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José Cid, Nuno Markl e a ditadura do Facebook

por Jorge Soares, em 31.05.16

josecid.jpeg

 

Imagem do HenriCartoon

 

“Essas pessoas do Portugal profundo já deveriam ter evoluído. Tenho discussões com pessoas que nunca viram o mar e nunca foram ao Pavilhão Atlântico… Pessoas assim, medonhas, feias, desdentadas…”

José Cid numa entrevista com Nuno Markl algures em 2010

Retirado de aqui

 

Algures em 2010 José Cid deu uma entrevista ao Nuno Markl, para além da frase (parva) copiada  acima, e muito ao seu estilo, Cid teceu alguns outro comentários ao mesmo nível sobre Trás os montes, os transmontanos e a música que se faz e ouve para lá do Marão. Markl  e quem estava no estúdio riu-se, presume-se que da estupidez das frases.

 

Não me lembro de na altura alguém ter dado pela entrevista e pela pouca sensatez do que foi dito por José Cid, passados seis anos o canal Q, não sei se com ou sem conhecimento do Nuno Markl, decide repor no ar a dita entrevista e em pouco tempo ficou o caldo entornado.

 

Como quem não se sente não é filho de boa gente, os transmontanos em peso tocaram a rebate e reagiram, foram cancelados concertos de José Cid em Alfândega da Fé, tanto Markl como o cantor se desdobraram em explicações e pedidos de desculpa, a conta do Facebook de José Cid teve que ser encerrada dada a avalanche de comentários, insultos e até ameaças de morte, e Nuno Markl cansado de lutar contra a maré enchente de comentários pouco abonatórios e ameaças, esteve a ponto de fazer o mesmo com a sua.

 

Como é que uma entrevista que em 2010 passou incólume levanta tanta poeira 6 anos depois? A razão chama-se Facebook. Em 2010 praticamente ninguém utilizava o Facebook, quem na altura viu a entrevista terá ficado mais ou menos indignado mas a coisa não passou de aí. 

 

Em 2016 existe a ditadura do Facebook, basta um transmontano ver a entrevista e fazer eco da mesma, para que nos minutos a seguir centenas tenham ouvido falar do assunto e em dois ou três dias a coisa virar assunto nacional e ser falada por todos os meios de comunicação.

 

Além disso, o facto de não se estar cara a cara faz com que até o mais tímido vire de um momento para o outro o mais valente dos indignados e a diferença entre a indignação e o insulto fácil e ameaçador é nestas alturas muito ténue.

 

José Cid e Nuno Markl são figuras públicas, deviam saber que na época em que vivemos tudo o que dizem ou fazem tem consequências, ser-se figura pública e viver-se de e com esse estatuto tem evidentemente vantagens e desvantagens. 

 

A entrevista foi feita há seis anos, numa altura em que não se vivia debaixo do big brother do Facebook e em que o eco e as consequências das palavras não tinham a dimensão que tem agora. Se  tivesse sido gravada em 2016 aquelas afirmações teriam sido feitas da mesma maneira? Não há como saber... mas aposto que a partir de agora o canal Q vai ter mais cuidado com o que repõe.

 

Vivemos na época da comunicação, a informação e o conhecimento estão ao alcance dos dedos de todos nós, mas por outro lado tudo o que fazemos, escrevemos ou dizemos, torna-se publico em segundos e não há como apagar ou esquecer. O Facebook e as redes sociais são a pior das ditaduras e ao contrário das  de antigamente, aqui não há clandestinidade ou asilo que nos valha... há sim que aprender a viver com isso.

 

Jorge Soares

PS: E sim, eu também acho que o José Cid estava a ser idiota quando decidiu falar assim de Trás os Montes e dos transmontanos... 

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publicado às 23:04

A indisciplina na SIC

por Jorge Soares, em 27.04.16

baixa.jpg

 

 

Imagem do Facebook

 

Suicidou-se e está com baixa médica, será que a segurança social envia o cheque com o pagamento da baixa para a nova morada no cemitério?

