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O governo e o jogo do empata

por Jorge Soares, em 03.06.14

Passos Coelho empata medidas

 

Imagem do Público

 

Já ouvi várias versões, Paulo Portas diz que é para "clarificação do pensamento" do tribunal, Passos Coelho diz que é para "tornar mais claros" os aspectos técnicos, entretanto no telejornal, alguém do governo dizia que era preciso questionar a partir de quando são válidas as anulações das medidas... durante o dia ouvia alguém do PSD acusar o tribunal de tomar decisões políticas em lugar de legais... e a ministra das finanças, como já é costume,  ameaça com mais impostos.

 

Não sei o que significa tudo isto, mas sei o que parece a quem desde o lado de fora espera com impaciência que seja reposta a legalidade e devolvido a quem trabalha o que lhe foi retirado contra a constituição:

 

Em primeiro lugar parece que com tudo isto o governo está a empatar, o pedido de esclarecimento tem como efeito imediato que as reposições decretadas pelo tribunal constitucional tenham efeito a partir do mês de Julho e não de Junho como seria lógico dado que a decisão é de 31 de Maio. Isto para já não falar que justo mesmo era que devolvessem tudo o que entretanto já foi descontado.

 

Em segundo lugar, o que é cada vez mais evidente é que para os senhores governantes, e para os partidos que os apoiam, o que dava mesmo jeito era poderem fazer e desfazer sem essa chatice de haver uma constituição para respeitar... se calhar alguém lhes devia explicar que queiram eles ou não, ainda somos uma democracia e que apesar dos seus desejos, esta não foi suspensa como uma vez sonhou Manuela Ferreira Leite.

 

Mal ou bem, é esta a constituição que temos e foi sobre ela que os senhores juraram governar, o tribunal constitucional existe como garante do respeito dessa constituição, não é uma força política nem uma sucursal dos partidos que faz uns jeitos quando é necessário, os juízes estão lá para garantir a lei e esta evidentemente não pode variai ao sabor dos interesses do governo de turno.

 

Talvez Paulo Portas, Passos Coelho e os restantes governantes deviam pensar seriamente se querem ou são capazes de governar com estas leis, se acham que não querem ou não são capazes, o que devem fazer não é tentar arranjar esquemas e pressões para a contornar, é simplesmente meterem o rabinho entre as pernas e a viola no saco e irem chatear para outras bandas. O país precisa de pessoas sérias e competentes, não de quem tente governar no jogo do empata.

 

Jorge Soares

publicado às 22:18

O salário mínimo e as vantagens de ser rico

por Jorge Soares, em 18.05.14

Referendo na Suiça

 

Imagem do Público 

 

A Suíça costuma ser tema cá no blog principalmente devido aos muitos e variados referendos que por lá se vão fazendo, o sistema de governo Suíço está baseado na democracia directa e os suíços são consultados muitas vezes a propósito das mais variadas coisas.

 

Foi a propósito de um referendo em que saíram derrotadas as moções que pediam um aumento dos dias de férias e uma diminuição dos impostos que eu aqui disse que "nós nunca seremos suíços" e foi a propósito de um outro referendo em que os suíços decidiram fechar as suas fronteiras à comunidade europeia, que torci o nariz à democracia directa.

 

Hoje aconteceu um novo referendo, os suíços foram chamados às urnas a propósito de uma proposta dos sindicatos que sugeria um aumento do salário mínimo nacional. Por incrível que possa parecer a quem vive num país em que uma enorme franja da população ganha um salário mínimo de menos de 500 Euros, só 23 % dos votantes disseram sim a esse aumento, menos de um quarto dos eleitores.

 

Assim de repente parece dificil de entender, se olharmos com atenção não é assim tão estranho, vejamos:

 

A proposta dos sindicatos era de que o salário mínimo passasse a ser de 3200 Euros por mês, o mais alto do mundo. A proposta dos sindicatos tem por objectivo garantir que todos os trabalhadores tem um salário acima daquilo que, há falta de um valor legal para o salário mínimo, se considera um salário baixo, salário esse que está perto desse valor de 3200 Euros.

