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Livro - O Heroi Discreto - Mário Vargas Llosa

por Jorge Soares, em 13.11.18

O-Heroi-Discreto.jpg

Terminei de ler há bocadinho, no fim dei por mim a olhar para  a capa e a pensar:

 

-O Herói discreto??, raio de coisa, li o livro até ao fim e não fazia ideia do nome.

 

Mário Vargas LLosa é um dos meus escritores preferidos, desde "A cidade e os cachorros" que li e me marcou ainda adolescente, passando por o fantástico "A tia Júlia e o escrevedor"  até "Travessuras de uma menina má" de que falei aqui nos primórdios do Blog, se não li todos, li a maioria dos seus livros.

 

Hoje percebi que comprei o livro não pelo nome mas sim pelo autor, aliás, se olharmos para a capa percebemos que o objectivo será mesmo esse, o nome quase que se perde no meio do nome do autor.

 

O autor tem uma forma de escrita característica, as várias histórias vão-se contando entre capítulos numa linha desconexa que algures se há-de encontrar lá para o fim. A sensação com que ficamos é que não estamos a ler uma história, mas sim duas ou três.. ou várias.

 

Neste livro é ainda mais estranho,  há histórias e até diálogos que se misturam no meio dos capítulos, sem que isso nos faça perder o fio à meada ou o interesse pela história

 

Podemos gostar mais ou menos dos livros, mas Vargas Llosa não perde o jeito, eu não tinha gostado nada de um dos últimos que li e que supostamente até o levou ao prémio Nobel, e de que falei neste post, este fez-me reconciliar com o autor. As histórias de cada uma das personagens vão-se compondo pouco a pouco até nos deixarem uma imagem forte da sociedade e das formas de vida do Peru e do seu povo.

 

Um excelente livro, que aconselho vivamente

 

Sinopse:

"Felícito Yanaqué é um homem de cinquenta anos, respeitado pela comunidade e proprietário de uma empresa de transportes que fundou e fez prosperar na cidade de Piura, no noroeste do Peru. Sem instrução, oriundo de uma família pobre e gestor cuidadoso dos seus bens, Felícito conquistou tudo a pulso, de uma forma tranquila, discreta e constante, atributos que se poderiam também aplicar à sua personalidade. Casado, com filhos já adultos, Felícito Yanaqué mantém uma amante de longa data, exuberante beleza da cidade. E também outra relação - não de natureza sexual - com Adelaida, uma vidente cujo conselho Felícito segue quase sempre, quer se trate de negócios ou de matéria puramente pessoal ou, mesmo, íntima.

Tudo corre bem na sua cidade; tudo normal. Só que Felícito Yanaqué começa a receber cartas anónimas de extorsão; e quando a ameaça de represálias passa à concretização, Yanaqué decide resistir a tudo isto sem apoio, estoica e discretamente. Como um herói.

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publicado às 22:55

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Imagem do Observador

 

Eu tinha pensado escrever um post sobre a ética de José Silvano e a mulher de César, aquela declaração aos jornalistas foi mais que anedótica. Isto depois do senhor deputado ter dito que não tinha dado a password a ninguém mas que era fácil de descobrir.

 

Ele queria que para o comum mortal fosse natural que não só alguém lhe tenha apanhado a password, como a estava a usar para picar o ponto na vez dele nos dias em que ele faltava. Normalmente os roubos de password tem uns fins menos amigáveis.

 

Talvez ele não saiba mas apanhar a password de alguém corresponde a roubo de identidade e está penado por lei..... 

 

Hoje descobriu-se que o pirata informático tem nome e apelido, chama-se Emília Cerqueira, também é deputada do PSD e segundo o Observador, "faz parte do círculo mais próximo de José Silvano no Parlamento".

 

Ora, a acreditar em José Silvano, a sua colega de bancada, que por acaso é sua amiga, roubou-lhe a password sem ele saber e por vontade própria cada vez que via que o amigo tinha outras coisas que fazer e portanto não ia trabalhar, ligava-se ao sistema com utilizador e password dele e picava o ponto.

 

Na empresa em que eu trabalho isto dava direito a despedimento imediato, todos assinamos um termo de responsabilidade em como usamos utilizadores e passwords de forma segura e responsável.

