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vestido.png

 

Imagem de aqui

 

Logo de manhã a Mie reclamava no Facebook  com o facto de a cor do vestido ser noticia no site da SIC noticias, mal sabia ela o que estava para vir, durante todo o dia, olhássemos para onde olhássemos lá estava a pergunta: É branco e dourado ou azul e preto?

 

No fim do dia era noticia na SIC, na RTP, na TVI e em todos os sites dos jornais online não só nacionais como internacionais, há uma guerra na Síria, outra na Ucrânia (alguém reparou que identificaram o tipo que se decapita os reféns do estado islâmico?), estudantes mortos pela polícia na Venezuela,... mas o que é que isso interessa? O que interessa mesmo é a cor do vestido...

 

Tudo começou com um post na rede de blogs Tumblr, uma senhora colocou uma fotografia de um vestido e perguntou quais eram as cores que se viam, de ali a coisa passou ao Twitter e de um momento para o outro parece que todo o mundo estava interessado naquilo. Segundo os responsáveis da rede Twitter, o vestido bateu todos os recordes de visualizações e o Twitter teve o melhor dia da sua história.... o artigo sobre o vestido que foi publicado na rede Buzzfeed, teve em dois dias mais de 20 milhões de visualizações...  incrível, e tudo porque alguém perguntou "de que cor é o vestido?"

 

Vivemos num mundo estranho em que pelos vistos, qualquer coisa, até uma simples pergunta sobre a cor de um vestido, pode virar uma noticia a nível mundial que é divulgada por todas as agências de noticias, televisões e jornais.... já imaginaram a quantidade de coisas realmente importantes que aconteceram nestes dois dias e das que não fazemos a menor ideia?... mas quantas pessoas a esta hora não terão ouvido falar da cor do vestido?

 

Sou só eu que acha que isto é a prova de que para além de haver muita gente com pouco que fazer, há algo de muito errado com a forma como estamos a gerir as nossas prioridades?

 

Por certo, para mim é branco e dourado, mas já vi versões em azul e preto, vermelho e preto e muitas outras cores, mas dado o estado actual da arte da fotografia da era digital, a pergunta não deveria ser "qual é a cor do vestido?", deveria ser "Qual queres que seja a cor do vestido?" Não sei se terá sido propositado, mas não há duvida que para a marca que os vende, isto foi a melhor campanha publicitaria do mundo.

 

Haja paciência

 

Jorge Soares

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publicado às 22:55

Correio da manhã

 

 

A noticia esteve em quase todos os jornais, o Correio da manhã foi condenado por devassa da vida privada, o tribunal deu razão a Cristiano Ronaldo num processo em que este acusa o jornal e uma antiga ama do seu filho de abuso e devassa.

 

"Em causa está a notícia Ama revela segredos do clã Aveiro, publicada a 6 de Agosto de 2011 na revista Vidas deste jornal, em que é ouvida Maria Manuela Rodrigues, que tomou conta do filho de Cristiano Ronaldo durante 10 meses. A ama dá pormenores sobre a forma como o filho do jogador de futebol teria sido concebido, dizendo que, para ser pai, Ronaldo teria recorrido aos óvulos de uma mulher e à barriga de outra."

 

Dada como provada a devassa agravada, o director do jornal foi condenado ao pagamento de 3900 Euros e a jornalista que assina a noticia foi condenada a pagar uma multa de 800 Euros.

 

3900 Euros, a sério? É essa a pena por escarrapachar na primeira página qualquer facto da vida privada de alguém já seja verdade ou um qualquer boato?, Assim não admira que este tipo de coisas aconteça naquele jornal quase todos os dias, com penas de 3900 Euros está-se mesmo a ver que a devassa vai continuar, 3900 Euros não é um castigo, é uma anedota.

 

Mas muito mais anedota que esta é o facto de o Jornal Record, que publicou a  mesma noticia no dia a seguir ,ter sido "ilibado por não se ter provado o envolvimento dos seus jornalistas, um vez que a notícia não era assinada"

 

Fantástico, como a noticia não estava assinada não há responsáveis, ou seja, na prática qualquer jornal pode escrever o que lhe apetecer sobre quem bem entender, já seja a maior verdade ou a maior invenção de todos os tempos, porque basta não assinar para que não haja responsáveis.... Então mas o jornal não tem responsáveis? De certeza que a noticia não se escreve sozinha, nem tem perninhas para ir parar às páginas do jornal por si só? Isto só pode ser uma anedota.

