Na Venezuela o que mudou foi para pior, Angola terá mudado muito neste período de tempo, os dólares do petróleo converteram Luanda na cidade mais cara do mundo e alguns angolanos nos melhores clientes das lojas de luxo de Lisboa. Infelizmente todo esse dinheiro e aparente prosperidade não chegaram a quem mais precisa e ao mesmo tempo que cresciam os edifícios na cidade, crescia também a miséria, a insegurança e as desigualdades.

 

Era contra essa miséria e desigualdades que  erguiam as suas vozes Luaty Beirão e outros 14 jovens activistas  que foram detidos durante uma acção de formação de intervenção cívica e política, com base no livro “Da Ditadura à Democracia”, de Gene Sharp.

 

Luaty e os outros 14 jovens estão presos à quase quatro meses  acusados de um crime político, segundo o governo angolano, os jovens estariam a preparar uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, mesmo que isto fosse verdade, este é  crime que admite liberdade condicional até ao julgamento, liberdade que tem sido negada aos jovens.

 

Luaty está em greve de fome há 29 dias em protesto por não ter sido libertado após o prazo máximo de prisão preventiva.

 

Tal como a Venezuela, Angola é um país com enormes recursos naturais, tal como na Venezuela toda essa riqueza parece que se desvanece em fumo por entre as mãos dos seus dirigentes e pouco ou nada chega a quem verdadeiramente precisa, o seu povo.

 

Luaty e os outras 14 jovens são a voz desse povo, não deixemos que os políticos calem essas vozes.

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:59

Salários, João Baião vai ganhar 25000 Euros

 

Imagem de aqui 

 

 

Está a levantar celeuma que o governo se prepare para gastar meio milhão de Euros por ano em salários só para os três principais directores do novo Banco do Fomento, sendo que um deles irá ganhar mais de 13 mil Euros por mês.

 

Assim de repente, num país onde o salário médio anda à volta dos 800 Euros por mês, 13 mil Euros parece um salário exorbitante, é claro que estamos a falar de alguém que terá a enorme responsabilidade de presidir a um banco do Estado.  Podemos também perguntar para que precisa o país de um banco de fomento quando já existe algo chamado Caixa Geral de de depósitos... mas isso é outra história.

 

Pelo que percebi, as três pessoas em questão tinham cargos de relevo em bancos privados e teriam de certeza salários a condizer com a importância desses cargos, sei que muita gente acha que as pessoas deveriam ir trabalhar para o estado com espírito de missão, mas também é verdade que sempre que alguém me vem com essa ideia eu pergunto se a pessoa deixaria o seu emprego para ir para o estado ganhar menos que aquilo que ganha... ainda estou á espera do primeiro que diga que sim.

 

Para vermos como as coisas são relativas, li esta semana que O João Baião vai deixar a RTP para ir trabalhar para a SIC, onde irá ganhar qualquer coisa como 25 mil Euros por mês a apresentar programas de televisão, mais do dobro do que ganhava na RTP. Não vi ninguém escandalizado com isso, 25 mil Euros é quase o dobro do que irá ganhar o presidente do Banco... alguém quer comparar o nível de responsabilidade?

 

Dei por mim a pensar como são relativas as coisas, um entertainer ganha o dobro do presidente de um banco do estado... visto por este prisma o salário do banqueiro parece-me pouco para a sua importância... a menos que os salários se calculem com base no número de vezes que se aparece nas revistas cor de rosa....

 

É claro que a comparação não faz muito sentido, a SIC é uma empresa privada e paga o que entender... mas a RTP é uma empresa Pública e pelo que percebi o salário do Baião seria qualquer coisa acima dos 10 mil Euros... o que evidentemente à primeira vista parece um absurdo... se nos esquecermos que a SIC lhe vai pagar os tais 25 mil ...

 

Tudo na vida é relativo, mas será que queremos mesmo um banco com um presidente que ganhe o salário mínimo ou uma pequena parte do que ganharia nos bancos privados?

 

A minha visão de tudo isto é a seguinte: Tudo depende evidentemente do ponto de vista, mas parece-me que  o que está errado não é o senhor ir ganhar os 13 mil Euros, o que está mesmo muito errado é que o salário mínimo seja uma miséria e a média dos salários do resto dos portugueses sejam os tais 800 Euros por mês.

 

Jorge Soares

publicado às 22:51

Venezuela, entre a ditadura e a guerra civil

por Jorge Soares, em 16.02.14

Venezuela

 

Imagem do Público 

 

Quando é que um regime que foi eleito pelo povo perde a legitimidade?

