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Imagem de Precário Inflexíveis 

 

Ana Nicolau  será presente a julgamento no próximo dia 2 de Março, 3º aniversário da manifestação Que Se Lixe a Troika – O Povo é Quem Mais Ordena, por ter protestado nas galerias da Assembleia da República e por ter exigido a demissão de Passos Coelho.

 

Os Precários Inflexíveis exigiram, em Março de 2015, a demissão de Pedro Passos Coelho, durante várias semanas, quando foi tornado público que o então Primeiro Ministro não havia cumprido com o pagamento das suas contribuições à Segurança Social, enquanto trabalhador a recibos verdes durante 5 anos, tendo depois visto essa dívida ser ilegalmente reestruturada, parcialmente paga e posteriormente desculpada pelo então ministro Pedro Mota Soares.

 

Na altura foram vários os posts que escrevi sobre o assunto, de certeza que mais que uma vez terei dito que Passos Coelho se devia demitir. Para mim não é aceitável ter como primeiro ministro alguém que não cumpre com os seus deveres de cidadão, como é que alguém que não cumpre com os seus deveres legais pode exigir ao resto do país que o faça? Como é que o senhor pode ter estado à frente do governo que em toda a história da democracia mais exigiu dos portugueses se ele próprio contribuiu para o estado a que chegou o país ao não cumprir com as suas obrigações fiscais?

 

No dia 2 de Março será Ana Nicolau quem, estará no banco dos réus, mas podia ser qualquer um de nós, eu pessoalmente não conheço ninguém que na altura não achasse que toda aquela história era uma  vergonha para o governo e o país.

 

Mo dia 2 de Março quem está a julgamento não é a Ana Nicolau, somos todos os portugueses que temos opinião e a conseguimos expressar.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:53

Pais 1 - Cavaco 1 ... e o jogo continua!

por Jorge Soares, em 10.11.15

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Imagem do Facebook 

 

Alguém dizia ao fim da tarde na Antena 1 que Cavaco Silva é o grande derrotado de tudo isto, chega ao fim do seu mandato não só sem que se tenha alcançado o acordo alargado (ao PS, CDS e PSD) a que ele tanto tinha apelado, como lhe vai chegar às mãos um acordo de esquerda e assinado por  partidos que para ele não fazem parte do sistema... vai ser um sapo difícil de engolir... 

 

Não li o acordo, não faço ideia se é um acordo para um orçamento de um governo PS ou para uma legislatura, mas tal como dizia António Costa, este é um acordo assinado por pessoas sérias que representam partidos sérios e acredito sinceramente que todos  querem o melhor para o país e para todos nós.

 

Esperemos que o presidente da república seja também o suficientemente sério para perceber que os votos dos deputados no parlamento representam a vontade dos portugueses que os elegeram e não se ponha a inventar jogadas que  tentem deixar Portas e Passos Coelho num governo de gestão.

 

Hoje continuamos a ouvir falar em falta de ética e em golpes de estado, parece que para os senhores da direita é difícil entender que  a constituição e as regras democráticas não se aplicam só quando é a seu favor... na realidade isso nem é de estranhar, afinal não foi em  vão que o último governo bateu todos os recordes de chumbos do tribunal constitucional...

 

Curiosamente e ao contrário de todos os profetas da desgraça que por ai andam, apesar do debate e do chumbo do governo psd/cds  mais do que  previsto, a bolsa de Lisboa fechou em alta e os juros da dívida em baixa... vá lá a gente perceber esta gente dos mercados....

 

Jorge Soares

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publicado às 22:12

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Imagem do Facebook 

 

Hoje Cavaco foi igual a si próprio, primeiro ele, depois o partido dele, depois os políticos ao lado dele e no fim, se ainda for preciso, o país.

 

Acho que para além de uma ténue esperança de que a lucidez pudesse aparecer por milagre, ninguém tinha duvidas que Passos Coelho e o PSD seriam indigitados para o governo, é este o presidente da República que elegemos, logo, é este o que temos.