 

A reportagem era sobre indisciplina na escola, aposto que quem escreveu isto era dos que passava muito tempo na rua em vez de estar nas aulas.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:57

aviagem.jpg

 

 

Imagem do Facebook 

 

Curiosamente descobri a reportagem porque alguém  ligou para a R. a dizer que ela estava na televisão, ela é a que não é adoptada mas a vida é feita de coincidências. O programa foi gravado em época de férias universitárias e tiveram que arranjar miúdos para estar na aula com o Jorge, ela andava pelo ISEL naquela altura e lá foi fazer de aluna universitária.

 

A mim, como à maioria das pessoas que adoptou faz-nos sempre muita confusão ver como há pessoas que aceitam expor daquela forma a sua vida e nesta reportagem há muita gente que se expôs, o Jorge, os pais adoptivos, os pais biológicos... mas não era disso que queria falar.

 

Querer saber do seu passado e das suas origens é algo natural em todas as crianças adoptadas, mais tarde ou mais cedo todos passam por isso e é algo para o que os pais adoptivos temos que estar preparados. Cada criança é um caso e cada uma enfrenta o assunto de forma diferente, havendo quem comece a questionar mal dá  pelas diferenças e quem tente fugir ao assunto de modo a que ele não exista.

 

Cá em casa temos as duas versões, o curioso que chegava ao ponto de quando se chateava dizer que ia para a outra família e a que simplesmente ignora o assunto e até foge quando se fala de adopção.

 

A reportagem pode dar a ideia errada de que não é difícil encontrar os pais adoptivos, convém recordar que a grande maioria das crianças são retiradas à família biológica e muitas  vezes não há mesmo forma de saber de onde vieram, porque com o tempo as pessoas mudam de vida e de sitio e perdem-se as referências ou porque muitas vezes os pais adoptivos ou não sabem ou não querem dizer que sabem  

 

Aliás, se virmos com atenção, quem termina por encontrar a família do Jorge é a TVI, já agora gostava de saber como lá chegaram, convém recordar que estamos a falar de informação supostamente está protegida por lei.

 

Ninguém quer reconhecer, mas a nós pais este tema é algo que nos causa sempre alguma angustia, afinal é dos nossos filhos que se fala e pensar que eles possam querer saber de outros pais, de outra família, não é algo que se aceite com facilidade. Não há mãe nenhuma que aceite que os seus filhos possam ter outra mãe, a outra senhora, a que os pariu, é a progenitora, não é a mãe, mãe só há uma e essa é a que os criou...  E há mesmo  pais que se puderem evitar não dizem nem aos filhos nem a ninguém que aquela criança é adoptada.

 

Curiosamente isto foi tema de conversa no facebook logo a seguir à reportagem, alguém tentava confortar uma mãe incomodada com o que viu na reportagem, dizendo que o carinho que ela dava aos seus filhos iria fazer com que isso não lhe acontecesse... 

 

A verdade é que podemos dar todo o carinho do mundo, podemos educar e criar, fazer tudo por eles, dar-lhes tudo e todo o carinho do mundo,  mas tal como bem explicava o Jorge na reportagem, nada disso irá fazer a diferença, no fim, mais tarde ou mais cedo todos vão tentar fazer essa viagem.... mas também podemos ter a certeza que passado o momento, vai haver sempre uma volta, porque não há novidade que se sobreponha ao amor.

 

Jorge Soares

 

PS:Quem não viu pode ver aqui

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publicado às 22:22

O melhor do jornalismo em Portugal

por Jorge Soares, em 07.09.15

 

A meio da reportagem (????) alguém brinca com a situação e diz ao espantado estafeta que se calhar era para os apanhados.... será que não era? Eu acho que era, mas o apanhado não era o estafeta, somos todos nós.

 

Que raio de país é este em que a entrega de uma piza às 11 da noite numa casa de habitação tem direito a um directo televisivo de mais de 5 minutos?

 

Isto é jornalismo? A sério? E há jornalistas que se prestam a estas coisas? E pagam-lhes para peças de humor rasca como este?

 

Cá para mim a piza era mesmo o jantar para os jornalistas que agora se mudaram de Évora para Lisboa e como não tinham mesmo nada para dizer, aproveitaram para brincar com o pobre rapaz... ou isso ou o canal é patrocinado pela loja das pizas e isto tudo foi encenado.... com jornalistas destes já acredito em tudo.

 

E um pouco de vergonha e brio profissional senhores jornalistas, não há?