 

A percentagem de pessoas que estará abaixo desse limiar é de perto de 10% e pertence principalmente ao sector dos serviços pessoais (cabelereiros, cuidados corporais e de beleza, lavanderia,comércio, hotelaria e de restaurantes).

 

Ou seja, 90% dos trabalhadores suíços ganham muito acima desse valor e é portanto muito mais sensível aos argumentos dos partidos políticos que avisam para possíveis aumentos de preços nos serviços e do desemprego que viriam como consequência desse aumento de salário.

 

Por cá, onde cada vez há mais gente a ganhar verdadeiros salários de miséria, bastaria que quem ganha ou depende de alguém que ganha o salário mínimo ou pouco mais que isso,  fosse votar, para que o referendo tivesse o sim assegurado, é  a diferença entre um país rico como a Suíça e um país pobre como o nosso.

 

Diga-se de passagem que de cada vez que se fala num destes referendos e nos seus resultados, torço mais o nariz à democracia directa.

 

Jorge Soares

publicado às 23:03

Serviço Público

 

Imagem de aqui

 

Há coisas que são difíceis de explicar, e quando se trata de governantes ou gestores públicos é muito mais difícil ainda, o post da semana passada sobre os salários dos gestores do banco de  fomento deixou muitos comentários, na sua grande maioria parece que as pessoa ou não leram o que eu escrevi, ou simplesmente não querem saber. Quando se trata de dinheiro ou salários públicos todo o mundo critica, na maior parte dos casos sem sequer se parar para pensar, seja quem for, está lá a mais e só pelo dinheiro... e claro, todo o mundo faria melhor por muito menos... 

 

Felizmente há quem pense, o seguinte texto foi escrito por alguém que assina Ricardo Silva e diz exactamente o que eu penso, só que muito melhor escrito:

 

"Deveríamos viver numa sociedade onde deveria reinar a méritocracia mas vivemos numa sociedade de incompetência e compadrio. E a verdade é que muitos dos que criticam, pura e simplesmente fariam exactamente o mesmo daqueles que lá estão.

Ninguém, no seu bom senso, iria sair do privado para ir fazer "caridade" para o público. Sou da opinião que se queremos o melhor, temos que pagar por isso. Uma das lições que aprendi na minha vida profissional foi que o ordenado deve ser proporcional à responsabilidade da função desempenhada! Sim, acho muito bem que um presidente de um banco ganhe um salário que corresponda à responsabilidade que esse mesmo cargo acarreta.

Coloca-se aqui outra pergunta: Será que as pessoas que são nomeadas para estes cargos são as mais competentes? A resposta é simples e directa: Não! Não pela simples razão que quem tem competência, experiência e capacidade para desempenhar estes cargos com elevado nível de qualidade não vai para o sector público, mas sim para o privado e, aliás, muitos até vão para o estrangeiro.

Aos meus olhos, parece-me óbvio que ninguém queira trabalhar para o estado. Porque raio haveriam de se querer misturar com esta corja que governa o nosso país? Já para não falar na questão de, como o nosso grande e maravilhoso ex-primeiro ministro colocou, se sujeitarem à opinião pública. Basta pensar na questão dos swaps, um produto financeiro complexo que poucos conseguem entender, mas todos ficaram muito revoltados apenas porque se falou disso na comunicação social.

Resumindo, este país encontra-se numa espiral descendente onde a incompetência e o compadrio reinam de onde muito dificilmente conseguiremos sair seja por falta de vontade ou por falta de interesse.

O outro é que tinha razão: "Não sejam piegas e toca de emigrar!!"

 

Ricardo Silva

 

É que é mesmo isto, obrigado Ricardo.