 

O que teme um governo que para além de manter toda a comunicação social publica e privada controlada, decide retirar das plataformas de cabo e da internet o sinal de um canal internacional que está a transmitir em directo, ao contrário dos canais nacionais, as manifestações e protestos organizados pelos estudantes em todo o país?

 

Na única noticia que vi na televisão portuguesa sobre o que está a passar em Caracas, ouvi Nicolás Maduro ameaçar o povo e a oposição com a radicalização da revolução e a utilização das armas para a defender, se os protestos continuarem.

 

Durante muito tempo defendi Chaves, não pela forma como governava mas sim pela legitimidade dos seus governos, confesso que não pude evitar sentir um arrepío na espinha ao ouvir aquelas palavras da boca de um presidente da República de um país onde supostamente existe uma democracia. Que tipo de governante ameaça o seu povo com a utilização das armas para o fazer calar?

 

Os protestos que se iniciaram nos estados Andinos da Venezuela e que rápidamente se estenderam a Caracas e a  praticamente todo o país, são contra as super degradadas condições económicas que derivam de uma inflação de mais de 50% e contra as condições de insegurança que pioram todos os dias e que convertem o país no segundo a nível mundial no número de homicídios.

 

O que faz Nicolás Maduro ante esta situação? Envia grupos paramilitares armados para enfrentar as manifestações. Força o encerramento dos jornais impressos ao não autorizar a importação de papel, controla os meios de comunicação  nacionais ameaçando com o encerramento a quem difunda noticias que mostrem a situação real do país e corta o sinal aos canais internacionais, chegou inclusivamente a impedir a difusão de fotografias no Twitter para evitar que os estudantes  o utilizem, e às restantes redes sociais, para mostrar ao país e ao mundo o que se passa nas ruas... Neste momento existe na Venezuela uma censura de facto.

 

A Venezuela é um dos países com mais recursos naturais do mundo, é o terceiro produtor mundial de petróleo, apesar de nos últimos 10 anos terem quase destruído a industria petrolífera, continuam a entrar milhões de dólares todos os dias no país. Para onde vai todo esse dinheiro?, ninguém sabe.

 

Chavez, Maduro e o seu partido estão no governo há 15 anos, nestes 15 anos em lugar de melhorar, a situação económica piorou todos os dias.

 

Chavez chegou ao poder principalmente devido à enorme desigualdade que existia no país, passados 15 anos, os pobres continuam pobres, vivem praticamente nas mesmas condições em que viviam antes, a população do país praticamente duplicou, os ricos são os mesmos, os pobres são muitos mais e a desigualdade social, a insegurança e a corrupção aumentaram de forma dramática.

 

Hoje vi Nicolás Maduro ameaçar os estudantes e o país com a imposição do poder pela via das armas, o que vi não é digno de um presidente democraticamente eleito, é digno de um qualquer ditador de república das bananas do século passado...  

 

Em 1958 A Venezuela foi o primeira democracia da América latina, não me parece que o povo esteja disposto a ter a primeira ditadura do século XXI, esperemos que Chavez mande de novo algum passarinho cantar ao ouvido de Maduro e que lhe mostre que o povo está primeiro e que não vai aguentar muito mais.

 

Desde aqui, de todo coração desejo o melhor para um povo e um país que aprendi a amar e que levo no coração como o meu...

 

La lucha del  pueblo venezolano es por un país onde se pueda vivir con justicia, paz y libertad, por favor no se rindan!

 

Update: Vídeo - O que está a acontecer na Venezuela?

 

 

Jorge Soares

publicado às 22:08

A vida num hospital português perto de si

por Jorge Soares, em 22.01.14

A vida num hospital Português perto de si

 

Há quem diga que Portugal é um país desenvolvido, do primeiro mundo, pena que isso seja só no papel, porque quem no dia a dia tem que sofrer a realidade não é isso que sente, há coisas que acontecem por cá que mais parecem retiradas de um filme de terror do século passado.

 

O seguinte relato foi escrito em primeira pessoa pela Golimix no Eu tento, mas meu tento não consegue! e é o segundo capítulo, o primeiro pode ser lido aqui.

 

Esta é a segunda fase dos meus relatos das experiências passadas com meus pais. Deixei este para último porque é o mais difícil de escrever e o mais difícil de recordar, já que não é só uma recordação mas algo que ainda sobrevive ao dia-a-dia.

 

Em  agosto de 2012, e depois de muitas peripécias que qualquer dia contarei, foi diagnosticado ao meu pai, nos Hospitais de Coimbra, uma Demência de Corpos de Lewy, que qualquer pesquisa simples na net vos elucidará do que se trata. Menos frequente que o Alzheimer e com progressão mais rápida e igualmente difícil, quer para o portador da doença quer para os seus familiares. E chega a um ponto que sobretudo para os seus familiares.