 

E eles querem que nós acreditemos na conversa deles .. a seguir algum deles vai dizer que o pai natal existe mesmo e vão querer que acreditemos .... o pior é que se calhar alguns por pura cor política vão fingir que acreditam

 

São estes os políticos portugueses .... depois estranhamos que apareçam Trumps e Bolsonaros.

 

Jorge Soares

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publicado às 19:32

Bohemian Rhapsody, simplesmente Freddie!

por Jorge Soares, em 02.11.18

bohemian rapshody.jpg

Imagem de aqui

 

Era noite de Halloween e fui expulso de casa por um bando de universitários... ter filhos (quase) adultos dá nisto, como estava de chuva não dava mesmo para ir caminhar, meti-me no carro e fui ao centro comercial, jantei qualquer coisa e decidi ir ao cinema. 

 

Não fazia a menor ideia dos filmes que estão em cartaz, era o que deus quisesse .... entre o Quebra nozes e um filme de um super herói qualquer, chamou-me a atenção um cartaz com  uma imagem do Freddie Mercury  "Bohemian rhapsody" ... não pensei duas vezes.

 

O filme é uma obra de arte onde por entre o intervalo das músicas vamos vendo passar o desenrolar de uma vida. Freddie Mercury era um génio, alguém que vivia fora e longe do seu tempo, tudo isso está ali plasmado. A forma como em conjunto com a banda vai construindo um percurso musical que teima em ser diferente, muitas vezes contra tudo e contra todos, mas sempre com o objectivo de criar algo novo, algo diferente e marcante, está ali explicada de forma magistral.

 

Percebi pelo que li depois de ver o filme que há muito barulho e polémica à volta dele, que terá demorado mais de 10 anos em estar pronto, terá passado por mais que um director e terminou nas mãos de um senhor que descobriu-se agora é um escroque da pior classe. 

 

A escolha do protagonista também não terá sido fácil, começou por ser Sacha Baron Cohen, depois terá sido Dexter Fletcher e por fim o escolhido foi Rami Malek, do qual eu nunca tinha ouvido falar, mas que para mim, entrou no papel de tal forma que há alturas durante as músicas em que é difícil perceber se é ou não Freddie Mercury quem ali está.

 

A sequência  do Live Aid é brutal, mesmo, de cortar a respiração, eu tenho idade para isso mas confesso que não vi o concerto na altura, ali na sala de cinema senti-me lá, no meio daquela multidão e a vibrar com a entrega dos Queen num momento único e simplesmente fantástico.

 

Para quem gosta dos Queen, não deixe de ver, para quem gosta de cinema, não deixe de ver, para quem gosta de música, não deixe de ver.... pelo que li é difícil que chegue aos oscars, mas para mim, já ganhou.

 

Jorge Soares

 

PS: Não era dos que me sentia incomodado com as pipocas no cinema, passei a ser, num filme que vive entre a música e os diálogos intensos, ter uma senhora atrás de mim que passou o filme a mexer no copo das pipocas e a mastigar que nem uma vaca,  irritou-me profundamente.... pronto tenho dito.

 

 

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publicado às 22:25

peseiro15.jpg

Imagem  retirada de A Bola

 

Escrevi o texto abaixo no dia 04.06.2015 (ver aqui) quando Bruno de Carvalho decidiu despedir Marco Silva:

 

Os problemas do presidente do Sporting com marco Silva começaram quando este se recusou a dar passos maiores que as pernas, Marco sabia das limitações da equipa que treinava e tentou ser realista, Bruno de Carvalho não quer saber de realismos, o Sporting tem que ser campeão, mesmo que todo o mundo veja que não há nesta altura em Alvalade equipa para isso, o plantel do Sporting estava a milhas dos do Benfica e do porto.

 

Mesmo com um plantel inferior o Marco conseguiu dar luta aos outros dois candidatos, chegar ao terceiro lugar e ganhar a taça, mas para o Bruno isso não interessa nada... tinha que ser campeão, ponto final.

 

 

Todos sabemos como terminou a relação de Bruno de carvalho com o Sporting, agora o presidente chama-se Frederico Varandas mas pelos vistos as coisas não mudaram grande coisa.

 

Há uns meses atrás, após uma avalanche de rescisões de jogadores,  havia dúvidas sobre se o Sporting teria 11 jogadores para formar uma equipa, entretanto  BC foi corrido do clube e qual Messias milagroso, apareceu Sousa Cintra. Com ele voltaram alguns dos jogadores que tinham rescindido e voltou Peseiro, o treinador que em 2005 numa semana podia ter chegado ao Olimpo ganhando tudo e que pelo contrário desceu aos infernos ao perder a final da taça UEFA, o campeonato e a seguir a taça de Portugal.