 

Estas penas são mais ou menos um convite à devassa generalizada, é o mesmo que dizer que vale tudo porque o crime compensa.

 

Já agora, ainda sobre o mesmo jornal, deixo aqui o link para um post da jornalista Silvia Caneco sobre o tratamento dado por este jornal a um caso bem mais sério e grave que a vida de Cristiano Ronaldo.

 

Fiquei na dúvida sobre se não seria boa ideia deixar de assinar os meus posts..... nã, eu não sou irresponsável.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:54

A Federação também não lê A Bola

por Jorge Soares, em 13.02.13

Porto Fora da taça da Liga - A Bola

 

 

Federação iliba FC Porto, que continua na Taça da Liga 

 

Está visto que o conselho de disciplina da Federação Portuguesa de Futebol não lê A Bola, caso contrário nem se tinham reunido a deliberar sobre algo que até já estava decidido... pelo menos para alguns jornalistas deste Jornal... e pensar que este já foi um jornal de referência onde se escreviam noticias sobre desporto e futebol, agora pelos vistos tenta dar-se sentenças por antecipado.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:00

Miguel Relvas, obviamente demita-se

por Jorge Soares, em 19.05.12

Miguel relvas e a pressão para calar a imprensa

Imagem do Público 

 

Num telefonema à editora de política do jornal, na quarta-feira, Miguel Relvas ameaçou fazer um blackout noticioso do Governo contra o jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira, de quem tinha recebido nesses dias um conjunto de perguntas relativas a contradições nas declarações que prestara, no dia anterior, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. 

 

Evidentemente o titulo do post é retórico, todos sabemos que neste país não existe a responsabilidade politica,  nem o Miguel Relvas se demite nem, o Passos Coelho vai achar que os factos são o suficientemente graves para o demitir.

 

Mas a verdade é que os factos são mesmo muito graves, que um ministro telefone a um jornal a fazer ameaças de blackout noticioso é grave, que no mesmo telefonema o ministro ameace divulgar detalhes da vida privada da jornalista é muito grave... e já agora, como é que o ministro sabe esses detalhes? mandou as secretas investigar os podres da senhora jornalista?

 

Num país com políticos sérios estas coisas não aconteciam, num país em que existissem responsabilidades politicas o ministro demitia-se, num país com políticos com vergonha, o chefe de governo demitia-o, num país com jornalismo a sério o telefonema teria sido de imediato denunciado, e as noticias tinham saído na mesma.

 

No país que temos, o ministro acha que um pedido de desculpas resolve o caso, o primeiro ministro assobia para o lado, o jornal não publica a noticia e só assume que o caso se passou quando este foi noticia noutros jornais.... este país é surreal e assim de repente o que tudo isto mostra, é que a censura está instalada.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:44

Violência Doméstica

Imagem de aqui

 

Há coisas que me saltam à vista, mas que parece que ao mundo lhe passam ao lado, no outro dia numa reportagem na RTP sobre o Estripador de Lisboa foram falar com a vizinhança, ficamos a saber que o senhor era bom rapaz, quer dizer, de vez em quando a mulher andava na rua toda pisada, detalhes, mas nem isso não fazia dele um mau rapaz.

 

Eu fiquei chocado, toda a vizinhança sabia que ele arriava forte e feio na mulher até ela andar pisada na rua, mas pelos vistos nunca ninguém achou por bem denunciar a situação, o senhor até nem era má pessoa... tirando o pequeno detalhe... eu juro que chamei nomes à jornalista que deixou passar aquilo assim.

 

Custa-me ver como em algumas coisas o século XXI tarda tanto em chegar a Portugal, como ainda se olha para a violência familiar desta forma, em que parece que tudo é normal... Afinal o senhor terá matado 3 mulheres e isso é noticia durante dias, infelizmente a violência familiar mata umas dezenas de mulheres todos os anos e isso não é noticia nunca, talvez porque todo o mundo olha para o lado como olhavam os vizinhos do senhor e como olhou a jornalista que fazia a reportagem  ..... e como olhamos todos tantas vezes... 

