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O estranho caso do procurador poeta

 

 

São sete e pouco da manhã

Viajo de metro para o trabalho
Fi-lo ontem, falo-ei amanhã
Só sou aquilo que valho
Os comboios já vão cheios
Muitos se levantam cedo
Nas mulheres aprecio os seios 
Mas têm outro enredo

 

Acreditem ou não, os versos acima foram declamados num tribunal, e não, não era o mau poeta quem estava a ser julgado.. aliás, de quem estava a ser julgado, não reza a história, a não ser pelo facto de ter estado presente numa das audiências mais bizarras da justiça Portuguesa.

 

Segundo a noticia do Público, a audiência começou atrasada 20 minutos, foi esse o atraso do Procurador, nada de muito anormal no nosso país onde tudo começa mais ou menos uma hora depois do previsto. Cada vez mais somos um país de atrasados e tornamos tudo um atraso de vida.. mas isto já sou eu a divagar.

 

O senhor chegou atrasado e como bom Português tratou de se desculpar, a culpa nunca é nossa, é sempre de algo ou alguém, neste caso seria ...um “lapso evidente e único com o seu despertador”, começou. Costuma sempre pô-lo a despertar “às 07h00 horas da manhã ou até antes”. Mas, naquele dia, “na maior das certezas e excepcionalmente, sem que alguma vez lhe ocorra ter acontecido, o relógio não despertou”.

 

A coisa podia ter ficado por aqui, mas não, explicação continuou com a descrição do resto da manhã, até que chegou à parte em que ele diz que tinha aproveitado a viagem do metro para escrever uma quadras..e decide declamar as mesmas em pleno tribunal.

 

Viajam brancos e pretos
Nacionais e estrangeiros 
Alguns vivem em “guetos”
Outros em lugares foleiros

 

(...)

Entram uns, saem outros
É o frenesim da manhã
Levam-se alguns encontrões
Levo eu, e mulher minha.

 

 

No fim de tão insólita explicação, a juíza mandou extrair certidão para efeitos disciplinares.. isto depois de ter abandonado a sala duas vezes enquanto o senhor se explicava, por se sentir indisposta. Está visto que ou a senhora não tem sentido de humor, ou leva o papel de critica poética muito a sério

 

Do resto da audiência não reza a história.... mas resta dizer que o senhor tem 59 anos... e não estivéssemos nós a meio de Outubro, eu diria que isto é uma daquelas noticias do 1º de Abril.... mesmo assim... amanhã vou ver o Público de fio a pavio, porque de certeza que algures num recanto do jornal vai aparecer um pedido de desculpa e uma explicação qualquer para o facto de uma noticia de 1º de Abril ter aparecido em Outubro... Só pode.

 

Jorge Soares

publicado às 21:40


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