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:07

PedroPinto_TVI_FCPorto.jpg

 

Há excelentes jornalistas em Portugal, em todos os canais e em todas as áreas, depois há os que como este não se importam de levar os seus ódios pessoais e as suas frustrações para o emprego e não hesitam em os mostrar publicamente.

 

Pedro Pinto por terceira vez se aproveitou de estar a apresentar um telejornal para mostrar que tem um (cada vez mais) indisfarçável ódio pelo Futebol Clube do Porto. Pela terceira vez o senhor se aproveitou estar a apresentar noticias sobre este clube para mostrar o que lhe vai na alma.

 

Das vezes anteriores o trocadilho insultuoso tinha sido com o nome do clube, esta vez foi com o nome do treinador Julien Lopetegui que foi trocado para Lopetoqui.

 

À primeira podemos até achar que foi gafe, e até se pode tentar desculpar, mas à segunda e à terceira só podemos mesmo achar que é mesmo uma uma enorme falta de respeito para com o clube, todos os seus sócios e adeptos.

 

Este senhor não tem o mínimo respeito pela sua profissão, a empresa que lhe paga o salário e todos os espectadores que estão do lado de cá do ecrã.

 

Gostava de saber o que acha a TVI do profissionalismo deste senhor e porque insistem em ter na apresentação das noticias alguém que não tem respeito pelos espectadores e que insiste em insultar repetidamente uma boa parte destes.

 

Para quem quiser, dois dos vídeos estão aqui e aqui

 

Jorge Soares

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publicado às 22:22

nigéria.jpg

 

Imagem de Sofia Zambujo

 

De modo algum quero retirar importância ao que se passou em Paris, para mim a liberdade de expressão é algo que não se discute, e por muito que alguns idiotas tentem, nada justifica que se matem jornalistas, polícias ou simples anónimos, em nome de um deus, um profeta, ou uma religião qualquer.

 

As manifestações que juntaram milhões de pessoas em Paris e um pouco por todo o mundo são a prova de que a sociedade ocidental não está disposta a vergar-se  ante ameaças ou actos terroristas, mas não deixam também de ser a prova de que à sociedade ocidental, a todos nós só nos importa o que se passa no nosso quintal ou nos afecta directamente.

 

No mesmo dia em que mataram 12 pessoas no Charlie Hebdo, na Nigéria o Boko Haram numa ofensiva para controlar uma cidade nigeriana matou mais de 2000 pessoas . No dia a seguir, ao mesmo tempo que todos tínhamos os olhos em Paris porque um terrorista fez reféns um grupo de pessoas num supermercado, três mulheres fizeram-se explodir e mataram mais de 20 pessoas.

 

Durante os últimos dias quantas horas de televisão se dedicaram, e se continuam a dedicar, ao que se passou em Paris?... e em quantas dessas horas se falou do que se passa na Nigéria?

 

Todos ficamos a saber que o Presidente da Republica, o Primeiro ministro e a assembleia da República mandaram condolências à embaixada francesa e foram inclusivamente a Paris dar as mesmas em pessoa ao presidente francês, mas alguém ouviu falar das condolências ao governo e ao povo da Nigéria pelas mais de 2000 mortes? São mais importantes as 20 mortes de Paris do que as mais de 2000 da Nigéria?

 

Evidentemente as mortes tem todas a mesma importância, mas à primeira vista parece que há mortes e mortes e assim de repente as que se passam perto do nosso quintal  são mais importantes... pelo menos para os governos ocidentais.

 

Para quem não sabe, Boko Haram significa "contra a educação ocidental", a maior parte das pessoas terá dificuldade em identificar a Nigéria no mapa de África, mas era bom que uma parte dos que agora com tanto ênfase se nomeiam Charlie ( e contra mim falo) tivessem também a noção de que o mesmo fanatismo que em nome de um qualquer deus mata em Paris, também mata todos os dias Na Nigéria, na Síria, no Iraque, no Iémen, no Chade, etc, etc, etc.. e por lá nem é preciso ser jornalista ou cartoonista, por vezes basta estar vivo.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:59

Karl Stefanovic

 

Imagem de aqui 

 

A resposta é nada, Karl Stefanovic é australiano e em conjunto com Lisa Wilkinson apresenta um programa de televisão muito popular na Austrália, o Today. Farto de ver  a sua colega de trabalho avaliada e criticada não pela forma como trabalhava mas sim pela roupa que utilizava no programa, decidiu utilizar o mesmo fato azul de imitação da Burberry todos os dias durante um ano.

