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Porque: "A vida é feita de pequenos nadas" -Sergio Godinho - e "Viver é uma das coisas mais difíceis do mundo, a maioria das pessoas limita-se a existir!"

Imagem de Um mundo sin mordaza
Nem sei por onde começar, talvez pelo mais fácil: há milhares de presos políticos na Venezuela. Alguém ouviu Trump ou algum dos seus apoiantes falar em libertar presos políticos? Todas as ditaduras têm presos políticos; Caracas não é excepção. Há milhares de presos políticos na Venezuela, muitos deles no El Helicoide. Era para ser um centro comercial, começou a ser construído nos anos 50, durante uma ditadura, e 60 anos depois transformou-se num centro de tortura do regime de Maduro.
Não sei se a notícia do rapto, prisão, deposição — chamem-lhe o que quiserem — de Maduro chegou até eles, mas uma coisa é certa: para eles, não mudou nada.
Alguém acha mesmo que prender Maduro, sem mudar o regime, muda alguma coisa para estas milhares de pessoas que estão presas em Caracas e no resto da Venezuela por delito de opinião?
Afinal, qual era o objectivo de Trump? Libertar o país de um regime autoritário e corrupto? Onde está essa liberdade? É verdade que só passaram dois dias, mas alguém sente que tenha mudado alguma coisa? Eu sei: mudou o fantoche. Antes era um fantoche de bigode, semi-analfabeto; agora parece que vai passar a ser um fantoche de saia e óculos, um pouco mais culto.
Não sejamos ingénuos. O objectivo de Trump era manter tudo como está e tomar conta da indústria do petróleo da Venezuela. Nos últimos anos, o principal cliente da Venezuela tem sido a China. Com esta mudança de cadeiras em Caracas, Trump não só passa a ter petróleo barato à mão de semear, como enfraquece (ou pelo menos acha que enfraquece) a China, que terá de comprar petróleo mais caro noutro sítio, na Rússia, por exemplo.
Até aos anos 80, a indústria petrolífera venezuelana era uma referência mundial. Ainda não existiam as monarquias do Golfo e era nas universidades e na indústria do petróleo da Venezuela que as coisas aconteciam.
Não sei se Trump percebeu, mas nos últimos 40 anos tudo isto foi destruído, ao ponto de hoje o país com as maiores reservas de petróleo do mundo ter de importar gasóleo e gasolina, porque deixou de ter capacidade para os produzir. Vai custar muito tempo e muito dinheiro voltar a colocar a indústria a funcionar — mas os Estados Unidos são ali ao lado…
Em Portugal, a direita e a esquerda discutem opiniões. O direito internacional não conta para nada, como não contou na Ucrânia. O que interessa é defender Trump ou Maduro, defender ideais políticos. Justiça, direitos, realidade — isso não interessa a ninguém.
Independentemente disso, na Venezuela os presos continuam presos, a miséria continua a viver nos ranchos e nos bairros populares, a insegurança e o medo continuam os mesmos, a corrupção continua a mesma… ou seja, o país continua a sua queda para o abismo. Os 8 milhões de venezuelanos que vivem espalhados pelo mundo e que este fim-de-semana festejaram o rapto de Maduro vão continuar a sobreviver onde estão, com a alegria do tísico que não percebe que, em Caracas, “NO PASA NADA”.
Jorge Soares

Imagem do Facebook
Todos somos estrangeiros em algum lugar...
Senti isso várias vezes na minha vida: quando mudei de aldeia aos 9 anos, de país aos 10, e novamente de país aos 20. Talvez por isso tente sempre colocar-me na pele do outro.
Mudar de sítio, deixar tudo para trás e cair sem paraquedas em algum lugar do mundo — seja noutra aldeia, noutra cidade ou noutro país — é sempre uma experiência dolorosa. Mas, por norma, ninguém faz isso porque quer… há sempre uma história por trás, muitas vezes uma história de terror.
Durante muito tempo fomos um país de emigrantes. Havia muita gente a fugir de muitas coisas. Sempre houve um outro país que, melhor ou pior, nos recebeu e nos permitiu seguir em frente.
Hoje somos um país de imigrantes e, a mim, que já estive do outro lado, custa-me ver que não somos capazes de retribuir… recebemos com ódio. A mim nunca ninguém me disse “Vai para a tua terra”. Eu não percebo como é que alguém é capaz de dizer isso.