 

Dado os acontecimentos do final da época passada, em lugar de olharem para a realidade de um plantel curto e com evidentes problemas, os dirigentes do Sporting colocaram a fasquia muito alta, a mensagem que foi passada foi a de que o clube iria lutar pelo campeonato. 

 

De novo se querem dar passos maiores que as pernas, de não terem equipa passou-se a querer lutar em igualdade de condições, e é claro que nestas alturas os adeptos e a comunicação social vão atrás.

 

As coisas nem começaram muito mal, mas evidentemente nem Peseiro faz milagres nem em dois ou três meses, jogadores medianos se tornam estrelas que resolvem jogos.

 

Evidentemente nestas alturas o treinador tem sempre a culpa e termina por pagar os pratos rotos. Não sei que coelho tirará a direcção do Sporting da cartola, mas duvido que venha o treinador que vier, com os jogadores que tem, o Sporting consiga ficar acima do quarto lugar no campeonato.

 

Considero José Peseiro um bom treinador que em Portugal raramente teve a oportunidade de fazer um trabalho do inicio ao fim, quando o conseguiu levou o Sporting à final da Taça UEFA, à final da taça de Portugal e ao segundo lugar no campeonato, é verdade que não ganhou nada, mas quantos outros treinadores conseguiram tudo isto no mesmo ano?.

 

O Sporting parece que anda em círculos para terminar sempre da mesma maneira, com os treinadores a tentar chegar ao natal sem serem despedidos e os adeptos a pensar "pró ano é que é"

 

Jorge Soares

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publicado às 11:39

A verdadeira origem do Halloween

por Jorge Soares, em 30.10.18

Halloween.jpg

Durante a maior parte da minha vida o Halloween era uma espécie de carnaval que aparecia nos filmes americanos e não passava disso, nem em Portugal nem na Venezuela se festejava o dia. Nas culturas latinas o dia 1 de Novembro é o dia de todos os santos e durante muito tempo era uma enorme chatice, porque se há lugar que eu detesto mesmo, esse lugar é um cemitério.

 

Fiz um pouco de investigação e algures na internet encontrei o seguinte:

 
"A origem do Halloween, na Irlanda e nas Ilhas Britânicas, remonta há mais de 2 mil anos. Na noite de 31 de Outubro, os celtas comemoravam uma de suas maiores festas, o Samhain. Ao mesmo tempo, o dia 31 de Outubro era o último dia do ano velho. Os celtas acreditavam que, nesse dia, o mundo dos vivos se encontrava com o mundo dos mortos.

 

Sacerdotes celtas tentavam expulsar os demónios com uma grande fogueira. Para se proteger contra poderes malignos, os celtas usavam máscaras amedrontadoras.

 

No século 8°, o papa Gregório 4° transferiu para o 1° de Novembro o Dia de Todos os Santos, destinado a homenagear os mortos, a fim de cristianizar a festa celta de Samhain. Apesar disso, o "All-Hallows-Eve" – ou "véspera do Dia de Todos os Santos" – continuou sendo celebrado durante séculos na Irlanda católica."

 

Ou seja, como a maioria das festas católicas, também esta tem uma origem pagã, as grandes vagas de emigrantes irlandeses levaram a festa para a América e algures no tempo os americanos encarregaram-se de tornar o dia num enorme negócio que a partir de meados dos 90 começou a invadir a Europa, primeiro através da venda de brinquedos e como tudo o que vem da América, tornou-se um hábito até ao ponto que já não é estranho ver crianças a bater às portas e a pedir doces.

 

Já agora, a utilização de abóboras com velas iluminadas teve origem noutra lenda irlandesa que fala de um bêbado, do diabo e de um nabo iluminado, as grandes vagas de novo os emigrantes irlandeses levaram a tradição para a América e algures decidiram substituir o nabo por uma abóbora.