 

Jorge Soares

publicado às 22:28

Salários, João Baião vai ganhar 25000 Euros

 

Imagem de aqui 

 

 

Está a levantar celeuma que o governo se prepare para gastar meio milhão de Euros por ano em salários só para os três principais directores do novo Banco do Fomento, sendo que um deles irá ganhar mais de 13 mil Euros por mês.

 

Assim de repente, num país onde o salário médio anda à volta dos 800 Euros por mês, 13 mil Euros parece um salário exorbitante, é claro que estamos a falar de alguém que terá a enorme responsabilidade de presidir a um banco do Estado.  Podemos também perguntar para que precisa o país de um banco de fomento quando já existe algo chamado Caixa Geral de de depósitos... mas isso é outra história.

 

Pelo que percebi, as três pessoas em questão tinham cargos de relevo em bancos privados e teriam de certeza salários a condizer com a importância desses cargos, sei que muita gente acha que as pessoas deveriam ir trabalhar para o estado com espírito de missão, mas também é verdade que sempre que alguém me vem com essa ideia eu pergunto se a pessoa deixaria o seu emprego para ir para o estado ganhar menos que aquilo que ganha... ainda estou á espera do primeiro que diga que sim.

 

Para vermos como as coisas são relativas, li esta semana que O João Baião vai deixar a RTP para ir trabalhar para a SIC, onde irá ganhar qualquer coisa como 25 mil Euros por mês a apresentar programas de televisão, mais do dobro do que ganhava na RTP. Não vi ninguém escandalizado com isso, 25 mil Euros é quase o dobro do que irá ganhar o presidente do Banco... alguém quer comparar o nível de responsabilidade?

 

Dei por mim a pensar como são relativas as coisas, um entertainer ganha o dobro do presidente de um banco do estado... visto por este prisma o salário do banqueiro parece-me pouco para a sua importância... a menos que os salários se calculem com base no número de vezes que se aparece nas revistas cor de rosa....

 

É claro que a comparação não faz muito sentido, a SIC é uma empresa privada e paga o que entender... mas a RTP é uma empresa Pública e pelo que percebi o salário do Baião seria qualquer coisa acima dos 10 mil Euros... o que evidentemente à primeira vista parece um absurdo... se nos esquecermos que a SIC lhe vai pagar os tais 25 mil ...

 

Tudo na vida é relativo, mas será que queremos mesmo um banco com um presidente que ganhe o salário mínimo ou uma pequena parte do que ganharia nos bancos privados?

 

A minha visão de tudo isto é a seguinte: Tudo depende evidentemente do ponto de vista, mas parece-me que  o que está errado não é o senhor ir ganhar os 13 mil Euros, o que está mesmo muito errado é que o salário mínimo seja uma miséria e a média dos salários do resto dos portugueses sejam os tais 800 Euros por mês.

 

Jorge Soares

publicado às 22:51

"Polícias unidos jamais serão vencidos"

por Jorge Soares, em 21.11.13

Polícias à porta do parlamento

 

Imagem do Facebook 

 

A frase foi repetida muitas vezes durante toda a manifestação que hoje juntou perto de 10000 elementos das forças de segurança em frente ao parlamento.

 

Os últimos orçamentos de estado tem reduzido em muito os orçamentos de todas as forças de segurança, hoje a meio da tarde na Antena 1 alguém dizia que o orçamento para combustíveis na Polícia judiciária será reduzido em 70% com o novo orçamento de estado, e já há quem calcule que a partir de Abril os carros fiquem parados.


Todos estes cortes tem significado uma enorme deterioração das condições de trabalho das polícias e começam a pôr em causa a segurança e o bem estar de polícias e restante população do país.