 

De resto tudo foi como era esperado, até o discurso no que não poderia faltar o apelo à tradição, ninguém explicou ao senhor que até em política a tradição já não é o que era e que ao contrário do que ele tentou mostrar, não é a tradição que faz com que os governos se aguentem sem uma maioria de deputados.

 

De resto o discurso dele não esteve longe do que ouvi estes dias a alguns conhecidos quando finalmente quem votou no PSD deixou a vergonha e se começou a assumir.

 

Parece que agora a esperança radica em que alguns deputados eleitos pelo PS irão ir em contra da disciplina de voto e votando em consciência, resta saber na consciência de quem, irão votar em contra do PS e a favor do programa de governo.

 

Ao contrário do que Cavaco tentou explicar no seu discurso, a decisão dele não é a favor da estabilidade, é precisamente o contrário, com esta decisão o mais certo é o país passar os próximos meses sem orçamento e com um governo de gestão, gostava de perceber onde está a estabilidade no meio de tudo isto e o que irão achar os mercados e a união europeia.

 

Num país normal após o chumbo do programa de governo Passos Coelho apresentava a demissão e Cavaco chamava Costa a formar governo.... mas depois do que ouvimos hoje, o mais certo é Passos Coelho demitir-se e a seguir Cavaco chamar Paulo Portas ou quem sabe quem,  a formar governo, nunca António Costa, não vá ele trazer consigo aqueles senhores que comem criancinhas ao pequeno almoço.

 

Só gostava de perceber para que raio é que o Presidente da República ouviu os partidos e o que estes lhe disseram, afinal ele é que dita as regras...

 

Jorge Soares

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publicado às 21:48

Eu Troiko, tu Troikas, ele Troika...

por Jorge Soares, em 16.09.15

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Imagem do Público

 

Sabemos que os portugueses tem memória curta, tão curta que após os não sei quantos anos de crise, mais os 4 de Troika que pelas minhas contas levaram pelo menos um quarto do nível de vida do país, as sondagens dizem que afinal falam falam, mas no fim, votam nos mesmos.

 

Quer-me parecer que sabendo dessa memória curta os senhores da coligação e dos do PS tentam assobiar para o lado e fazer-nos crer que afinal a Troika veio cá parar por iniciativa própria e não porque foi chamada.

 

Meus senhores, a minha memória não é assim tão curta e se bem me lembro, a Troika veio cá parar porque quem (des)governou o país nas últimas décadas gastou como se não houvesse amanhã, não soube, ou não quis, aproveitar as épocas das vacas gordas (acá fundos comunitários) e no fim levou o país a um estado tal em que não havia volta a dar,  a escolha era entre os cortes do PEC 4 do Sócrates ou a austeridade da Troika+coligação.

 

No fim nem importa muito quem os chamou ou quem os recebeu, nesta história não há inocentes, são todos culpados, o governo ( o actual e os anteriores) a oposição e evidentemente quem os elegeu... ou seja, todos nós.

 

Tomem lá nota, a mim não me serve de nada saber nesta altura quem os chamou ou quem escreveu cartas a apoiar essa chamada, a mim o que me interessa mesmo, e pelos vistos não há forma de saber, o que é que os senhores pensam fazer para evitar que ele tenha que cá voltar.

 

O que eu gostava mesmo de saber era o que pensam fazer para remediar os desastres que o Crato está a deixar na educação, a desgraça em que anda a justiça, como pensam resolver o caos na saúde que cada vez que muda e os portugueses se constipam, deixa os hospitais com esperas de horas e horas a fio. O que pensam fazer para atrair investimento que crie empregos reais e não dos que só servem para enganar os números,

 

O que os portugueses queremos é uma campanha a sério que nos esclareça, não jogos destes do empurra que só servem para distrair.... perceberam?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:04

Para que servem mesmo os debates?

por Jorge Soares, em 10.09.15

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Imagem de aqui

Debate:

Discussão em que os discutidores procuram trazer os assistentes à sua opinião.

in Dicionário Priberam

 

Confesso, não vi o debate, não foi desinteresse, foram mesmo valores mais altos que se levantaram...Não vi, mas 24 horas depois parece-me que não perdi grande coisa, primeiro porque já ouvi mil e uma opiniões e é como se tivesse visto, segundo, porque me parece que na verdade, para além da fixação pelo Sócrates, pelos vistos pouco ou nada se esclareceu na hora e meia em que os senhores estiveram a falar.

