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A comunicação social que temos

por Jorge Soares, em 20.05.09

A mafalda e o mau jornalismo

 

Há uns tempos atrás, alguém me chamou a atenção para um artigo de um jornal da Madeira que na sua edição online dizia que por lá não havia crianças adoptadas e devolvidas, fui ler o artigo e este de uma ponta à outra era feito de lugares comuns e ideias erradas. Por mero acaso a coisa estava assinada e o jornal disponibilizava o email da jornalista.

 

Enviei um email onde desfiz os lugares comuns, corrigi as coisas erradas e apresentei a minha pena pelo facto de a jornalista não se ter dado ao trabalho de verificar os dados. Para meu grande espanto passados poucos minutos tive resposta.  Dizia a senhora que realmente eu tinha razão, que o que eu dizia fazia sentido, mas  que ela se tinha limitado a ver uma noticia na RTP Madeira  e a tinha transcrito!!!! e claro que lamentava não ter verificado os dados... .. não deixa de ser de admirar tamanha honestidade!

 

É claro que fiquei chocado, já era suficientemente mau que o artigo estivesse cheio de conceitos errados, mas é muito mau quando percebemos que existe um jornalismo em Portugal que se limita a ver os noticiários da televisão e a transcrever para o papel, ou neste caso para as edições online.

 

Eu costumo ler os jornais online,  e invariavelmente a conclusão a que chego é que basta ler um, a maioria das noticias tem a chancela da lusa e depois é Copy Paste para as edições online e para o papel. Para que são necessários jornalistas?, qualquer estagiário consegue fazer copy paste.

 

Mas o problema não fica por aqui, há dois dias atrás quando li a noticia da Professora de história (hummm, afinal saiu mesmo o terceiro post) no Publico, achei que o titulo era bombástico demais para o que vinha no texto, do Publico online passei para o Expresso, depois para o Sol , depois para os outros jornais online , todos tinham a mesma noticia com o titulo mais ou menos bombástico em que a palavra "orgias" aparecia em destaque.

 

Parece que a preocupação era fazer a noticia sair e sublinhar o facto de a professora ter falado de orgias numa aula. Eu, simples mortal com aspiração a bloguer, tive o cuidado de tentar ouvir as já famosas gravações para tentar perceber se estávamos ante mais um caso de pais exageradamente pudicos como é tantas vezes costume, mas os jornalistas (???) não tiveram essa preocupação, limitaram-se a transcrever a noticia da Lusa tal qual, havia dois jornais em que a noticia era igual palavra por palavra.

 

É claro que quando finalmente consegui ouvir parte das gravações na TSF, fiquei duplamente chocado, primeiro por aquilo que lá ouvi, e segundo, pela ligeireza com que os jornais deste país trataram uma noticia, dando um enfoque completamente errado da coisa, chamando a atenção para o lado sexual da noticia quando o que ali estava era bem mais grave e muito ao lado.

 

Todos nós sabemos que falar de sexo traz leitores, rapidamente aprendemos que utilizar a tag sexo é garantia de muita gente a ler... mas isso é válido para nós, simples amadores que nos divertimos nos blogs... não pode servir para fazer jornalismo e vender jornais ... pelo menos não deveria.

 

É esta a comunicação social que temos? a comunicação social do Copy Paste e do sensacionalismo barato?... é triste.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:12

Ainda a professora de história...

por Jorge Soares, em 19.05.09

A professora de história

Imagem retirada do HenriCartoon

 

Nos países hispânicos da américa latina e aqui ao lado na vizinha Espanha, para os professores  é utilizada a palavra maestro, que traduzido à letra significa mestre. Um mestre é um individuo que com o tempo e a educação adquiriu um conhecimento numa determinada área, que utiliza para  orientar e transmitir aos seus pupilos

 

Antes de mais, estou um bocadinho baralhado, desde que ontem publiquei o post até este momento, os contadores ali ao lado registaram muito perto de 1000 visitas ao blog, tendo em conta que a média diaria das ultimas semanas anda perto dos 350....  temos que concordar que este é um tema que interessa às pessoas.  Bom, mas vamos ao que interessa.

 

Eu sou pai, tenho dois filhos que estão a terminar o primeiro ciclo e que brevemente entrarão na idade da curiosidade, do aprender, sou a favor da educação sexual na escola e em casa, e se um dia algum deles me vier contar que uma das professoras passou uma aula a falar de educação sexual e que falou de orgias e de sexo  eu tenho a certeza de que não vou ficar chocado nem vou armar nenhum alarido. O sexo faz parte da educação e deve ser tratado por pais e professores... mesmo que isso implique que se fale de orgias. Mas tentar confundir o que ouvimos naquelas gravações com educação sexual ou tentar dizer que o que se passa aqui é fruto de pais pudicos e falso moralismo é querer tapar o sol com uma peneira.

 

Há quem tente defender a senhora, eu não vejo como se possa defender algo como isto, o papel dos professores é formar, já seja pela transmissão de conhecimentos ou pelo exemplo, e eu não consigo entender como é que podemos ver o que aqui se passou como uma aula ou formação, que exemplo pode dar esta senhora? Todos nós sabemos que as crianças são dificeis, que não são inocentes, mas deve haver uma fronteira que separa o comportamento do aluno e do professor, é essa fronteira que define a autoridade dentro da sala de aula, quando o professor não consegue manter-se do seu lado da fronteira, o que resta aos alunos?

 

Também encontrei quem tente ver aqui mais um acto de perseguição da ministra ou do governo, meus senhores, tenham juizo. Isto é um caso disciplinar, li algures que já haviam queixas antigas contra a professora e que a escola nunca fez nada, talvez se tivessem feito, isto não estaria agora a acontecer.

 

Sei que entre os autores dos blogs que visito e que me retribuem a visita há muitos professores, pessoas que aprendi a admirar e a respeitar pela imagem que transmitem nos seus blogs, pela forma como escrevem e como levam a vida. Não sou pessoa de avaliar o todo pela unidade, nunca seria capaz de generalizar, mas também não nos podemos enganar, como em todas as profissões, há bons e maus professores, infelizmente, esta senhora foi noticia porque realmente só pode ser uma má professora... nunca poderia ser um maestro ... ou um mestre.... mesmo que exista lá na escola quem a ache o máximo, como podemos ver nesta noticia do Publico:

 

Alunos consideram professora suspensa de escola de Espinho como "a mais espectacular"

 

Como li algures noutro blog,...se calhar, se quando eu tinha 13 anos alguma das minhas professoras viesse para as aulas falar de orgias ..eu também a acharia o máximo.... nãaaa, nada disso.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:36


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