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Em Portugal ninguém é racista

Imagem da internet

 

O assunto está em cima da mesa há algum tempo, por um ou outro motivo ainda não foi tema cá no blog, o que não quer dizer que não o tenha seguido de perto.

 

A mim mais que o acto claramente Xenófobo, demagogo  e ainda por cima ilegal do governo Francês, chocou-me o que vou lendo na blogosfera e nos comentários às noticias nos jornais. A Maioria das pessoas começa os posts ou comentário com "Eu não sou racista"... invariavelmente continua enumerando um a um todos os males que vêm ao mundo só porque há um cigano por perto e também quase invariavelmente termina com, o governo português devia fazer o mesmo que o francês.

 

A maneira como vemos a comunidade cigana em Portugal tem uma componente quase cultural , as últimas 4 ou 5 gerações deste país cresceram a ouvir dizer que os ciganos eram o papão. Quando não comíamos a sopa, era o cigano com quem nos ameaçavam, quando queriam que ficássemos em casa, era o cigano que roubava as criancinhas, quando nos portávamos mal.. os ciganos. Tudo isto deixa marcas no nosso subconsciente e contribui para que se olhe de lado para toda uma comunidade... ante tanta animosidade e desconfiança o que faz todo este povo?.. termina por se encerrar cada vez mais em si mesmo, com os seus e as suas tradições.

São por natureza nómadas, quando terminam por assentar tem dificuldades em viver em comunidade, vivem na desconfiança de quem os rodeia .. criam guetos que nós alimentamos, ainda agora foi criada numa das escolas públicas uma turma só para crianças ciganas..dificilmente tem acesso a empregos decentes, são explorados.. terminam por se marginalizar... será culpa só  deles?

Em França os ciganos que estão a expulsar são Romenos, imigrantes recentes, a comunidade cigana do nosso país vive por cá há muitas gerações, são todos portugueses, filhos de portugueses, netos de portugueses, tão portugueses como cada um de nós... não tem nada a ver com a imigração... já agora, quem os quer expulsar, mandava-os para onde?

 

Hoje no Expresso, o Daniel Oliveira conseguiu expressar perfeitamente aquilo que penso sobre a maneira como em Portugal gostamos de generalizar, vou deixar aqui as suas palavras:

 

 

Quero deixar aqui claro que não sou racista. Não me deixo é calar pela hipocrisia do politicamente correcto. E quem pode negar que os ciganos roubam, vivem à conta do Estado, não cumprem as leis e não querem trabalhar? Que batem em médicos e professores, andam armados e traficam droga? Que casam as filhas com 12 anos e só as metem na escola para receber o rendimento mínimo?

 

Não sou racista. Mas como pode o politicamente correcto dizer que os muçulmanos em geral e os árabes em particular não professam uma religião violenta, não são intolerantes e não desrespeitam os direitos das mulheres? Que não simpatizam com o terrorismo? Que não querem destruir a forma de viver do Ocidente? Que não abusam da nossa tolerância?

 

Não sou racista. Mas há alguém que não veja que são quase sempre os africanos que nos assaltam nas ruas, que entram aos magotes nos comboios da linha de Sintra e palmam tudo o que encontram? Que querem andar com bons ténis e para isso não hesitam em ficar com o que não lhes pertence? Que não sabem governar os seus próprios países e é por isso que emigram aos milhões?

 

Não sou racista. Mas não reparam que os chineses nos enchem o mercado de produtos baratos, destroem a nossa economia e o comércio tradicional e nunca se integram na sociedade nem têm qualquer contacto com os portugueses? Que eles sim, é que são racistas?

 

Eu não sou racista. Mas ao ler os parágrafos anteriores, que repetem as certezas populares que por aí se ouvem, misturando generalizações, mentiras e verdades, sempre na ânsia de encontrar o Inferno nos outros, não serei obrigado a concluir que, com excepção dos brancos, o mundo é composto por criminosos e parasitas?

 

Sei que a ironia passa mal. Esperemos que desta vez passe tão bem como as alarvidades que por aí se ouvem. E tão bem como esse mito que diz que Portugal é um país de brandos costumes que sempre conviveu bem com a diversidade. Este país onde toda a gente "até tem um amigo preto" que lhe serve de álibi que prove a sua tolerância para depois poder dizer tudo o que lhe venha à cabeça.

 

Daniel Oliveira

 

Não, em Portugal ninguém é racista... a maioria das pessoas tem é dificuldades em lidar com o que é diferente... inferior, dizem eles.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:31

Hoje li algures uma frase lapidar:

 

"Dificilmente alguém não se lembrará onde estava no dia 11 de Setembro  de 2001"

 

É verdade, eu lembro-me perfeitamente, estava a trabalhar e longe da televisão, fomos seguindo tudo pela internet, mas consigo recordar a maior parte do dia.  Entretanto passaram 9 anos, e de uma certa forma o mundo mudou... é muito dificil perceber se foi  para melhor ou para pior.

 

Esta semana deu para perceber que foi um dia que deixou marcas principalmente na sociedade americana, uma sociedade feita de muitas culturas, um autêntico arco iris humano onde de certeza é possível encontrar comunidades de imigrantes de absolutamente todos os países do mundo.

 

Primeiro foram as noticias sobre o rechaço à construção de uma mesquita em Nova York a poucas centenas de metros do Ground Zero, o lugar onde se deu o atentado,  depois foi o aparecimento num lugar perdido do enorme mapa americano de um fanático que pretendia converter este dia no dia da queima do corão.

 

Não sei quantas mesquitas haverá em Nova Iorque, mas de certeza que serão muitas e haverá de certeza muitos milhares de fieis para elas. Toda esta polémica à volta do lugar de construção da nova Mesquita, tal como a louca ideia de queimar os livros do Corão,  mostra que a sociedade americana ainda não curou as suas feridas e mostra sobretudo que não percebeu algo essencial, os atentados não são obra de uma religião, não são obra de um povo, são obra de um grupo de loucos fanáticos que se juntaram numa organização, a Al qaeda.

 

De resto a queima de símbolos não é nada original, quantas vezes já vimos serem queimadas bandeiras americanas, ou de Israel, há bem pouco tempo e após o aparecimento de cartoons que retratavam alá, a queima de bandeiras da Dinamarca. É evidente que esta ideia de queimar o Corão é resultado do fanatismo cego de alguém que procurava os seus 5 minutos de fama, é sem dúvida um acto idiota e que não fosse a aldeia global em que vivemos, não teria direito nem a um pé de página nas noticias do dia.  Para mim foi estranho ver toda a repercussão que pode ter o acto de um louco. Manifestações de protesto em vários países que chegaram a causar mortos e a intervenção directa do próprio presidente americano Barack Obama. Curiosamente, não me lembro de manifestações nem preocupações  do mesmo tipo quando são queimados ou destruídos símbolos ocidentais.

 

O 11 de Setembro deixou marcas evidentes, principalmente nos Estados Unidos, acredito que daqui a duas ou 3 gerações não será mais que uma data no calendário, tal como hoje é a data em que ocorreu Pearl Harbor ou a data do lançamento da primeira bomba atómica em Hiroshima no Japão. Entretanto, a sociedade Americana lambe as feridas que parece que tardam em cicatrizar, mas há algo que ninguém pode esquecer, os muçulmanos são parte dessa sociedade, uma parte enorme e importante, já era assim antes de 2001 e será-o cada vez mais.... e se há algo que esta sociedade sabe fazer, é aprender a viver com a sua história.

 

 

 

Imagens do Sapo Fotos de PCIS2010

 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:04


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