Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Fabiola

 

UM DESABAFO Chamo-me Fabíola Cardoso, tenho 41 anos, sou professora em Santarém e mãe de duas crianças com 9 e 11 anos de idade. Estas duas crianças são fruto de uma relação lésbica e têm crescido na realidade de uma família que em tudo as cuida, que sempre soube provir a todas as suas necessidades mas que não é reconhecida pelo Estado Português. Estas duas crianças têm como figuras parentais duas mulheres, a quem chamam mãe, ainda que nos seus documentos apenas conste o meu nome. Foi-me diagnosticado, em Julho deste ano, um carcinoma invasivo da mama. Na sequência desse diagnóstico fiz uma mastectomia no Hospital Distrital de Santarém e encontro-me neste momento a fazer quimioterapia, da qual já resultou a necessidade de um segundo internamento hospitalar.

 

UM LAMENTO Foi a situação da minha doença que alterou profundamente a minha visão da situação dos meus filhos e me leva a escrever-vos hoje esta missiva. Fomos até agora, as duas, capazes de zelar sempre pela segurança e o bem estar dos nossos filhos, mas esta situação de doença veio abalar significativamente a aparente estabilidade e firmeza. Que aconteceria aos meus filhos se eu tivesse morrido na mesa de operações? Conseguiria a sua outra mãe a tutela? Seria correto, face a essa situação, sujeitar as crianças a um processo legal deste tipo? Que enquadramento legislativo teria um juiz para decidir a favor das crianças e da manutenção da sua família real? Ou poderá alguém de bom senso e bom coração afirmar que será melhor para estas crianças serem entregues a um familiar ou até a alguma instituição??!! Estive uma semana internada, devido a uma complicação causada pela quimioterapia. Como pode a outra mãe destas crianças justificar perante a sua entidade patronal a necessidade de faltar para as apoiar se, legalmente, não lhes é nada?? Porque teremos nós, uma família que cumpre todos os seus deveres, de não poder beneficiar numa situação de infortúnio dos diretos que assistem às outras famílias?? Ficamos na dependência das simpatias, das disponibilidades de cada um. Lamento profundamente que, devido à situação legal existente no nosso país, eu tenha muitos mais motivos de preocupação do que aqueles que deveria ter neste momento e que as minhas crianças estejam numa posição de fragilidade que não deveriam estar.

 

E UM PEDIDO Venho pedir-vos a decência de aprovarem a Lei da Co-adoção, não porque a considero excelente, excelente seria simplesmente todas as crianças deste país terem uma família feliz onde crescer em segurança, mas porque nenhuma família deveria ter de passar pela situação que a nossa está a passar. Gostaria que, independentemente da cor do símbolo político que usam na lapela, pensassem honestamente nesta situação e se tentassem colocar, não no meu lugar, nem no da outra mãe, mas sim no lugar dos meus filhos. São eles os principais desprotegidos neste cenário e são-nos porque o Estado Português se sente na legitimidade de ilegitimar a sua família. Desejo o dia em que ninguém tenha de passar pelo acréscimo de sofrimento e insegurança em que a situação atual nos coloca. Nesse dia Portugal será um pais mais justo e mais democrático.

 

Está nas vossas mãos.

Obrigada, Fabíola Cardoso

(carta enviada às/aos deputad@s, dezembro 2013)

 

Retirado de Famílias arco iris 

 

E pronto, é isto, quem mesmo depois de ler as palavras da Fabiola não conseguir entender por que é necessária a lei que permite a co-adopção, é porque usa mesmo palas.. e mais não digo

 

Jorge Soares

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:50

Eu desnaturado.... volto a confessar-me!

por Jorge Soares, em 05.03.09

Casamento

Retirada de http://static-p4.fotolia.com/jpg/00/04/79/65/400_F_4796507_FHXg3ylHPtQVBvNmINUgePfpANU0CPhI.jpg

 

A mente humana é engraçada, andava há uns dias sem nada para dizer...  apareceu aquele desafio das viagens de sonho mais a Eugénia e os seus comentários...e de repente fiquei com tema para uns dias.

 

Já deixei claro neste post que sou um desastre para recordar algumas coisas.... hoje descobri que sou mesmo desnaturado, dizia a minha meia laranja num comentário ao post de ontem, que o meu pedido de casamento foi algures nas catacumbas do IST... já lá vão 19 anos.... confesso.... não me consigo lembrar desse dia nem do pedido... lá está... sou um desnaturado!...

 

Mas já que é de pedidos e de casamentos que se fala, como não poderia deixar de ser, o meu teve que ser diferente. Depois de anos a viver em quartos, a almoçar e a jantar em cantinas, a só ver televisão ao fim de semana, começamos a sentir necessidade de ter algo nosso, uma casa, uma família, coisas para além de 4 paredes....  A P. foi a primeira a arranjar emprego... e casa, passado pouco tempo já eu tinha arranjado emprego e alugado mais um quarto, esta vez em Setúbal.... devo lá ter dormido uma ou duas vezes, num ou outro fim de semana em que a minha sogra aparecia por cá....... deve ter sido por isso que não morreu ninguém no prédio.

 

A mudança para Setúbal foi em Setembro, lá para o final de Outubro,  começamos a achar que o natal ia ser uma chatice, cada um para seu lado... vai de aí.... decidimos casar... estão a ver, estávamos no fim de Outubro..... o Natal é no fim de Dezembro.... o certo é que casamos...  a 16 de Dezembro..... e o motivo é como outro qualquer. Há pessoas que passam meses e meses a planear as coisas... nós em mês e meio tratamos de tudo..e casamos.... e pela igreja e tudo.

 

Sim, eu o senhor :Deus não existe ponto final, casei pela igreja.... calma, não comecem já a chamar-me hipócrita..eu explico. Para mim o casamento que vale é o civil, é no civil que assinamos o contrato que define os deveres e os direitos que nos unem, se este contrato é assinado numa igreja, numa conservatória ou noutro lado qualquer... para mim é exactamente a mesma coisa. Não é deus nem o padre que me casa, sou eu que o faço quando assino os papeis na presença da outra parte e das testemunhas.

 

De inicio a P. sentiu-se um pouco melindrada, conhecedora das minhas ideias, ela é que se estava a sentir incomodada com a situação... lá lhe tive que explicar que para mim não mudava nada... para o resto do mundo, ela incluída, mudava muitas coisas. Se era todo o mundo mais feliz se a coisa fosse na igreja... se a mim não me importava minimamente... porque não fazer as pessoas felizes?... e lá está... foi na igreja... Em Dezembro e antes do natal que finalmente passamos juntos..... Foi o segundo casamento que celebraram em todos os anos de vida daquela  igreja.... mas disso falo outro dia, que eu não gosto de posts muito longos!

 

Jorge

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:35


Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D