 

E pronto, agora os nabos somos nós que importamos as festas americanas e todo o comércio associado...mas antes festejar a noite de bruxas que  ir passear para o cemitério.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:28

formiga.jpg

Imagem do Facebook

 

Disclaimer: Por favor não entendam os meus posts como um incentivo ao voto em Bolsonaro ou contra o Bolsonaro, na minha situação actual eu nunca votaria nele ou em alguém que esteja sequer próximo das ideias dele... Entre alguém que eu sei que quase de certeza me vai cortar a liberdade de pensar e de dizer o que quero e alguém que quase de certeza vai governar mal e manter a situação actual, eu optaria sempre pelo segundo, pelo menos neste caso eu sei que passado algum tempo vou poder escolher outro, com o primeiro já não tenho a certeza que isso aconteça.

 

A imagem acima é uma das muitas que anda a circular nas redes sociais e que pretende simbolizar o porquê é errado votar em Bolsonaro.  Mas será que é assim tão simples? Será que as pessoas só votam nele porque não gostam do PT? Sinceramente não acredito, o texto abaixo foi escrito por mim no post do dia 05.03.2013 (Aqui), dia em que morreu Hugo Chavez.

 

Eu vivi 10 anos em Caracas na era pré Hugo Chavez, eu vivi na Venezuela quando por cada litro de leite que se comprava, o estado pagava três à empresa produtora, por cada bilhete de autocarro o estado pagava três à empresa de transportes, era uma economia subsidiada em que não havia inflação e era tudo baratíssimo.

 

Por outro lado, era um estado em que a corrupção era lei, não se pagavam multas, não se pagavam impostos e não se fazia absolutamente nada, desde tirar o bilhete de identidade a fazer qualquer negócio, sem untar as mãos a alguém.

 

Esta situação manteve-se assim durante muitos anos até que um dia o baixo preço de petróleo, a corrupção generalizada e a situação mundial fizeram com que as reservas do estado não fossem suficientes para continuar a manter uma economia artificial e então foi o caos. Sem os subsídios do estado o povo teve que passar a pagar os verdadeiros preços pelas coisas e a inflação galopante levou o pouco que restava da economia.

 

Isto durou 15 anos até que o povo se fartou, decidiu deixar de apostar nos mesmos de sempre e optou por mudar, foi aí que apareceu alguém que soube falar ao povo, aos pobres que são a maioria da população. Nessa altura eu já não vivia lá, mas se vivesse, de certeza que votaria nele, porque simplesmente o país não podia continuar a ser governado pelos mesmos de sempre, os que o tinham levado  até aquela situação.

 

Hugo Chavez era um demagogo, um homem sem qualquer sentido de estado, e não foi capaz de tirar o país do enorme buraco donde ele se encontra, mas a verdade é que ele foi eleito em 5 ou 6 eleições, ganhou dois referendos e sempre com percentagens acima de 70% dos votos.

 

Façam o exercício de trocar Hugo Chavez por Bolsonaro, e a Venezuela pelo Brasil .... e talvez não seja preciso muito esforço para se perceber o resultado das sondagens e o que se vai passar no próximo Domingo.

 

A diferença é que Bolsonaro é um ex-militar que está na extrema direita e Hugo Chavez era um militar que  (supostamente) estava na extrema esquerda, de resto o discurso não é assim tão diferente e quase de certeza que se esperarmos o tempo suficiente, o resultado também não será muito diferente. Não há milagres, políticos ignorantes só podem levar a resultados desastrosos.

 

No outro dia alguém (não me lembro mesmo quem) dizia o seguinte algures no Facebook:

Quando a situação económica é má, as pessoas apoiam cegamente qualquer diabo que apareça mascarado de Messias e a própria liberdade torna-se irrelevante. Sempre assim foi e sempre assim será.

 

Só espero, pelo bem do povo do Brasil, que a seguir a Bolsonaro não apareça um Nicolás Maduro qualquer, que é um senhor que não está nem à direita nem à esquerda, só lá está  mesmo pelo poder e pelos benefícios do mesmo.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:35

Fake News

por Jorge Soares, em 24.10.18

Imagem retirada de aqui

A imagem acima anda a circular há umas semanas nas redes sociais, lembro-me que me apareceu no Facebook um ou dois dias depois da primeira volta das eleições no Brasil. Na altura estava inserida numa noticia que dizia que apoiantes de Bolsonaro tinham agredido uma jovem lésbica e a tinham marcado desta forma. Estive quase a voltar ao blog nesse dia para falar do assunto, não foi na altura, é hoje. 