 

Os polícias também são cidadãos, também tem famílias, para alimentar e como a grande maioria do resto da população, também tem salários baixos e sobretudo, péssimas condições de trabalho... e tem é claro, tanto direito à indignação como qualquer outra pessoa. A manifestação de hoje foi um aviso ao governo, um enorme cartão amarelo, era bom que a mensagem passasse

 

A manifestação terminou de uma forma completamente inédita, pela primeira vez o corpo de intervenção foi ultrapassado e os polícias manifestantes terminaram a gritar consignas no cimo da escadaria... se calhar muita gente esperava mais, mas até aí foi dada uma lição, cumprido o objectivo, a manifestação terminou, sem excessos, sem violência, sem bastonadas, sem arremesso de pedras.... era bom que fosse sempre assim.

 

Jorge Soares

publicado às 21:45

Assim não se cria emprego

por Jorge Soares, em 06.11.13

Estagiária para loja comercial

Imagem do Facebook

 

Infelizmente as situações como a que vemos no anuncio são cada vez mais, há muita gente que se aproveita da crise para abusar, cada dia que passa vão aumentando os relatos de empresas que se escondem por trás da palavra estágio para arranjar mão de obra barata e até gratuita...

 

Estágios não remunerados, empregos a tempo parcial de mais de 30 horas por semana com ofertas de salários de 300 Euros ou menos, ofertas de estágios profissionais em que se exigem conhecimentos e experiência a troco de nada ou de migalhas, tudo isto é o pão nosso de cada dia.

 

Um destes dias numa reportagem da RTP, um empresário da área do calçado explicava que tem dificuldade de encontrar mão de obra, e que até já teve que recusar mais que uma encomenda porque não tem empregados suficientes.

 

-Quanta paga aos seus empregados?- Perguntou a jornalista.

-O salário mínimo! 

 

Se calhar isso explica porque é que não consegue arranjar empregados... mas será que o senhor já se pôs a fazer contas? Quando dinheiro perderá ele com cada encomenda que recusa? Se calhar aquele cliente até arranja quem lhe faça os sapatos e para além daquela encomenda perde um cliente... será que não compensaria aumentar os salários e assim ter a  mão de obra suficiente e qualificada para responder a todos os seus clientes? Será que com mais mão de obra e melhor paga não teria oportunidade de fazer mais e melhor, arranjar mais clientes e mais mercados onde apostar?

 

É claro que com empresários e mentalidades como esta será muito difícil diminuir o desemprego no país, este senhor com esta forma de olhar para os negócios dificilmente sairá da cepa torta. A industria deste país só conseguirá ressurgir e marcar a diferença se tiver mão de obra qualificada e competente e não  será de certeza com baixos salários que isso se consegue...

 

Todo o mundo acha que a culpa da crise é só dos políticos, mas na realidade muito do que se está a pasar também é culpa de mentalidades como esta e de coisas como estas, assim nunca se irá criar emprego e a crise vai durar para sempre

 

Ainda não consegui encontrar o vídeo da reportagem, mas assim que o encontre coloco aqui.

 

Jorge Soares

publicado às 22:34

Pensões vitalicias

Imagem de aqui

 

O governo prepara-se para cortar 15 % do valor das pensões vitalícias aos ex e actuais políticos, num universo de perto de 9 milhões de Euros, isto representará uma poupança de algo mais que um milhão de Euros, uma pequena gota de água nos cortes de mais de 4000 milhões que este governo se comprometeu a fazer.

 

Aplauda-se a vontade de finalmente fazer chegar as medidas de austeridade á classe política, mas tendo em conta que na maior parte dos casos os ex-políticos acumulam as chorudas reformas com cargos no governo, nos partidos ou em empresas privadas onde por norma recebem salários milionários, não seria muito mais justo e proveitoso acabar de vez com estas reformas?

 

É verdade que os 9 milhões que se poupariam continuariam a ser uma pequena gota de água, seria sem duvida um belo exemplo sobre a vontade real do governo e dos políticos em fazer sacrifícios como os faz o resto do país... e se calhar até dava para cortar um pouco menos nos salários da função pública e nas pensões... digo eu!

