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Já não há pachorra.

por Jorge Soares, em 08.09.15

refugiados.jpg

 

Imagem de aqui

 

Porque já não há mesmo pachorra e já me começam a faltar as palavras, sobretudo quando alguém partilha uma petição online claramente xenófoba e até fascista, contra a entrada de refugiados em Portugal. Deixo o testemunho de alguém que consegue expressar o que eu sinto mas muito melhor escrito do que eu alguma vez conseguiria

 

Já não há pachorra.

 

1 - Pachorra para explicar que existem cerca de 4 milhões de refugiados sírios nos países limítrofes, Turquia, Iraque e Líbano,

 

2 - Pachorra para contra pôr que existe uma diferença entre ser vítima de pobreza endémica por razões sociais, o que infelizmente acontece em todos os países do mundo mesmo os mais desenvolvidos, e fugir com os nossos filhos para lhes dar uma hipótese de viver.

 

3 - Pachorra para explicar que os tão temidos guerrilheiros do estado islâmico não vieram da Síria para a Europa, mas que grande parte deles na realidade foram da Europa para a Síria.

 

4 - Pachorra para contra pôr que existe um estatuto totalmente diferente, mesmo legalmente, entre um refugiado e um imigrante, a permanência de um e de outro, obedecem a regras diferentes.

 

5 - Pachorra para explicar que defender a obrigatoriedade de civilização de apoiar inocentes, mulheres e crianças que fogem da guerra e da morte não significa que se defenda que portugueses ou quem quer que seja durma na rua ou passem fome numa altura do nosso desenvolvimento em que mais riqueza se produz.

 

6 - Pachorra para explicar que antes pelo contrário defender o apoio aos refugiados de guerra é também combater a pobreza e a exclusão, dado que pior que ter fome e dormir na rua, é ter fome, dormir na rua e temer pela vida a cada hora e a cada minuto que passa.

 

7 - Por fim pachorra para explicar o medo, pachorra para explicar que temos todos medo, temos medo do muçulmano, do moreno, do negro, do que não conhecemos, sem perceber uma coisa, os Sírios também fogem desse medo, fogem do "Estado Islâmico" e do medo que ele impõe, e o que procuram na Europa, nesta Europa, é o esclarecimento, a ordem, no fundo a CIVILIZAÇÃO que este continente ainda representa para eles e para muitos povos no mundo, deveríamos orgulhar-nos disso, do facto deles nos procurarem por causa disso.

 

Eu tenho medo de muitas coisas, mas não tenho medo que os meus netos se convertam ao islão, não tenho medo que as minhas netas usem burka, porque existe algo que eu sei...o esclarecimento, a civilização ganha sempre ao medo e à ignorância.

 

Pode demorar tempo, mas é essa a lição da história, no fim a ignorância perde sempre. E nós europeus deveríamos saber isso melhor do ninguém. Foi aqui neste continente que o "tempo das luzes" começou a derrotar o obscurantismo, foi aqui que começámos a colocar em causa os dogmas da religião e escolhemos a ciência para grande parte das nossas certezas.

 

Sou ateu, mas não islamofóbico, os meus netos serão o que bem entenderem e por isso não temo a reconquista islâmica do país a partir de um descampado de Silves, temo sim a estupidez do racialismo de um povo que há cerca de dois séculos atrás um viajante inglês descreveu como sendo tão marroquino que era quase negróide. Ficariam chocados de saber que temos geneticamente mais a ver com os sírios do que com os suecos?

 

Haverá maior confissão de fraqueza do que o facto de recusarmos ajuda devido ao medo de sermos conquistados culturalmente por um homem com fome e uma criança nos braços? Somos assim tão fracos como país com centenas de anos de história?

 

Por isso, publiquem os vídeos que quiserem retirados de contexto com refugiados na Hungria a rejeitar água sabe-se lá porquê, publiquem fotos de quão sujos e ingratos eles são, publiquem cartoons sobre o secreto plano árabe para nos conquistar.

 

Para mim suporto tudo isso para não ver mais nenhum miúdo de três anos afogado numa praia, chama-se a isso ser...europeu e civilizado.

 

PS - Sou descendente de judeus...e orgulho-me disso.

 

Paulo Mendes no Facebook

publicado às 21:09


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