 

Hoje a noticia do Globo diz que a jovem se auto-mutilou e inventou toda a história.  Tenho o Globo como um jornal sério, mas para ser sincero, já não sei no que acreditar. Há outras noticias (Ver aqui) sobre o nazismo e o aparecimento de suásticas no Brasil, mas será que serão reais ou só mais um produto da gigantesca fábrica de noticias falsas em que degenerou o país nos últimos tempos? 

 

E será que tudo aquilo que lemos e ouvimos sobre o Bolsonaro é verdade? E o que se diz sobre Lula e o PT? Podemos acreditar em quê? 

 

Vivemos numa época em que a maioria das pessoas usa as redes sociais para se manter informado, já vi passar pelo Facebook desde a maior das barbaridades, até noticias com 4 ou 5 anos que são apresentadas e comentadas  por quem as partilha, como sendo a maior das actualidades.

 

Naquela semana de Agosto em que Portugal chegou aos 45 Graus, alguém foi buscar uma noticia de Abril em que se dizia que na semana a seguir ia nevar, era uma noticia que tinha sido real em Abril, ninguém via a data mas todo o mundo comentava como se aquilo fosse mesmo acontecer em Agosto.

 

As pessoas acreditam simplesmente no que lhes aparece à frente, na maior parte dos casos só lêem o cabeçalho e nunca entram na noticia, mas todo o mundo comenta como se fosse um especialista e claro, não podem deixar de partilhar.

 

Há muito que deixei de acreditar em sondagens, desde a vez em que participei numa e que percebi como é que se leva as pessoas a escolher o candidato que interessa a quem a pediu. Mas quando nos perguntamos como é que o Bolsonaro pode ter quase 60% das intenções de votos, talvez uma parte da resposta esteja neste tipo de comportamentos. ... Uma parte, do resto falo noutro dia.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:05

espirito santo.jpg

Imagem de aqui

 

Ontem à noite o noticiário abriu com imagens da Cidade de Espírito Santo no Brasil, com a policia em greve a violência e o crime desataram-se. No ecram sucedem-se as imagens de violência, lojas pilhadas, tiroteios e corpos espalhados. Não soubéssemos que tudo isto se passa no Brasil e bem que podiam ser imagens das guerras civis da  Síria ou do Iraque, tal o grau de violência que nos entra pelos olhos dentro.

 

As últimas imagens são as dos camiões militares a despejar soldados armados até aos dentes enviados pelo governo brasileiro para tentarem tomar conta da situação. 

 

Por momentos voltei à Caracas de 27 de  Fevereiro de 1989, quando os protestos pelo aumento dos transportes degeneraram numa espiral de violência que deixaram centenas de mortos e milhares de lojas saqueadas. Recordo que a situação só começou a acalmar quando o governo despejou milhares de soldados como os da fotografia por toda a cidade.

 

Ontem não foi fácil explicar aos meus filhos o que se estava a passar nas imagens da televisão, após perceberem a questão foi imediata: 

 

- Cá pode acontecer?

 

Não, cá não pode acontecer, primeiro porque por cá a policia não pode fazer greve e segundo, porque, mesmo que a polícia fizesse greve, o nível de violência e civismo da sociedade portuguesa não tem nada a ver com os do Brasil ou da Venezuela.

 

Há quem ache que em Portugal há criminalidade e insegurança, é nestas alturas, quando temos um nível de comparação com o que se passa noutros países e noutras sociedades, que percebemos que afinal... vivemos no céu... só que não sabemos.

 

Jorge Soares

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publicado às 13:15

Serei pobre ou irresponsável?

por Jorge Soares, em 06.10.16

classemedia.jpg

 

Retirado do Facebook

 

A crónica do Ricardo Campelo Magalhães no Jornal económico existe mesmo, aqui.

 

Estive a fazer as contas, e das duas uma, ou sou pobre ou sou irresponsável. É que mesmo tendo em conta que cá em casa há dois salários razoáveis, que pagamos uma prestação de casa muito baixa, que ambos os carros estão pagos, não são novos nem de marcas caras, mas estão pagos, não estou a ver como é que conseguia poupar o suficiente para chegar à idade da reforma com 500000 Euros acumulados.

 

E não, não vou jantar fora mais que duas ou três vezes por mês, e mesmo assim quando vou é a sítios onde raramente pago mais de 50 ou 60 Euros... para comermos os 5!