 

Podem dizer-me "Faço ideia do que estás a passar". Eu respondo a esta frase, não. Não fazem a mínima ideia do que é ver o nosso pai (neste caso) ser portador de uma demência. Do que é vê-lo a não ser ele, do que é vê-lo a ir-se e o seu corpo ainda estar presente. Dói mais do que a morte. Porque é uma morte lenta e insidiosa. Leva-o todos os dias. Tira cada dia um pouco e cada dia o leva para mais longe. Não é ele que está ali...

 

Alguém me dizia aqui há uns tempos. Não digas isso, ainda o podes abraçar. É verdade. Ainda o posso abraçar, ainda tolera os abraços que nunca me deu e agora dá, porque agora não tem o travão mental de não demonstrar carinho. Ainda tolera abraços porque ainda me conhece, ainda não está agressivo. Mas que preço tem este abraço? Um preço que não vale a pena pagar... Estarei a ser crua ou realista de mais? Vejo as coisas de dentro e não de fora. Tão simples quanto isso.

 

Este tipo de Demência está associada a sintomas Parkinsónicos. Ambas as doenças são de cariz neurológico e associadas a geriatria mas como exibem alterações de comportamento levam a um internamento na psiquiatria. Se tem ou não lógica não sei. O certo é que o serviço de neurologia não está preparado para receber estes doentes e não existe outro serviço adequado para pessoas que necessitam de uma vigilância constante, quer pelo seu sentido de orientação alterado, quer pela sua parte cognitiva já com muitas falhas. E é deste serviço, da psiquiatria de um Hospital em Trás-os-Montes, um grande Hospital considerado de "qualidade", onde o meu pai esteve internado que vou falar o que muitos calam. Calam por vergonha de dizer que estiveram lá internados, por vergonha de ter tido um familiar lá internado, por pruridos de uma sociedade hipócrita e mesquinha.

 

Ao entrar naquele serviço parece que recuamos no tempo. Depois de questionar algumas pessoas, nomeadamente profissionais de saúde que trabalham em outros locais e nesta área, pude constatar que felizmente não é frequente a existência de locais que funcionam como aquele serviço em particular, género psiquiatria de há um século atrás. Ali as mulheres e homens estão no mesmo espaço físico, à noite estão em dormitórios separados mas de dia não. Outra particularidade é que os doentes durante o dia não têm acesso à sua enfermaria, o que dificulta o acesso aos seus pertences, como roupa e produtos de higiene. Ali não se lava os dentes a menos que se ande com a escova e pasta à tiracolo. Não se tem roupa própria, porque nem sei se existe onde a guardar, já que não vi as enfermarias, e me disseram para não levar a roupa dele. Disseram que tinham pijamas no serviço e fatos de treino e tudo o que fosse preciso. Ok...

 

O que se vislumbra são pijamas a cair pelas pernas abaixo dos utentes, e se há os que conseguem ir puxando a roupa atempadamente, há os que, por força da lentidão produzida pela medicação não o conseguem fazer, portanto estão a ver o aspecto que dá pessoas com as calças a cair e com ar de que não estão bem neste mundo?

Além disso, todas as patologias também estão juntas, é tudo ao molhe e fé em Deus. Quem é internado por uma depressão sai dali mais deprimido, isso é certo. Terapeuticamente controlado, mas mais deprimido. Como não se podem deitar, porque as enfermarias estão fechadas se bem se lembram, e a medicação dá pedrada vemos pessoas deitadas pelos cadeirões num desconforto que dá dó. O ar andrajoso que transmitem é gritante. Cheguei a ver um senhor no chão do corredor a bater com a cabeça na parede e ali esteve um bom bocado.

 

A única casa de banho que serve todos os utentes tem o papel higiénico fora da proteção, exigida num estabelecimento público, que estava ausente e pelo que constatei há muito partida. A figura em que estava o papel higiénico, que andava nas mãos de todos, estava indescritível! O aspecto físico degradante do serviço era notório! E era notório que era um serviço esquecido há muito pela administração do Hospital que sabe que doentes psiquiátricos não se queixam e se o fazem ninguém lhes dá crédito. Triste, mas a pura realidade. E triste que a própria sociedade também parece forçar a esse esquecimento. Pois bem, ninguém está livre, isso assusta não é? Não fujam porque o que têm medo ainda vos pega!