 

A verdade é que durante todo esse tempo ninguém fez o menor comentário ao facto, pelos vistos a menos que um homem se vista de maneira espalhafatosa, ninguém quer saber o que eles vestem.

 

Perguntaram a Karl se tudo isto é resultado de sermos uma sociedade sexista, "Não sei se será sexismo, é sexismo quando são principalmente outras mulheres as que julgam e criticam?"

 

"A mim avaliam-me pela forma como entrevisto ou pelo meu péssimo sentido do humor, principalmente pela forma como faço o meu trabalho, as mulheres são muitas vezes avaliadas por aquilo que vestem ou pela forma como levam o cabelo"

 

É a mais pura verdade, seja na Austrália, na Europa ou na América, apesar de tudo o que se tem evoluído, continuamos a ser uma sociedade machista e preconceituosa, principalmente com as mulheres, quando há uma mulher numa posição de relevo, principalmente num lugar com exposição pública, olhamos sempre primeiro para a aparência e só depois para a qualidade do seu trabalho.... já avançamos muito, mas como se prova por este exemplo, ainda há muito caminho para andar.

 

 

Jorge Soares

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publicado às 23:14

Conto - Os benefícios do futebol

por Jorge Soares, em 31.05.14

Futebol

O futebol tem-se revelado, para mim, muito importante, culturalmente, por mais estranho que pareça.
Há dias, à hora das notícias, liguei o televisor para a RTP-1, com a preocupação de saber que amplitude vão ter os novos cortes que o governo vai aplicar às pensões dos reformados. Em vão: estava a transmitir imagens de uma partida de futebol.
Tinha havido uma final importante, a da Taça de Portugal, de que eu vira a 2ª parte. Não ligo muito ao futebol, devido aos aspetos arruaceiros que ele transmite demasiadas vezes. Gosto de ver as partidas relevantes, desde que o desempenho seja leal, pujante e criativo, mas dispenso imagens requentadas…
Mudei para a SIC, com vontade de me esclarecer se eram credíveis as sondagens que davam vantagem, nas eleições de hoje, aos partidos responsáveis pelas governações que nos trouxeram ao pântano e pelas que nos afogaram nele. Em vão: estava a falar o treinador do Benfica, a equipa vitoriosa.
O futebol é um espetáculo visual, cujos bons lances são, para alguns, objetos estéticos. Para mim, é como o sexo: é para praticar ou ver, mas não para ouvir declarações dos intervenientes.
Mudei para a TVI, resignado a ouvir de algum governante mais despudorado que o país está prestes a atingir o alto objetivo para sair da crise que é poder pedir dinheiro emprestado aos “mercados”. Em vão: estava a transmitir a receção/homenagem que a câmara de Lisboa dispensava à equipa vencedora e seus dirigentes.
Espero que não estivesse lá nenhum daqueles intervenientes que às vezes se envolvem em pancadaria. O futebol é uma força relevante em que parte da sociedade se revê, cujos exemplos interioriza e copia e portanto modeladora de comportamentos e atitudes perante o “outro”. As agressões e os tumultos são altamente antipedagógicos e sendo desculpados e, neste caso, premiados, consolidam a mensagem de que é aceitável agredir para evitar um golo ou para reclamar de uma decisão do árbitro.
Mudei para a SIC-Notícias, disposto a espantar-me, como habitualmente, com a criatividade das manipulações, dos esquemas e das subversões que os intervenientes do sistema terão usado para desresponsabilizar, descriminalizar, libertar, e talvez indemnizar o corrupto do dia. Em vão: tratava dum assunto de que já não me lembro, mas logo de seguida passou para a divulgação da lista dos jogadores da equipa portuguesa ao mundial do Brasil. A coisa demorou uns três minutos, mas depois voltou ao Benfica.
Não sem que eu vislumbrasse, de memória, umas cotoveladas no rosto do adversário, um pé em riste à canela ou um bando vociferante à volta de um árbitro. Espero não vir a ficar envergonhado com tal representação.
Mudei para a RTP-Informação, apreensivo com a possibilidade de as potências em conflito já terem feito alastrar a guerra civil a toda a Ucrânia. Em vão: estava a transmitir a festa dos adeptos do Benfica no largo do município.
Acho divertido, mas dramático, que os desgraçados que ganham o salário mínimo ou menos vão a todo o lado vitoriar os seus milionários ídolos, mas pior, vão aos estádios pagar bilhetes de preço proibitivo, que alimentam uma engrenagem financeira que tem aspetos obscenos de desigualdade social.
Mudei para a TVI-24, tentando adivinhar quantos mortos provocara nesse dia a democracia implantada pelos americanos no Iraque. Em vão: estava a decorrer uma mesa-redonda em que um painel de comentadores perorava sobre as escolhas do selecionador nacional.
É inacreditável a quantidade de horas que variados painéis de comentadores conseguem estar a falar de futebol, às vezes de um jogo apenas. Com certeza que têm espetadores, mas tenho dificuldade em imaginar milhares de pessoas em suas casas a prestar atenção a uns tipos que apenas falam de um espetáculo  que é eminentemente visual.
Já sem grandes esperanças de escapar ao futebol, mudei para a RTP-2. Mas não: foi assim que tive oportunidade de assistir a um programa sobre endocrinologia e ambiente e os efeitos nefastos que um ambiente cada vez mais poluído tem tido para a saúde. Muito interessante e pedagógico. Se não fosse o futebol, tê-lo-ia perdido. Só lhe posso estar agradecido!