 

Em resposta ao post que escrevi no dia internacional contra a violência Familiar, recebi o seguinte por mail:

 

"É incrível como há tão poucos testemunhos, e como tantas mulheres se revêm nesses "poucos".

Passei infernos, pensei muitas vezes que morria ali, mas consegui sair de uma situação assim! O instinto de sobrevivência leva-nos a coisas inimagináveis, que só quem sente a vida em risco é capaz de saber...

É lamentável, muito lamentável que morram mulheres todos os dias e quem sabe destas situações não o denuncie. Basta um telefonema!!!


Geralmente, pensa-se que não vale a pena (como já ouvi), porque a pessoa está lá e não faz nada, "passa a impressão" de que está porque quer, não se vai embora porque não quer...! Nada mais errado. Tudo tem um timing, e o principal nesta situação é aquele que garante a sobrevivência... e uma simples ajuda pode ser esse momento.
 

Eu, esperei de 2 anos para conseguir uma "saída" que garantisse a minha vida. Mas a verdade é que enquanto essa pessoa viver, eu viverei sempre desejando nunca o encontrar numa situação em que esteja sozinha.

 

Era solteira naquela altura, hoje refiz a minha vida, mas a marca vai ficar comigo até à morte. Não procuro a vingança, tomara que não se lembre de mim, mas recordo esta frase, (talvez porque me cruze com ele algumas vezes) "Senta-te na beira de um rio e verás passar boiando o cadáver do teu inimigo" Confúcio. Não me consome, mas torna-me a vida um bocado mais cinzenta..."

 

M.

Obrigado M. a tua primeira frase diz muito, e deixa-nos a pensar, tal como todo o teu testemunho, há coisas incríveis e que nos deveriam envergonhar... já agora, deixo o comentário da Cris ao mesmo Post... para que todos os que por aqui passam pensem um pouco no que significa o seu silêncio e a sua indiferença:

 

De crisn a 27 de Novembro de 2011 às 02:43
Mais importante de tudo , porque é que um post desta importância tem um único comentário ?

 

Cris, gostava de ter uma resposta, não tenho, e isso deixa-me triste.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:33

Os franceses tem a pila pequena!

por Jorge Soares, em 28.10.11

Os franceses tem a pila pequena

Imagem do Sol 

 

O que tem a ver as courgettes com o tamanho das pilas dos franceses?... pois, eu também gostava de saber, a imagem é do SOL e foi utilizada para ilustrar uma notícia que titulava o seguinte: 'França indica 'tamanho normal do pénis'

 

 

Eu já tinha lido coisas estranhas, mas isto de indicar por decreto o tamanho normal do dito cujo, só podia mesmo lembrar aos franceses. O que querem eles dizer com "Tamanho normal do Pénis"?... querem dizer o seguinte:

 

A Academia Francesa de Cirurgia divulgou um documento a indicar aquilo que entende ser o tamanho normal do pénis humano. O objectivo é dissuadir homens que desejam submeter-se a cirurgias correctivas desnecessárias.

Para o organismo fundado em 1731 por Luís XV, um pénis normal mede entre 9 e 9.5 centímetros quando flácido e 12.8 a 14.5 centímetros erecto.

 

hummmm.. 12.8 a 14.5 centímetros?... e eu que achava que eram os orientais que o tinham pequenino {#emotions_dlg.lol}. Está visto que pelo menos a julgar pela amostra padrão, os franceses tem a pila pequena. 

 

Para quem estiver interessado, ou quem sabe marcar o próximo destino de férias, pode ir espreitar o  The Penis Size Worldwide (country).. que diz que no Congo a média é de 17.7 cm...  e que na Coreia do Sul é de 9,6 cm ....  está visto que aquilo de que o tamanho não interessa é mesmo uma invenção oriental {#emotions_dlg.happy}

 

Agora que já nos estávamos a habituar aos estudos parvos, chegou a hora das noticias parvas... e sempre gostava de saber quem foi o caramelo que escolheu as courgettes para ilustrar a noticia... , sim, porque uma senhora de certeza que tinha escolhido outra imagem qualquer.