Nasci em casa da minha avó, num pequeno lugar de uma aldeia. Com dois anos mudei para outro lugar da mesma aldeia; aos 9 anos mudei-me para outra aldeia; aos 10 mudei de país, para uma cidade com milhões de habitantes; aos 20 voltei à aldeia inicial por uns meses; depois caí de paraquedas num quarto em Lisboa, onde estive por seis anos; vai fazer 30 anos que me mudei para Setúbal…
Se tivesse de voltar para a minha terra, seria onde?
Jorge Soares
Vídeo do Observador, carreguem na imagem para ver
Acho que não há palavras para o que vemos aqui, estes senhores foram eleitos para representar o povo e estão na assembleia da república a denegrir o povo.
Sei que são ambos do PSD, não faço ideia porque distritos foram eleitos mas era engraçado ir perguntar a quem os elegeu, quem votou no partido deles nesses distritos, se foi para isto que os elegeram e se se sentem representados nestes comportamentos.
Evidentemente deviam deixar os lugares de deputados de imediato, isto para além de mais é fraude.
Triste a imagem destes politicos, depois querem que votemos neles?
Jorge Soares

Imagem do Observador
Eu tinha pensado escrever um post sobre a ética de José Silvano e a mulher de César, aquela declaração aos jornalistas foi mais que anedótica. Isto depois do senhor deputado ter dito que não tinha dado a password a ninguém mas que era fácil de descobrir.
Ele queria que para o comum mortal fosse natural que não só alguém lhe tenha apanhado a password, como a estava a usar para picar o ponto na vez dele nos dias em que ele faltava. Normalmente os roubos de password tem uns fins menos amigáveis.
Talvez ele não saiba mas apanhar a password de alguém corresponde a roubo de identidade e está penado por lei.....
Hoje descobriu-se que o pirata informático tem nome e apelido, chama-se Emília Cerqueira, também é deputada do PSD e segundo o Observador, "faz parte do círculo mais próximo de José Silvano no Parlamento".
Ora, a acreditar em José Silvano, a sua colega de bancada, que por acaso é sua amiga, roubou-lhe a password sem ele saber e por vontade própria cada vez que via que o amigo tinha outras coisas que fazer e portanto não ia trabalhar, ligava-se ao sistema com utilizador e password dele e picava o ponto.
Na empresa em que eu trabalho isto dava direito a despedimento imediato, todos assinamos um termo de responsabilidade em como usamos utilizadores e passwords de forma segura e responsável.
E eles querem que nós acreditemos na conversa deles .. a seguir algum deles vai dizer que o pai natal existe mesmo e vão querer que acreditemos .... o pior é que se calhar alguns por pura cor política vão fingir que acreditam
São estes os políticos portugueses .... depois estranhamos que apareçam Trumps e Bolsonaros.
Jorge Soares
Imagem do El Mundo
A Europa e o mundo saudaram a valentia do governo grego na convocação do referendo e festejaram a vitória do "Não" como uma vitória da democracia e da luta contra a opressão de Merkl e da Alemanha ao povo grego. Passou uma semana e o resultado é que o governo de Tsipras acaba de aceitar um pacote de medidas que não só está baseado na austeridade como consegue ser mais duro que aquele que supostamente foi referendado.
Afinal o referendo era para quê? Qual seria mesmo a ideia de Tsipras ao convocar o referendo? É difícil de perceber qual a estratégia que tem tentado seguir o governo Grego ao gerir a crise, olhando para trás a sensação que fica é que não há mesmo uma estratégia e que Tsipras e os seus ministros tem tentado navegar ao sabor das marés sem ter um rumo ou um objectivo definido.
O Syriza chegou ao governo porque fez acreditar o povo Grego que teria uma estratégia diferente da que tinha sido aplicada no passado, que existiram outros caminhos para além da austeridade e que seriam esses os caminhos a aplicar... onde estão hoje essas vias alternativas?
As últimas noticias referem que Tsipras terá convocado eleições legislativas, isso implica que possivelmente serão outros a ter que aplicar as medidas agora negociadas por Tsipras e pelo Syriza e isso poderá explicar a pressa que tem a Europa em que as medidas sejam aprovadas (ainda esta semana) pelo parlamento grego.