Joaquim Bispo

 

retirado de Samizdat

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publicado às 21:48

Rui Drumond

 Imagem de aqui

 

O Rui foi um dos participantes do único destes concursos a que assisti  desde o inicio até ao fim, a Operação Triunfo, desde o inicio que se destacou pela voz e pela enorme versatilidade, sempre achei que se havia entre todos aqueles concorrentes alguém com voz e talento para singrar no panorama musical português, seria ele. 

 

Infelizmente estava errado, que eu saiba nenhum dos outros concorrentes, daquele ou de todas as outras versões dos mais variados programas que se lhes seguiram, conseguiu chegar mais longe que aqueles cinco minutos de fama, há quem tenha conseguido gravar discos é verdade, mas nenhum conseguiu aproveitar o embalo para cimentar uma carreira musical.

 

Ontem o Rui foi um dos concorrentes no The Voice Portugal, e como seria de esperar para alguém que apesar de ser mais ou menos na sombra, anda nisto há anos, passou com distinção à fase seguinte. Foi evidente o enorme contraste entre a sua actuação e a dos restantes participantes que na sua maioria eram jovens entre os 16 e os 18 anos.

 

Há uns dias a propósito da participação do Carlos Costa no mesmo programa e fazendo a Ponte com o caso de Berg que venceu o Factor X, Paulo Pinto Ribeiro questionava no Facebook (não encontrei o link) se seria justa a presença de artistas profissionais nestes programas a competir com completos amadores.

 

A questão não deixa de ser válida, Carlos Costa aparte, tanto Berg como Rui Drumond estão num patamar muito diferente dos restantes concorrentes, Berg ganhou com inteira justiça o Factor X e não é muito difícil perspectivar que o Rui é o principal candidato a ganhar esta versão do The Voice ... e tenho até sérias duvidas se ele terá assim tanto a aprender com qualquer um dos mentores.

 

É claro que nos podemos questionar se não lhes deveria ser vedado o acesso a participar, afinal a ideia com que ficamos é que o programa é para amadores... o problema é que se impedíssemos o Rui de participar só ontem teríamos que ter impedido pelo menos mais três concorrentes, todos eles já músicos, incluindo uma miúda de 18 anos que tem uma banda há anos e que até já cantou na Galiza.....

 

Não é dificil entender porque pessoas como o Berg e o Rui Drumond se sujeitam a participar e até a serem exluídos à primeira, o Carlos Costa foi por muito pouco, em Portugal só um pequeno grupo de artistas consagrados conseguem viver da música e construir uma carreira sólida, o resto, e o resto são centenas de músicos, grupos e bandas, e basta dar uma olhada neste blog para ver que é verdade, ou tem outra fonte de rendimentos e a música é pouco mais que um hoby, ou simplesmente desiste, não há como viver da música neste país.