 

Jorge Soares

publicado às 22:30

Queremos ser o país dos salários de miséria?

por Jorge Soares, em 07.03.13

Salários de miséria

 

Imagem de aqui 

 

Ontem o Primeiro ministro Passos Coelho saiu-se com mais uma ideia brilhante, em lugar de aumentar o salário mínimo deveríamos era de o diminuir, o aumento do salário é prejudicial para o emprego. E deu o exemplo da Irlanda, onde segundo ele, o salário mínimo foi reduzido com resultados positivos. 

 

O que ele se esqueceu de dizer é que na Irlanda o salário mínimo estava acima dos 1400 Euros e diminuiu para algo mais de 1200, qualquer coisa como 3 vezes mais que o salário mínimo de miséria que temos por cá.

 

Tudo isto numa altura em que até os patrões são favoráveis a um aumento, não é difícil perceber porquê, o aumento dos salários significa mais dinheiro a circular e mais disponibilidades para o consumo, que por sua vez farão com que seja necessária mais produção e portanto mais mão de obra... o que significa aumento do emprego.

 

É claro que no caso das empresas exportadoras, o aumento dos salários se traduz em alguma perca de competitividade, mas estas são normalmente empresas que utilizam sobretudo mão de obra qualificada e não pagam de certeza o salário mínimo, pelo que o impacto seria mínimo.

 

Passos Coelho e quem o aconselha, veja-se as declarações de hoje de António Borges, insistem em olhar para o lado,  e insistem em ir contra a corrente, e pelos vistos não há indicadores económicos ou manifestações que lhes façam perceber que a realidade em que todos vivemos é outra muito diferente daquela em que pelos vistos eles vivem. Até agora, para além de conseguirem uma redução do PIB em quase 10% nos últimos 3 anos e de um aumento do desemprego para números acima dos 17%, o que conseguiram eles com esta política cega e teimosa?

 

Estamos há quase três anos a insistir numa política de austeridade e aumento de impostos, os trabalhadores portugueses já perderam um terço do seu salário e estes senhores acham que ainda o devem reduzir mais... querem o quê?, que em lugar de recebermos para trabalhar passemos a pagar?

 

Jorge Soares

publicado às 21:55

Portugal aguenta mais austeridade?, aguenta, claro que aguenta!

Imagem do Pontos de Vista 

 

A imagem acima é elucidativa do efeito que terá o orçamento que agora se discute tão acaloradamente  na Assembleia da República, discussão que para além de zangar as comadres, não serve para nada, todos já sabemos as linhas com que a maioria que nos (des)governa se cose e que à partida o orçamento está aprovado e até benzido pelo presidente da República ,sua nulidade Cavaco Silva.

 

Basicamente este é um orçamento que vai deixar a maioria da população mais pobre e uma grande parte a roçar a miséria absoluta, mas incrivelmente há quem ache que isto ainda não é suficiente.

 

Segundo Fernando Ulrich, o país aguenta isto e muito mais,  é claro que para ele e os amigos dele, o país aguenta sempre mais,  afinal ele faz parte de uma classe social que é imune à crise, porque austeridade ou não, os bancos tem sempre lucro... e só para precaver algum deslize, o estado até está a pagar Juros dos 7000 milhões de Euros que estão guardados só para eles.

 

Mas não é só este senhor que acha que aguentamos mais, hoje ficamos a saber pela boca do Primeiro Ministro Passos Coelho, que no caso das coisas correrem mal, ou seja, se alguém se enganou a fazer as contas ou se afinal não lhes apetecer cortar nas gordurase mordomias,  já há um plano B que irá cortar mais 800 milhões nas despesas.... onde diz despesas leia-se salários e subsídios da função Pública.