 

Segundo as noticias entre os três canais, quase 4 milhões de portugueses seguiram o debate, era de esperar que com tal audiência os senhores candidatos a primeiro ministro aproveitassem para tentar esclarecer o país sobre as suas ideias e programas de governo... trazer os assistentes para a sua opinião...  A julgar por tudo o que li e ouvi e pelos comentários das pessoas com quem falei, segundo parece passou-se  completamente ao lado deste objectivo.

 

Ontem a seguir ao debate vinha a conduzir de volta a casa e para ser sincero fiquei na dúvida se os comentários na rádio eram sobre um debate político ou sobre um jogo de futebol, pelos vistos o que mais interessava não era mesmo o que se tinha debatido e sim, quem tinha vencido... Pelos vistos foi um empate, segundo alguns senhores Passos Coelho marcou golos na primeira parte e Costa na segunda.. .e ouvi dizer que na semana que vem vai jogar-se o prolongamento.

 

Os debates deviam servir para esclarecer os portugueses, para ajudar os muitos indecisos a escolher em quem votar, não se trata de um jogo de futebol e não deveria interessar nada quem ganhou ou quem perdeu e sim quem tem as melhores ideias para governar.

 

A mim não me interessa nada quantas vezes se falou do Sócrates ou se o Passos Coelho anda a aprender palavras novas. O que me interessa é saber quais são as ideias para a saúde, a educação, a justiça, como se vai combater o desemprego... O resto só serve para distrair e para ser sincero, farto de distracção ando eu há muito tempo.

 

Senhores políticos, mais trabalho e menos circo, pode ser?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:22

Queremos mesmo políticos sérios?

por Jorge Soares, em 08.03.15

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Imagem de aqui

 

Os dois posts da semana passada sobre Passos Coelho (este e este),  os seus esquecimentos  e atrasos no cumprimento das suas obrigações com a segurança social e o fisco, tiveram honra de destaque no Sapo (obrigado pessoal do SAPO) e como tal para além das milhares de visitas, tiveram bastantes comentários.

 

Entre estes muitos comentários há evidentemente alguns que tentam defender Passos Coelho, talvez porque a posição do primeiro ministro é quase indefensável, ninguém o faz dizendo que o senhor é sério e que cumpre as suas obrigações. A forma que encontram para o defender é atacando António Costa, tentando usar  a questão do pagamento da Siza que alguém se apressou a desenterrar e dizendo que eu devia falar disso também.

 

Pelos vistos há muita gente para quem facto de haver mais como ele desculpa Passos Coelho do não cumprimento das suas obrigações de cidadão responsável, deixo uma pergunta para essas pessoas, o facto de haver um Isaltino e um Valentim Loureiro no PSD desculpam Sócrates?

 

Eu não sei o que quer o resto do país, mas o que eu quero é viver num país sério, um país de pessoas e políticos sérios.

 

Só políticos sérios conseguem fazer governos sérios... ora, tudo o que temos vindo a descobrir nos últimos dias o que mostram é que temos um primeiro ministro que não cumpre com as suas obrigações ou o faz tarde e a más horas.


Há quem coloque Sócrates, Isaltino e Valentim Loureiro noutro patamar, para mim as pessoas ou são ou não são sérias e quem não cumpre com as suas obrigações com o país não é sério.... por muito primeiro ministro que seja.