Percebo que ante a falta de dinheiro não restassem muitas opções ao governo grego, mas sabendo isto, para que foi convocado o referendo? E o que ganhou o povo grego com o seu resultado?
Jorge Soares
Imagem do Sol
Isto só pode ser ignorância ou demagogia, como é que alguém que pretende vir a ser primeiro ministro pode afirmar uma coisa destas? E sinceramente até me custa perceber onde é que ele quer chegar, depois de andarem há meses a reivindicar o aumento dos salários ele está contra?
Não é a primeira vez que ouço afirmações como estas, por norma quando a conversa é comigo dou-me ao trabalho de explicar: A formula de cálculo dos escalões do IRS está feita de forma a que isto não possa acontecer, não é possível que alguém seja aumentado, suba de escalão e fique por isso a receber menos ordenado liquido do que recebia antes, pode dar-se o caso que a diferença seja mínima, mas nunca se pode dar o caso de que se passe a receber menos.
Quanto ao caso em questão:
- Em primeiro lugar quem recebe o salário mínimo não paga IRS, logo o aumento do salário só por si não faz ninguém mudar de escalão
- Em segundo lugar, se alguém além do salário mínimo recebe outros valores, se estes não aumentarem não tem porque subir de escalão, se estes valores aumentarem é possível que se possa subir de escalão, como é normal, mas isso nunca irá fazer com que se fique a receber menos do que antes.
À primeira vista o que parece é que Seguro está contra o aumento do salário mínimo, ou não sabe o que diz, ou está a ser demagógico, em qualquer dos casos está a fazer o ridículo.
São afirmações demagógicas como estas que fazem com que os portugueses não olhem para Seguro e para o PS como uma alternativa à maioria e depois na hora da verdade nem se dêem ao trabalho de ir votar.
Jorge soares
Imagem de aqui
Todo o mundo é inocente até que se prove o contrário, hoje Maria de Lurdes Rodrigues, na sua qualidade de política foi condenada a 3 anos e meio de prisão por prevaricação. O delito terá sido cometido enquanto era ministra da educação.
A senhora foi condenada "no caso da contratação, por ajuste directo, do irmão do dirigente do PS Paulo Pedroso para que este fizesse uma compilação da legislação portuguesa sobre o ensino".
A senhora, que evidentemente tem direito ao recurso e vai certamente fazer uso desse direito, alega que não cometeu nenhum crime e que está a ser julgada num processo politico.
A verdade é que ela até pode ser muito séria, mas é difícil de acreditar que seja coincidência que o estudo em questão tenha sido adjudicado a um irmão de um dirigente do PS, partido que estava na altura no governo, que por acaso nem era especialista no assunto. Que depois o estudo tenha sido entregue com atraso já me parece mais normal, afinal neste país raramente alguma coisa acontece dentro dos prazos contratados e planeados, tudo se atrasa, se arrasta e temos sorte se ficar dentro do orçamento.
Já quanto a João Pedroso, foi considerado culpado de receber dezenas de milhares de euros pelo estudo, que fez ao mesmo tempo que tinha uma consultoria legal para outro ministério e um contrato de dedicaçãoo exclusiva para dar aulas na universidade de Coimbra, o que em teoria o deveria impedir sequer de se candidatar a trabalhos deste tipo. Evidentemente também irá recorrer.
Todo o mundo tem direito à legitima defesa e a ser considerado inocente até prova em contrário e acredito que a senhora tudo fará para mostrar a sua inocência, mas o que apetece dizer é que à mulher de César não lhe basta ser séria, tem que o parecer....
Jorge Soares
PS: nos comentários ao post anterior fui "acusado" de se comunista, socialista, racista, entre outras coisas, espero que esta vez não me acusem de ser do CDS ou do PSD, digo desde já que não sou.

Primeiro foi o PS, depois foi este governo há pouco mais de um ano, das duas vezes a enorme discussão que se gerou à sua volta fez com que o projecto de lei fosse engavetado e quem o propôs saiu de cena de fininho. Agora voltou a aparecer basicamente a mesma coisa... como a coisa é a mesma e os argumentos até são os mesmos, deixo aqui o que escrevi da primeira vez em que se falo disto:
Basicamente do que se está a falar é que a partir de agora, todos nós independentemente de consumirmos ou não artigos digitais (música, filmes, séries, etc), vamos passar a pagar direitos de autor. Cada vez que compramos um computador, uma pen, um disco externo ou interno para o computador, um telemóvel, um ipad, um cartão de memória para a máquina fotográfica, qualquer coisa que sirva para armazenar bytes, uma parte do que estamos a pagar, vai para os direitos de autor.