 

O problema é que o talento não é suficiente, o Rui tem 34 anos, a sua primeira participação foi há mais de 10 anos, continua à procura de algo que dê um impulso à sua carreira e faça dele um músico consagrado... tenho dúvidas que esse algo esteja num destes programas, mas acho lícito que ele acredite e portanto se sujeite a ser escrutinado.

 

Há algo de muito errado com a cultura portuguesa, quando pensamos que os Azeitonas só ficaram mesmo conhecidos quando um miúdo foi cantar uma das suas músicas nos Ídolos, ou que a maioria dos portugueses só ficou a saber que existe um grupo chamado Dead Combo quando um americano qualquer veio fazer um programa de culinária a Lisboa, só podemos concluir que há algo de muito errado com a forma como tratamos a nossa cultura.

 

A actuação do Rui:

 

 

Jorge Soares

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publicado às 23:06

Adopção

 

Cada certo tempo recebo um destes mails, normalmente de alguém de um dos programas da manhã ou da tarde, de inicio ainda respondia, pedia desculpa mas não tenho feitio para algumas coisas, ultimamente  na maior parte das vezes já nem respondo, cansa ver os temas sempre apresentados e tratados da mesma forma e quase sempre da forma errada.

 

Hoje chegou mais um desses mails, chamou-me a atenção o seguinte:

 

"Naturalmente, e sabendo um pouco as dificuldades que existem em todo o processo de adopção, gostaria de saber se conhece alguém que esteja, neste momento, à espera de adoptar e que o processo parece não avançar. 

 

A nossa intenção é demonstrar a dificuldade e as burocracias por que passam as famílias que gostariam de adoptar e a força que têm para lutar por algo que, em última instância, estará a ser benéfico para uma criança que vive institucionalizada . Naturalmente, e dada a natureza do referido tema, seria pertinente termos testemunhos de "pais" que estejam, de facto, à espera há muito tempo (mais de um/dois anos)." 

 

Notem o detalhe do "pais" entre aspas. Não resisti e respondi o seguinte:

 

Já passei por dois processos de adopção e a verdade é que há muito pouca burocracia num processo de adopção, um questionário, duas entrevistas e uma visita domiciliária não são muita burocracia. Estamos a falar  da vida de crianças e isso não pode ser visto de animo leve, as avaliações devem ser o mais exaustivas e rigorosas possíveis, aliás, a julgar por alguns casos que vamos conhecendo de vez em quando, se calhar não são o suficientemente rigorosas e exaustivas.

O que faz com que os processos sejam demorados não é a burocracia ou o mau desempenho da segurança social, o problema é que em Portugal há muitos mais candidatos a adoptar, quase 4 mil, do que crianças cujo projecto de vida seja a adopção. A verdade é que em Portugal, feliz ou infelizmente, não há crianças para adoptar.

Há sim em Portugal  muitas crianças institucionalizadas, mais de oito mil, o problema é que 95% destas crianças estão entregues à guarda do estado mas não estão nem nunca estarão para adopção. Aquela ideia de que há muitas crianças à espera de uma família é um mito, uma mentira que é muitas vezes alimentada de forma errada pelas pessoas e pela comunicação social.

Destas crianças todas há algumas, perto de 500 que estão à espera sim, mas são aquelas que não são desejadas por ninguém, aquelas que não estão nos ideais nem nos sonhos dos mais 4000 candidatos de que falei acima. Crianças com mais de 10 anos, crianças com doenças crónicas, crianças deficientes, fratrias de irmãos, crianças de cor, crianças ciganas, etc. Crianças como a do caso de que falei aqui, que apesar de eu ter publicado a carta duas vezes e de esta ter chegado a dezenas de blogs e milhares de pessoas, por aquilo que sei, continua à espera de alguém disposto a amar.

Querem fazer um programa interessante? e desde já disponibilizo-me para participar, façam um em que se dê a voz a estas crianças, um programa em que se confrontem os candidatos que dizem que o processo é moroso e burocrático, com estas crianças e com a sua espera, afinal qualquer uma delas pode fazer com que o processo em lugar de durar anos ou meses, dure dias.

Desculpem o desabafo

 

Jorge Soares

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publicado às 23:16


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