Nó último post eu dizia que nunca seremos nórdicos, a nossa matriz legal e cultural não é a mesma dos nórdicos porque nós não exigimos que seja. Em Portugal as pessoas acham um um primeiro ministro que não paga os seus impostos é digno de confiança e até o defendem.

 

As minhas exigências são diferentes, para mim os políticos tem que ser sérios e os que não o são não são dignos de me governar... mas eu sou alto e loiro, pelos vistos nasci com expectativas erradas e no país errado, eu quero mais e melhor, quero ser governado por pessoas sérias e com consciência.

 

Ser sério ou não não tem nada a ver com a cor política, apesar do caso Sócrates, do BPN, dos submarinos, do Freeport, da Tecnoforma,  do BES e agora deste caso da Segurança Social, nós olhámos para as sondagens e o que vemos é que as intenções de voto continuam a ir maioritariamente para a maioria que governa  e para o PS, o que me leva a questionar se as pessoas votam mesmo em consciência ou naquela altura fazem como a Mafalda na imagem acima? 

 

- Queremos mesmo políticos sérios?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:21

Porque é que nunca seremos nórdicos?

por Jorge Soares, em 04.03.15

Stego.jpg

 

Imagem de aqui

 

A senhora simpática e sorridente ali na fotografia chama-se  Cecilia Stego Chilo, em 2006 era ministra da cultura do governo Sueco e alguém descobriu que  durante uns anos se tinha esquivado da sua obrigação de pagar a taxa de licença de televisão, qualquer coisa como 2.861 Euros.

 

Admitindo o erro, ela demitiu-se de imediato do governo e invocou como motivo  que a falha em cumprir estas obrigações "não era aceitável"

 

Eu já por cá falei do do facto de nós europeus do sul por mais que admiremos e invejemos a cultura nórdica, nunca lá chegaremos, foi a propósito da primeiro ministro lésbica da Finlândia, de condições de trabalho.. ou da falta delas, e até do pagamento ou não dos devidos impostos, normalmente demoro-me a tentar explicar que não dá, porque nós não somos nórdicos, até podíamos ser altos e louros (eu sou), mas nunca teremos nem a cultura nem a consciência de estado e do dever que tem os nórdicos.

 

Depois da pobre explicação da falta de conhecimento, o primeiro ministro entrou na fase da vitimização, a culpa não é dele, é dos jornalistas curiosos e dos funcionários sem escrúpulos que insistem em descobrir estas coisas. Certo é que pouco a pouco vamos sabendo novos detalhes sobre o passado de desconhecimentos e esquecimentos em série que pautam as obrigações fiscais do  agora primeiro ministro.

 

É claro que se fossemos nórdicos nada disto aconteceria, primeiro porque é muito mais difícil encontrar quem não cumpra os seus deveres, segundo porque não haveria funcionários sem escrúpulos que filtrassem dados fiscais de políticos... e é claro que quando não há coisas para filtrar dificilmente haverá jornalistas à procura... e terceiro, porque quando há uma excepção como a da senhora Cecilia Stego Chilo, a decência obriga a que as pessoas se demitam.

 

Como não somos nórdicos, não há decência que nos valha, cada um faz o que lhe apetece e pelos vistos nem para se ser primeiro ministro é necessário cumprir com as obrigações fiscais.

 

Jorge Soares

 

PS: Curiosamente na mesma noticia em que se fala da ministra sueca, aqui, também se fala de um ministro português que se demitiu após alguém ter levantado suspeitas sobre a sua situação fiscal.... não, não é do PSD

 

PS2: Não falo sobre o caso da sisa de António Costa (esta noticia) porque no mesmo jornal já foi publicado (aqui) o desmentido de Costa... e acredito nele como disse no outro dia que acreditava no desconhecimento de Passos Coelho.

 

PS3 - Curiosamente, consigo lembrar-me de um ministro do PSD que se demitiu por ter contado uma anedota... parece que não ter piada é pior que não cumprir obrigações fiscais.

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publicado às 23:13

Imagem do Henricartoon

 

Artigo 6.º (do código civil)

(Ignorância ou má interpretação da lei)

 

A ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas.