 

Ora, como todo o mundo sabe que estes senhores não são lá grande espingarda a fazer contas, está mais que visto que lá para Março ou Abril, vamos mexer o boneco despido para a esquerda da imagem acima e colocar no lugar dele um esqueleto... é porque com mais cortes, é nisso que nos vamos converter todos os portugueses, em esqueletos ambulantes... bom, todos não, que os Ulrich e passos Coelho desta vida vão continuar a viver a sua vidinha na maior... como se não fosse nada com eles.

 

Ó senhor Primeiro Ministro, e em lugar de depenar mais este povo que já não tem por onde espremer, não dá para ir buscar os 800 Milhões aos 7000 que estão guardados para a Banca?... olhe que ainda sobram mais de 6000.

 

Jorge Soares

 

PS: por motivos que já lhes contarei lá para o inicio da semana que vem, desde hoje e até Domingo o Blog entra em modo automático... portem-se mal e arejem-me a casa.

publicado às 20:49

A saudade é uma treta

por Jorge Soares, em 22.10.12

A saudade é uma treta

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Os comentários àquele post da Mónica e do Pedro deixaram-me a pensar, talvez porque nunca me senti verdadeiramente de lado nenhum, como dizia há uns tempos, já vivi em tantos sítios que aprendi que as coisas e os lugares são bons enquanto lá estamos e o melhor que temos a fazer é aproveitar para viver porque quem sabe quanto tempo pode durar.

 

Saudade é uma palavra portuguesa que dificilmente tem tradução noutras línguas, de vez em quando dou por mim a pensar que é mesmo só isso, uma palavra,  e as palavras só existem na linguagem quando são necessárias para identificar algo... Ora, se saudade  não existe em mais nenhuma língua deve ser porque mais ninguém sentiu necessidade de a inventar.

 

Digo muitas vezes que só temos saudade do que já vivemos  e acrescentaria  também que só temos saudades do que nos preencheu, do que foi bom.... ter saudades não tem nada de mal, o problema está quando tudo isso em lugar de se tornar algo positivo, se torna numa âncora que nos prende ao passado e nos impede de avançar... e mau mesmo é quando ainda nem estamos a passar pelas coisas e já temos saudades do que ainda nem deixamos para trás... porque por norma isso faz com que nem demos o primeiro passo... e não caminho nenhum que se consiga percorrer se não se dá o primeiro passo.

 

Voltando aos comentários do post e a muitos outros comentários que li por aí, faz-me alguma confusão que as pessoas achem que jovens que estão a iniciar a sua vida possam preferir ficar em Portugal, mesmo que isso signifique muitas vezes ficar a 400 ou 500 Kms de casa e possivelmente desterrados numa qualquer pequena cidade do interior, a aproveitar uma oportunidade de ouro num outro país, onde poderão conhecer outra cultura, outras realidades e outras formas de viver e trabalhar e onde ainda por cima vão ter todas as vantagens e mais alguma a nível salarial e profissional.

 

Há quem argumente que é outro país, não o nosso.. sim, e isso é mau porquê? Qual é mesmo a vantagem de se ficar por cá? Aquele grupo de jovens era todo do norte, há quem argumente que pelo mesmo salário eles prefeririam ficar em Portugal mesmo que fosse longe da família.. A sério? E qual era a vantagem de a ganhar o mesmo ficarem num hospital em Bragança?, ou em Évora?, ou em Almada?, ou na Amadora?  Ou em Sagres, Ou em Vila Real de  Santo António? Qual seria o jovem inteligente que sabendo as condições em que se trabalha em Portugal preferiria ficar por cá a aproveitar uma oportunidade de ir viver noutro mundo?

 

Já sei, a saudade, o nosso país, a nossa gente... tretas, se há coisa que aprendi quando os meus pais emigraram e se fizeram à vida do outro lado do Atlântico é que o nosso país é aquele que nos dá uma hipótese de viver, o que nos deixa ganhar a vida com dignidade, o que nos dá hipótese de querer e de poder... o resto é folclore, uma coisa engraçada mas que dificilmente alimenta alguém.

 

Jorge Soares

publicado às 22:02


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