 

Num dos dias quem que visitei meu pai ele estava vestido com um roupão que tenho a sensação que nem o meu cão se deitaria ali! Aliás, tenho a sensação quem nem um cão de rua se aproximaria daquilo! Se o roupão lhe tirou o frio e providenciou o conforto necessário? Acho que sim. Mas e a dignidade humana? Mesmo sujeita a perder um roupão vesti-o com outra coisa que não aquilo! Soube depois que outros doentes se encarregavam de ajudar o meu pai a não perder o acessório.

 

E agora o que mais me custou. Estive uns dias sem realizar a visita. Habito longe e tive que trabalhar. Quando fui lá constatei o que a minha prima me dizia pelo telefone. O seu estado era deplorável! Ele necessita de ajuda para realizar as actividades mais básicas como o cuidar da sua higiene. Fá-lo, mas precisa de ajuda. Precisa de ajuda até para lavar a cara e escovar os dentes. Que se lhe diga "agora lave a cara", e ele lava. "Agora escove os dentes". Embora tenhamos que colocar a pasta e dizer quando bochechar e cuspir fora. A cara dele não era lavada há séculos!!! Estava cheia de crostas, unhas sujas, dentes cheios de comida,... a descrição pode estar a ser nojenta, mas foi com esse aspecto mal cuidado que o encontrei!

 

No dia da alta para o vestir mandaram-nos para a tal casa de banho usada por todos os utentes (foi aí que eu vi o estado da coisa) para vestir um senhor de idade, com dificuldades motoras, que não tinha onde se sentar para se vestir e que tinha dificuldade em estar de pé. E nem que não tivesse! Felizmente levava companhia para nos ajudar. Penoso... custava ter-nos levado a uma enfermaria? A um lugar mais aprazível do que aquele?

 

Trabalhar ali não deve ser fácil. Num serviço rejeitado e com rejeitados pela sociedade. É o que vi. Se há bons e maus profissionais, claro! Como em todo o lado. Não me esqueço, no entanto, de uma situação em específico numa das minha deslocações para a visita. Não esqueço da cara da besta, desculpem o termo, mas não tenho outro melhor e que descreva tão bem a energúmena, que ao me abrir a porta do serviço sempre fechado à chave, se apercebe que o meu pai está atrás dela, e ela não sabia que aquele era o significado da minha presença, se vira para ele com ar agressivo e diz "Chegue para lá quero abrir a porta!" depois olha para as suas calças pingadas de sopa, que faz notar a sua falta de destreza, e diz com ar arrogante "Olhe para aí todo sujo e pingado! Que vergonha!". Não vou dizer o que me apeteceu fazer àquela não-pessoa, que fez meu pai olhar com ar confuso para as calças e ansioso para mim. O que fiz foi entrar, passando pela cavalgadura, segurar o meu pai e levá-lo até à entrada da casa de banho de onde tirei um papel e lhe limpei as calças. Podem imaginar o ar com que a peça ficou ao ver que era por "aquele" a razão que eu estava ali.  

 

Ele detestava estar ali e eu detestava que ele ali estivesse. Dizia que o tratavam mal, mas não conseguia explicar as situações.

Espero não voltar a precisar daquele serviço mas sei que poderei vir a precisar... O que fazer? Escrever? Falar? Não sei. As minhas energias não dão para todas as lutas.

 

Neste momento tenho que lidar com o meu pai institucionalizado, e que não sabe que é ali que vai ficar... Que pensa que um dia irá voltar à sua casa que fez com as suas mãos. Como lhe explicar o que ele não entende? Como lhe dizer que ali é onde ele está melhor? Ali tem a vigilância que precisa, os cuidados que necessita e até o carinho que lhe faz bem. Até agora nisso parece que tivemos sorte... Alguma há que tentar chegar até ele.

 

Só tenho pena que ela não tenha escrito o nome do hospital, porque este tipo de coisas só pode acabar se forem denunciadas e não há crise ou cortes nos orçamentos que possam explicar coisas como estas, isto é uma vergonha que não tem explicação nem desculpa

 

Jorge Soares

publicado às 23:40

Como se reduzem salários de miséria?

por Jorge Soares, em 05.06.12

A troika e os salários baixos

Imagem do Henricartoon

 

 

Somos o país com os salários mais baixos da zona Euro, mesmo na Grécia, após não sei quantos planos de austeridade, o salário mínimo continua acima dos 600 Euros. Além disso, em Portugal desde o reinado de Manuela Ferreira Leite no ministério das finanças, que os salários reais tem vindo a diminuir constantemente devido a anos seguidos em que a função pública teve aumentos zero ou quando os teve, estes foram abaixo da inflação.