 

Custa-me entender como é que alguém não sabe que as contribuições para a segurança social são obrigatórias, para mim isso nunca foi uma opção, desde que comecei a trabalhar que os onze por cento sempre foram descontados mesmo antes de chegarem às minhas mãos ...

 

É claro que ao contrário de Passos Coelho, eu nunca fui político e nunca fui trabalhador independente.... talvez venha de aí a minha ignorância.... mas admito que seja mesmo verdade que o senhor não sabia, que achava que era opcional e como não pensava nunca vir a viver da reforma, achou que não precisava de descontar. É claro que há o pequeno detalhe de a lei que ele incumpriu ter sido aprovada na assembleia da república numa altura em que ele era deputado, se calhar até contribuiu com o seu voto para a sua aprovação, mas é claro que lá por ser deputado e votar as leis, ele não tem porque as ler..... ou será que tem?

 

A mim o que realmente me choca no meio de tudo isto é que uma simples dívida da falta de pagamento ao fisco de poucas dezenas de Euros respeitantes por exemplo ao imposto de circulação de um carro que já nem é nosso há anos, além de não prescrever, terminar muitas vezes no pagamento de multas de milhares de Euros e até em casos extremos em penhoras de habitação, (ver este post), e que por outro lado, uma dívida de 5016,88 à segurança social, não só prescreva passados meia dúzia de anos, como prescreve sem que sequer o devedor tenha sido alguma vez notificado da sua existência.

 

Evidentemente Passos Coelho não é um contribuinte qualquer, é primeiro ministro e foi deputado, até pode alegar que na altura não sabia da obrigatoriedade de pagar a contribuição, mas acontece que ele tomou conhecimento dessa dívida em 2012, e prescrita ou não, só a pagou em 2015. Evidentemente os 5000 Euros não fazem diferença nenhuma nas contas da segurança social, mas o exemplo faz, e o exemplo que Passos Coelho deu ao país é o de que podemos deixar de pagar, porque afinal, a menos que algum jornalista descubra, o crime compensa. Já seja porque a dívida prescreve, já seja porque o estado de uma forma ou outra não tem a competência suficiente para fazer os contribuintes (pelo menos alguns) cumprirem as suas obrigações, a imagem que fica é que o crime compensa.

 

Sem esquecer é claro que na mesma altura em que o estado deixou prescrever as dívidas de um dos seus políticos, havia uma enorme pressão sobre os restantes trabalhadores a recibos verdes para que pagassem as mesmas contribuições, ou seja, este estado tem dois pesos e duas medidas, um para quem mais precisa e outro para quem é político.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:55

A ministra da Justiça e as drogas leves

por Jorge Soares, em 08.02.15

paulateixeiradacruz.jpg

 

Imagem de aqui 

 

“Os negócios da droga são profundamente rentáveis” e “se estiver disponível nas farmácias, se a puder comprar”, há “ganhos para os cidadãos”

"Está demonstrado — e para mim isso ficou muito claro com a lei seca nos EUA — que a proibição leva a que se pratiquem não só aqueles crimes, mas também outros, associados”

 

Paula Teixeira da Cruz à TSF

 

A julgar pela reacção do primeiro ministro, a esta hora a senhora ministra deve ter as orelhas a arder, não sei se haveria no PSD e mesmo em Portugal, muita gente à  espera de ouvir estas palavras, foi claro o incomodo de Passos  Coelho e a pressa em demarcar-se da opinião da Paula Teixeira da Cruz.

 

Entende-se a pressa de Passos Coelho, a despenalização das drogas leves tem sido uma bandeira do bloco de esquerda, está longe de ser uma questão pacífica, dificilmente será do agrado dos eleitores mais à direita e em ano de eleições não se pode facilitar.

