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Postais de Cabo Verde 2

por Jorge Soares, em 11.02.10

Crianças com carrinhos de arame em Cabo Verde

Imagem minha do momentos e olhares

 

No Postal anterior falei da Cidade, mas como devem imaginar não nos ficamos  pela Praia, até porque a nossa D. vem mesmo lá de bem do interior. Hoje vou tentar deixar neste postal uma ilustração do que é o interior da ilha.

 

A Primeira saída foi à cidade velha, que é um lugar que tem muito de velho e de cidade,.... nada. Frente a uma pequena baía e uma praia de rocha negra, há um largo com um cruzeiro, um restaurante, um posto de turismo e algumas, poucas casas. Algures, há muito tempo, foi ali a primeira capital de Cabo Verde e um importante entreposto, de esses tempos e para além do cruzeiro onde ainda estão as argolas onde prendiam os escravos, restam algumas ruínas entre as árvores. Dispúnhamo-nos a visitar as ruínas do convento e da pousada, que ficam umas centenas de metros para o interior, quando reparei que alguém nos seguia, à primeira vista fiquei preocupado, era um lugar ermo e solitário. Quando estávamos prestes a chegar ao nosso destino, o homem abordou-nos, para ver as ruínas tínhamos que pagar...  mais ou menos 5 Euros cada um.... não pagamos, limitamo-nos a dar meia volta, achei um enorme exagero pagar 5 Euros para ver o que já estávamos a ver desde o caminho e que não era mais que muros de pedra a delimitar uma zona com árvores de manga.

 

A Segunda vez fomos ao lado norte da ilha ao lugar de onde vinha a D., é uma viagem de uma hora que dá para ver que quanto mais nos afastamos da cidade mais distante ficamos do mundo que conhecemos. A velha estrada dos  tempos coloniais é de paralelos e vai passando pelos vales que agora estão secos, mas que aqui e ali estão salpicados de pequenas plantações, é de aqui que o ano inteiro saem os vegetais que alimentam o mercado do Plateau. Junto à estrada um campo de milho e feijão, com vacas muito magras a alimentar-se do que resta da palha seca...e balizas de futebol. Para aproveitar a época das chuvas até o campo de futebol é plantado. Mais à frente uma porca com 3 ou 4 leitões atravessa a estrada em frente a uma pequena casa, mais à frente um grupo de crianças com 3 ou 4 pilões moem o grão à beira da estrada ...e por todos lados, crianças, muitas crianças... e pobreza, e miséria, muita miséria....e um enorme nó no coração, porque há alturas da vida em que não podemos ser mais que aquilo que somos.

 

No Sábado, quando  já estava tudo tratado e finalmente tínhamos alguma paz de espírito fomos convidado para ir à praia. Por volta da hora do almoço chegaram os pescadores que tinham saído a meio da noite, cada um em seu barco a remos. Os peixes são de um colorido que nunca tinha visto, vermelhos, amarelos, azuis, mas são poucos... muito poucos para quem passou 12 horas no mar a remar, na praia esperavam as mulheres e as crianças que iriam vender o fruto da pescaria. 

 

Entre o peixe havia algumas moreias que eu nunca tinha provado, e passados uns minutos chegou uma dose de moreia frita, que foi das coisas mais deliciosas que já comi.

 

E de novo fiquei com vontade de lá voltar, com outro tempo e outro espírito, porque há lugares que nos encantam, pela sua beleza, pelas suas pessoas e pela sua simplicidade.

 

Jorge Soares

publicado às 21:23

Postais de Cabo Verde

por Jorge Soares, em 09.02.10

Achada de Santo António, Praia, Cabo Verde

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Normalmente enviamos os postais quando nos encontramos nos lugares... eu até fui carregado com o portátil, afinal vivemos na era da internet e estamos sempre comunicáveis desde qualquer lugar.... bom, mais ou menos. Este será portanto um postal especial, porque é enviado desde o conforto da sala da minha casa... um postal em que para além de vós, também eu estou à distância do lugar e do momento.... mas não deixa de ser um postal.. veremos se o consigo ilustrar.

 

É difícil descrever a cidade da Praia, a primeira impressão é que está tudo a meio construir: as ruas, os prédios, as casas, e o que não está meio construído, está degradado e a precisar de obras. As ruas são de paralelepípedos e exceptuando as mais centrais, os passeios são de terra ressequida. Mas mesmo assim a cidade é limpa, não há lixo pelo chão nem pelos cantos.

 

As pessoas são simpáticas e por norma recebem bem, mas a vida é para levar com alguma calma, o stress é algo que existe algures na Europa, não no centro do atlântico.

 

Quando andamos pela cidade a sensação com que ficamos é que a Praia é a cidade dos serviços e repartições públicas, porta sim porta não há algo ligado ao governo, o comercio tradicional há muito que deu lugar às lojas dos chineses e para além delas pouco mais há, ainda hoje me pergunto de que vive tanta gente.

 

Fazendo jus ao seu nome, é uma cidade que fica frente ao mar, mas ao contrário do que se possa pensar não é uma cidade virada para o mar, apesar dos 24 ou 25 graus da agua do mar, as praias estão descuidadas e raramente se vê lá alguém, não há um porto e os raros pescadores que vi andavam aos pares em barcos a remo.

 

As coisas nos supermercados são caras, os produtos são os mesmos de cá e aos preços de cá ou mesmo mais caros, os restaurantes são a baratos, sendo que os mais caros são a preços de restaurantes médios de cá, come-se excelente peixe... mas lá está, não tenha pressa.

 

Depois há coisas que nos colocam os cabelos em pé, precisamos de vários documentos do tribunal, sentenças, autorizações, certidões, não houve um único que saísse bem à primeira, ou eram os nomes trocados, ou as datas, ou ambas as coisas, tudo vinha e voltava para ser corrigido e depois voltava, com outros erros... para nós que precisávamos dos documentos com tempo para entregar na embaixada e tratar de vistos e autorizações, era de arrepiar,... 

 

A internet no hotel era cara, muito cara, 6 Euros à hora, dispus-me a pagar....  é claro que wireless a funcionar só na recepção e ali à volta, funcionava.... mas muito lentamente, demorei 35 minutos a colocar uma dúzia de fotografias online e enviar um mail... e lá se foram as minhas ideias de escrever uns posts.... além de que no segundo dia, qualquer tentativa de utilizar o mail esbarrava numa página de sites bloqueados... desisti de vez.

 

Mesmo assim, eu gostei, e quero lá voltar, com tempo e disposição para desfrutar da paz e do clima.

 

Fotografia do Largo que fica em frente à Embaixada Portuguesa na Achada de Santo António, ao fundo vemos o edifício da Assembleia nacional de Cabo verde

 

Jorge Soares

publicado às 21:44


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