 

Durante a semana passada foi notícia que ao abrigo de um dos programas de incentivo ao emprego, os centros de emprego estão a oferecer empregos para licenciados em diversas áreas com salários entre os quinhentos e os setecentos Euros.

 

Hoje, foi noticia que em Coimbra O Centro de Medicina de Reabilitação Rovisco Pais está a contratar enfermeiros a recibos verdes pagando 5,63 Euros à hora... valor bruto ao que haverá depois que retirar os descontos para a segurança social e o IRS.... calculando-se que o valor final após os impostos seja de cerca 3,5 Euros hora. Estamos a falar de enfermeiros.

 

Não tenho a certeza, mas acho que a senhora que vem cá a casa ajudar nas limpezas e no tratamento da roupa, recebe mais que 5,63 á hora... limpos, e com direito a férias, a décimo terceiro e décimo quarto mês.

 

Ou seja, vivemos num país em que as empregadas da limpeza ganham mais que os enfermeiros que tem um curso superior, especializações e até mestrados.

 

O mais incrível é que mesmo ante este cenário, há dias no intervalo das noticias sobre o futebol e a selecção, foi possível ouvir um senhor dizer que "a diminuição de salários não é uma política, é uma urgência, uma emergência".  Gostava de perguntar ao António Borges, como é que se consegue reduzir ainda mais os salários?.. será que ele acha que justo mesmo era estes enfermeiros trabalharem à borla?

 

Haveria que perguntar ao António Borges, ao governo e aos senhores da Troika, como se reduzem salários de miséria?

 

Jorge Soares

publicado às 21:45

Protestos na Grécia contra os planos de austeridade

Imagem do Público

 

"Nós não somos a Grécia" é uma das frases mais repetidas nos últimos tempos, é verdade, nós não somos a Grécia, mas hoje todos deveríamos olhar para o que se passa em Atenas e nas restantes cidades deste país e sentirmo-nos um pouco gregos.. 

 

Já nem sei por quantos planos de austeridade passou a Grécia, cada vez que é necessário mais dinheiro para fazer face a pagamentos de tranches da dívida é certo e sabido que há um novo rol de condições para a libertação da ajuda e um novo plano de austeridade. Esta vez para além de muitas outras coisas, exige-se um corte de 25% no salário mínimo nacional, corte que pode chegar aos 35% no caso dos jovens solteiros..

 

O problema não é este plano de austeridade, o problema é que este vem somar a todos os sacrifícios que já foram exigidos aos gregos nos últimos tempos...  planos que na verdade não resolveram nada. Quase dois anos depois da entrada da Troika na Grécia,  dois governos e muitos sacrifícios depois, a verdade é que ninguém vê melhorias na situação económica deste país, pelo contrário, a economia está em queda livre e não se vislumbra em lado nenhum o fundo do poço.

 

Entretanto o que se vê é um povo que cada dia enfrenta mais dificuldades para sobreviver e que a cada dia que passa vai perdendo um pouco mais a esperança e a paciência. 

 

Evidentemente tem que haver um limite para o que se pode exigir a um país e um povo, se as coisas continuam assim haverá um momento em que não haverá mais por onde cortar ou exigir, nessa altura a Troika fará o quê? simplesmente abandonará a Grécia à sua sorte? ou arrepiará caminho e passará a olhar para tudo isto de outra forma?

 

Assustador mesmo é sabermos que a receita que está a ser aplicada por cá é a mesma, e por muito que nós não sejamos a Grécia, também não estou a ver que os resultados  sejam brilhantes... era bom que os nossos governantes olhassem para o que se passa na Grécia com olhos de ver, e pensassem se realmente querem mesmo seguir com esta receita que está a levar os gregos ao abismo... é que como diz o velho ditado.. quando vires as barbas do vizinho a arder...

 

Jorge Soares

publicado às 22:16

Cavaco Silva e  o valor da sua reforma

Imagem de aqui

 

...devo receber 1300 por mês, não sei se ouviu bem 1300 euros por mês”, disse Cavaco, olhando o jornalista. “Tudo somado o que irei receber do fundo de pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações quase de certeza que não dá para pagar as minhas despesas

 

 

Assim de repente, o homem é um gastador... era bom que aprendesse a ser mais poupadinho, não?

 

Num país em que a grande maioria dos pensionistas recebe pouco mais que o salário mínimo, estas declarações só podem ser a gozar com quem tem que sobreviver a vida toda com salários e reformas de miséria.

 

Há que referir que para além dos 1300 Euros, o senhor acumula com a reforma de politico que anda pelos 10000 Euros por mês...

 

Jorge Soares

publicado às 15:49


Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D