 

Eu sou dos que concordo a cem por cento com esta opinião da ministra, em Portugal uma enorme percentagem dos pequenos crimes, principalmente os pequenos furtos e assaltos a casas ou automóveis, estão ligados ao consumo e tráfico de drogas, a despenalização da venda das drogas leves iria fazer descer os preços da droga e iria de certeza fazer diminuir este tipo de crimes. 

 

Como é mais que evidente, a proibição e criminalização do tráfico para pouco serve, não é o facto de as drogas serem proibidas  que impede que alguém consuma, todo o mundo sabe onde elas estão e para uma enorme percentagem da população, o consumo é aceite e quase algo normal, logo, os únicos que na realidade lucram com a proibição são os traficantes.

 

Como disse a ministra na entrevista, todos teríamos a ganhar com a venda livre, também concordo que deveria ser nas farmácias, das drogas leves. Haveria um controlo real sobre quem consome, os preços seriam mais baixos, os traficantes deixariam de ter o poder que tem, baixaria o crime associado ao consumo e tráfico.

 

Evidentemente, em paralelo o estado deveria garantir que o tema do consumo de drogas fosse tratado com um enfoque preventivo e educativo (sobre a droga) nas escolas e na sociedade.

 

Louve-se o valor da ministra para expressar assim em público e em directo de uma opinião que estará longe de ser consensual entre os portugueses.

 

Vídeo com as declarações da ministra:

 

 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:44

Cavaco Silva falou ao País

Imagem do Público

 

"O Banco de Portugal tem sido peremptório e categórico a afirmar que os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo dado que as folgas de capital são mais que suficientes para cumprir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa"

 

Cavaco Silva à TSF no dia 21 de Julho de 2014

 

A noticia da TSF inclui a gravação das palavras de Cavaco Silva, o Banco de Portugal pelos vistos não era capaz de cumprir o seu papel de vigilância e ignorava tudo o que se passava, mas hoje sabemos que Cavaco Silva, Passos Coelho e o governo sabiam que havia no GES um buraco de mais de sete mil milhões de Euros.

 

Nem Cavaco, nem Passos Coelho, nem ninguém do governo, negou as informações contidas na carta de Ricardo Salgado à comissão de inquérito, ou seja, ainda que tacitamente, todos admitem que tinham conhecimento da verdadeira situação do grupo Espírito Santo.

 

Agora podem vir brincar com as palavras e dizer que se basearam nas informações do Banco de Portugal, mas a verdade é que não há como negar nem o que está nas carta de Salgado nem o que se pode ouvir nas gravações de então e o que se ouve é o Presidente da República a dizer que os portugueses podem confiar no BES.... hoje o BES é o banco mau e está à vista no que os portugueses podem confiar... uma coisa é certa, a julgar por este caso, não será de certeza em Cavaco e no governo que podemos confiar....

 

Todos nós ouvimos estes senhores e alguns outros com responsabilidades já seja no governo ou no Banco de Portugal dizer que o BES tinha fundos mais que suficientes para cobrir o buraco, também os ouvimos dizer que havia interessados com dinheiro para investir no banco, depois foi o que se viu e quem sabe quanto irá tudo isto custar ao país.

 

Não percebo porque é que quem naquela altura falava tanto e com tanta certeza bem do BES, agora se nega a esclarecer as duvidas de quem está mandatado pela assembleia da república e pelos portugueses para investigar o que se passou. O presidente da república e o primeiro ministro não estão acima da lei e tem o dever de esclarecer os portugueses

 

Como português eu exijo que estes senhores vão à comissão e expliquem porque é que não avisaram o país e o Banco de Portugal o que se estava a passar, ou as reuniões de que fala o Salgado eram só reuniões de amigos? Salgado era um amigo de Passos Coelho que pedia uma ajuda de sete mil milhões à Caixa Geral de depósitos? O Facto do GES necessitar de tanto dinheiro não seria um sinal de alarme para o que aí vinha?

 

Jorge Soares

Update, entretanto alguém colocou online o vídeo onde se pode ver o presidente da república dizer que está tudo bem com o BES... cada um que tire as suas conclusões

 

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publicado às 22:44


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