 

Jorge Soares 

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publicado às 21:42

Terrorismo não é politica, é crime.

por Jorge Soares, em 22.07.11

Atentados na Noruega

 

Imagem do Público

 

E de repente, a crise, a dívida soberana, os jogos de palavras do primeiro ministro, os mercados, tudo passa para segundo plano, porque há algo que está acima de tudo isto... vidas humanas, muitas vidas.

 

A esta hora ainda não se sabe quantas pessoas morreram na Noruega, nem quem são os responsáveis por tanta barbárie, certo é que voltou o terror dos atentados, das mortes de inocentes, numa guerra que nunca terá vencedores, só vencidos.

 

A Noruega é um dos paraísos a Norte,  um forte aliado dos Estados Unidos e um país de uma importância extrema a nivel politico e diplomático, foi em Oslo que por exemplo nasceram as ultimas negociações de paz para o médio Oriente.

 

À primeira vista estes atentados não tem a assinatura típica dos grupos radicais islâmicos, estes costumam ser sobretudo em áreas com muita gente e com muitos inocentes, os atentados de Oslo parecem ter um objectivo mais especifico, o primeiro ministro da Noruega e já há quem fale de grupos locais anti sistema.

 

Independentemente de quem sejam os autores ou os seus objectivos, o terrorismo não é nem pode ser uma arma politica, não passa de um crime horrendo que na maior parte dos casos é perpetrado contra inocentes....e devemos pensar que ninguém está livre, esta vez foi na Noruega, a próxima quem sabe onde será.

 

 

Jorge Soares

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publicado às 23:19

Fim do News of the World

Imagem do Público

 

Sempre me fez confusão que exista este tipo de jornalismo, jornais feitos de boatos, meias palavras, meias verdades, completas mentiras ... faz-me espécie que existam pessoas que façam deste tipo de escrita modo de vida, assim como me faz especie que existam pessoas que mesmo sabendo que na maior parte das vezes o que lá vem escrito não passa de mais um episódio da imaginação de um qualquer escriba de ocasião, as comprem.

 

O News Of the World era um jornal com 168 anos, não sei quantos haverá no mundo mais antigos, de certeza que serão poucos, também não sei desde quando enveredou por este tipo de jornalismo de sarjeta. Hoje foi a sua última edição, em qualquer outro caso seria de lamentar a morte de mais um jornal, e para mais um jornal com esta idade, neste caso, só podemos lamentar que tenha demorado tanto tempo.

 

O sucesso deste tipo de de jornalismo mostra como somos cada vez mais uma sociedade voyeur, uma sociedade que dá cada vez mais importância ao acessório, ao fútil, ao que não deveria interessar a ninguém. Num mundo em que os jornais sérios, os que vivem de vender informação e noticias, tem cada vez mais dificuldades em sobreviver, as revistas cor de rosa e este tipo de jornais florescem como cogumelos a seguir às chuvas do Outono.

 

Curiosamente há muito que eram conhecidos os métodos deste jornal, há muito que se sabia que se faziam noticias com base em métodos ilegais, até agora as vitimas era só famosos, imagino que até agora se partiu do principio que ser vitima destes senhores era parte do preço a pagar por ser ser rico e/ou famoso. O escândalo e o encerramento do jornal só chegaram quando se percebeu que os métodos ilegais afinal servem para todos, ninguém está livre, é pena, se tivessem tomado medidas logo na primeira vez, não se teria chegado tão longe.

 

Mas o News of the Worls não é o único a viver deste tipo de jornalismo, há mais, muitos mais, esperemos que tenham rápidamente o mesmo fim.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:14

Em Setúbal as crianças não foram às cantinas escolares abertas no natal

Imagem do Público

 

Há noticias que nos deixam a pensar, nós como humanos temos tendência a criar imagens e estereótipos, Setúbal tem colada a si uma imagem de desemprego, pobreza e até miséria que por muito tempo que passe não muda. Imagem que é alimentada pela comunicação social e, como vimos ontem num dos debates entre candidatos à presidência da República, até aproveitada politicamente. A mim faz-me alguma confusão, porque não é essa a imagem que tenho da cidade onde vivo nem dos seus habitantes.

 

A medida foi anunciada pela presidente da câmara e teve direito a noticia em jornais e telejornais,  Setúbal irá manter abertas as cantinas das escolas durante a época do natal, a medida foi tomada porque "os professores tinham alertado o município para o facto de haver dezenas de crianças com carências alimentares", muitas destas crianças não teriam condições para tomar outras refeições fora da escola.