Se pensarmos bem, isto nem é nada de novo, afinal Portugal é aquele país em que qualquer contador de electricidade paga uma taxa de radiodifusão tenha ou não ligado a ele um rádio... imagino que a seguir, e como nas pessoas deixaram de andar nas ex scuts, vão acabar com as portagens e passar a incluir um valor no preço de cada pneu que se venda, para que todos paguemos as auto-estradas... assim de repente é a mesma coisa.
É claro que eu não tenho nada contra a existência dos direitos de autor, a cultura só existe porque há pessoas com a capacidade criativa suficiente para converter ideias em obras de arte e essa capacidade deve ser recompensada, o que não me parece justo é que se tente resolver o problema criando uma lei cega em que todos pagamos independentemente de consumirmos ou não as obras taxadas.
Porque tem que pagar a empresa em que eu trabalho um valor para os direitos de autor se quando compra um servidor e/ou discos estes nunca serão utilizados para armazenar o que quer que seja sujeito a direitos e sim a informação de gestão da empresa? porque tenho que pagar direitos de autor quando compro um cartão de memória para a minha máquina fotográfica se o autor das fotografias sou eu?, será que posso ir a algum lado buscar a minha parte dos direitos de autor?.. é claro que não, eu só tenho direito a pagar.
Evidentemente o que vai acontecer é que vão subir os preços de tudo o que é material informático, o segundo efeito imediato, é que eu, que tal como tinha dito aqui até achava que fazer downloads piratas era crime, vou-me sentir legitimado para passar a sacar músicas e filmes da net como faz a maioria, afinal, eu até já paguei os direitos de autor..
Jorge Soares
Imagem do Público
Ora aqui está uma boa noticia, pena que tenha demorado tanto tempo a perceber que estava a mais na política.
O mais irónico da passagem deste senhor pelo governo é que serviu para mostrar a a realidade a todos aqueles que achavam que quem deve governar não são os políticos e sim os técnicos. Este senhor é um técnico, não é nem nunca foi um político e está à vista o belo trabalho que fez durante estes dois anos. Fica de certeza absoluta para a história como o ministro que mais previsões e contas falhou de todos os que já passaram por aquele ministério.
Esperemos que o sucessor seja alguém menos teimoso e mais terra a terra, alguém que saiba olhar para a situação do país e tirar conclusões sobre o melhor caminho a seguir.
Jorge Soares
Imagem de aqui
... a questão é quanto nos custaria a todos os trabalhadores se eles não existissem.
Oito deputados da JSD apresentaram uma moção para saber quanto custaram ao estado os sindicatos em 2013 e quanto custarão em 1014. Não é difícil perceber qual o objectivo da pergunta, os senhores deputados querem fazer passar a ideia de que os sindicatos custam muito dinheiro ao país.
Um Sindicato é uma associação de classe, constituída por assalariados da mesma profissão, da mesma indústria, que executam trabalhos similares ou correlacionados. O seu objectivo é tornar-se uma força que consiga criar para os seus associados condições capazes de resistir às ambições patronais no plano individual e profissional.
A grande maioria dos direitos adquiridos por todos os trabalhadores portugueses deve-se à existência dos sindicatos, foram sendo conquistados ao longo de décadas já seja com greves e paralisações, já seja nas negociações anuais dos acordos sociais. Acho que com excepção dos membros da JSD, não restam dúvidas a ninguém da importância da da existência das associações de trabalhadores.
Podemos imaginar como seria uma sociedade em que os trabalhadores não tenham quem os defenda e represente, imagino que seria algo parecido com o Bangladesch de hoje em dia ou com a Coreia do Norte, pelos vistos é isto que pretendem os senhores deputados da JSD, mas é compreensível, na sua condição de políticos eles tem tachos assegurados de por vida, nunca vão precisar de quem os represente ou defenda os seus direitos.
Não faço ideia de quanto custam os sindicatos, mas aposto que é bastante menos do que custam os políticos, os partidos e as juventudes partidárias, e desses custos só ouvimos falar quando os deputados votam por unanimidade o seu aumento.
Jorge Soares