 

Também não tenho os últimos telemóveis e gadgets, o meu telemóvel é um iphone é verdade, comprei-o agora, novo, mas é um 5S, e custou menos de metade do que custa um da última geração, o anterior era um 4 e tinha mais de três anos, foi agora herdado pela minha filha mais velha.

 

Se calhar a irresponsabilidade é mesmo ter três filhos, ter que pagar roupa, médicos, colégios, atl's, actividades, livros, explicações, instituto de inglês.... se calhar se  não os tivesse e poupasse tudo isso... mas olhem que mesmo assim não sei se dava.

 

Até agora eu achava que me enquadrava na classe média, salários razoáveis, casa própria e quase paga, dois carros, educação para  mim e para os meus filhos... vida razoável.. afinal, e tendo em conta que a menos que me saia o Euro milhões nunca na vida vou conseguir poupar 500000 Euros, afinal sou pobre e ainda por cima irresponsável.

 

Não sei o que se poderá chamar a quem sobrevive e mantém uma  família com um salário mínimo ou ainda menos...

 

Sabem uma coisa? Acho que senhor ali da fotografia não faz a menor ideia do que diz. Para a grande maioria dos portugueses, classe média incluída, 500000 Euros é uma enorme fortuna!

 

Jorge Soares

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publicado às 23:06

Votar para abdicar da privacidade?

por Jorge Soares, em 27.09.16

privacidade.jpg

 

Imagem da internet 

 

A noticia é da RTP e diz :  "Suíços abdicam da privacidade em prol dos serviços secretos" no domingo passado, em mais um dos muitos referendos que se fazem no país helvético, mais de 65 % dos Suíços votaram a favor de uma  lei que vai permitir aos serviços  secretos espiolhar as vidas privadas dos cidadãos.

 

Isto acontece na mesma semana em que em Portugal se armou um enorme burburinho porque o governo enviou para aprovação do presidente da república, uma lei que permitirá aos bancos avisarem o fisco de qualquer um que tenha contas bancárias com mais de 50000 euros...  aposto que há muita gente por aí a rezar para que Marcelo vete a lei... é que há coisas que são dificeis de explicar ao fisco.

 

Curiosamente também aconteceu na mesma semana em que a minha filha mais velha ouviu falar de um senhor chamado Edward Snowden, que como se recordarão ficou conhecido porque mostrou ao mundo que  os serviços secretos americanos espiolhavam a vida privada não só dos americanos, como de muita gente mais ou menos importante pelo mundo fora.

 

Ela considera o senhor digno da maior admiração porque foi capaz de gritar ao mundo o que já todos mais ou menos sabíamos mas ninguém se atrevia a dizer e/ou a provar. 

 

Tal como ela aplaudo a atitude de Snowden, mas confesso que ante os últimos ataques terroristas e tendo a certeza que se tal como dizem os países Europeus, é verdade que se tem evitado muitos ataques terroristas nos últimos tempos, isto se deve a que algures há máquinas e sistemas a trabalhar e pelos vistos a funcionar bem. 

 

Tentei explicar à minha filha que entre o preto e o branco, há muitos  tons de cinzento pelo meio e que se calhar há alturas em que os fins justificam os meios....  acho que não tive muita sorte, talvez porque nem a mim me consigo convencer.

 

O problema de tudo isto é que dificilmente se conseguem impor limites ou controlar até onde chega quem tem as máquinas e o poder de as utilizar.. e depois acontece como nos Estados Unidos, começa-se por escutar os terroristas e termina-se a ouvir os telefonemas dos lideres de outros países sem importar muito se são amigos ou inimigos.

 

Na Suíça há algo que querem chamar democracia directa e tudo é referendável, desde os minaretes das mesquitas até à privacidade do cidadão, passando por se podem ou não expulsar  emigrantes... Em muitos casos o populismo leva a melhor e no fim dá asneira... como acho que aconteceu neste caso.

 

Em Portugal felizmente confiamos nas instituições para fazer as leis, o que será que acontecia se se fizesse um referendo para decidir se quem tem mais de 50000 Euros no Banco  tem ou não que explicar ao fisco de onde saiu o dinheiro? Ou se quem, tem património imobiliário com valor superior  a x mil euros tem que pagar um imposto especial?

 

Não é nada fácil decidir o que significa democracia directa ou o que é ou não privacidade.... mas eu teria uma enorme dificuldade em ser Suíço.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:17


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