 

Na escola do Casal das Figueiras fizeram-se preparativos para serem dadas refeições a 50 crianças... hoje a noticia no público era:

Setúbal: refeitórios de escolas abertos nas férias de Natal ainda não receberam nenhuma criança carenciada

É isso, ao fim do segundo dia, das esperadas 50 crianças nenhuma se dirigiu à escola para almoçar, nem a esta escola nem ao Centro Paroquial da Anunciada, o outro local na cidade onde seriam dadas as refeições. Não me parece que se possa alegar desconhecimento da medida, esta foi noticia em tudo o que é meio de comunicação e imagino que terá sido anunciada ás crianças na escola. Haverá de certeza uma lição a tirar de tudo isto...

 

Eu sou da opinião que esta crise existe sobretudo na comunicação social, se calhar a realidade não é assim tão má... sobretudo se apesar dela, acontecem coisas como esta:

 

Entre 13 de Novembro e 19 de Dezembro registaram-se 17 milhões de pagamentos de compras por multibanco, no valor de 772 milhões de euros. Estes indicadores da SIBS revelam uma subida de 4,8 por cento em valor face a idêntico período de 2009, e um crescimento de sete por cento em número de operações.

 

Como é que explicamos noticias como estas? Pobres mas pouco!, será?

 

Jorge Soares

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publicado às 21:36

 

Crianças em risco

 

Imagem do Público

 

Li a noticia no DN à hora do almoço,  um país não é mais que o reflexo do seu povo, da sua cultura.. ou da falta dela. Haverá quem questione até que ponto o que se passa numa aldeia perdida de Covilhã poderá ser o espelho em que nos vemos reflectidos todos os dias... talvez sim, talvez não, mas depois do que li hoje, depois de  na sexta feira ter ouvido uma assistente social a queixar-se de que um Juiz não decide uma medida de protecção a uma criança e prolonga o limbo em que esta vive,  porque tem medo que os pais vão para a comunicação social..., eu já não sei qual será mesmo o país real.

 

"A GNR da Covilhã retirou esta segunda-feira da aldeia de Verdelhos, Covilhã, três assistentes sociais e uma professora, depois de terem sido ameaçadas pela população .."

 

Tinham lá ido " para encaminhar para a instituição duas filhas de uma residente, com 4 e 7 anos, na sequência de queixas por maus tratos e abandono."

 

Partimos do principio que a decisão de institucionalizar uma criança não é tomada de ânimo leve, imagino que antes de chegar a este ponto, teve que haver uma denuncia à CPCJ,  houve uma investigação, visitas à família e só após se ter concluído que existia perigo real para as crianças, se decidiu pela medida de protecção.  Quero acreditar que uma medida destas não se toma em cima do joelho e que é sempre em beneficio das crianças.

 

Já nem questiono o facto de a mãe tentar impedir que levem as crianças, quem maltrata e abandona os filhos não costuma ter consciência do que faz, mas a atitude do resto da população deixa-me a pensar. Estamos a falar de uma aldeia, onde as pessoas se conhecem e sabem o que se passa, não estamos a falar dos vizinhos a anónimos que mal se  encontram no elevador. Quem tenta impedir a aplicação de uma medida de protecção a uma criança, não só é irresponsável, como é conivente com o que de mal se passa com a criança.

 

Mas quanto a mim, tão grave como os factos é o desfecho de tudo isso, porque após todo o barulho formado e a intervenção da GNR, as crianças que iam ser institucionalizadas, "ficaram ao cuidado «de uma família idónea em Verdelhos» que se ofereceu para cuidar delas"

 

Ficaram?, por decisão de quem? como é que se retiram as crianças aos pais e se entregam aos vizinhos?, quem decide pela idoneidade desta família?, quem garante que os pais que as maltratavam não as vão continuar a maltratar mal as assistentes sociais saiam da aldeia protegidas pela GNR? Mas este tipo de decisões é tomada em arraial popular?, não deveria ser tomada pela CPCJ após a verificação das condições da família idónea?

 

Que conclusão podemos tirar de tudo isto?, é assim que se protegem as crianças em risco em Portugal?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:09


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