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Jovens para sempre custe o que custar?

por Jorge Soares, em 10.02.15

umaThurman.jpg

 

 

Imagem do El País

 

Duvido que exista muita gente que não olhe para a fotografia acima e não ache que a senhora da direita é mais bonita e até mais jovem que a da esquerda. É difícil de acreditar mas ambas as fotografias são da actriz Uma Thurman, não consegui perceber quanto tempo terá passado entre ambas as imagens, mas a senhora é noticia precisamente porque as mudanças, mais que evidentes, aconteceram em muito pouco tempo e presume-se que terão sido o resultado de cirurgias estéticas.

 

Curiosamente a actriz tinha declarado mais que uma vez ser contra este tipo de retoques estéticos, pelos vistos não foi capaz de resistir às marcas da passagem do tempo.

 

Vivemos numa época em que para a maioria só as aparências contam, principalmente para quem (também) faz do seu palminho de cara o seu modo de vida, mas não deixa de ser difícil de entender como é que alguém se sujeita a uma alteração de tal modo significativa que em lugar de parecer mais jovem aconteça precisamente o contrário, como na minha opinião aconteceu neste caso. 

 

Será que a senhora tem espelhos em casa? E será capaz de olhar para eles e reconhecer-se naqueles estranhos olhos rasgados que não tem nada a ver com a essência da mulher lindíssima que todos nos habituamos a ver nos ecrãs do cinema e da televisão?

 

De resto Uma Thurman não é caso único, há muito mais gente a querer fintar a passagem do tempo recorrendo ao bisturi, infelizmente também cada vez são mais os casos em que o resultado está longe de ser abonador e são cada vez mais os casos em que deixamos de reconhecer as formas familiares para passar a ver rostos que estão algures entre um balão cheio demais e um extraterrestre.

 

Eu percebo que seja difícil aceitar que já não somos jovens, mas valerá mesmo a pena tentar ir contra a natureza custe o que custar?

 

A juventude devia ser algo que levamos por dentro, não algo que se vê ao espelho.

 

Jorge Soares

publicado às 22:56

Conto - Fuga do tempo em fragmentos roubados

por Jorge Soares, em 15.03.14

Fuga do tempo para fragmentos roubados

 

Um belo dia, senti que fiquei sozinha. Foi quando, naquela luminosa manhã, abri a janela e o sol entrou. Olhei pra mesa onde faltava ele, faltava ela... Faltavam tantos eles e elas!

 

Ouvi batidas na porta. Era o tempo. E, antes que começássemos a eterna discussão sobre quem passou ou não passou, resolvi que iria sair por aí, levando minha vida debaixo do braço.

 

Mas não vou parar em cada esquina não – pensei. Apenas caminhar, caminhar, caminhar, sem saber aonde chegar. Sim. Caminhar contra o vento, sem lenço nem documento. Deixar a vida me levar e soltar a voz nas estradas sem querer chorar.  Ver manhãs com gosto de maçãs, ver e ouvir o despertar das montanhas por onde eu passar e gritar: “eu quero amar, eu quero amar, eu quero amar...” Quem sabe, numa tarde silenciosa, eu chegue em Lindoia e veja o sol morrer tristonho, embora eu bem o preferisse risonho. Vou me sentar e pedir ao meu sonho que vá buscar quem mora longe e, como ele não buscará, vou me contentar em ver a dança das flores no meu pensamento, lembrando-me de momentos iguais aqueles em que eu o amei e de palavras iguais aquelas que eu lhe dediquei. Repetirei que eu sei e que talvez ele saiba que a vida quis assim, mas que, apesar de tudo, ela o levou de mim. Vou tentar me convencer de que quem anda atrás de amor e paz não anda bem, porque na vida quem tem paz amor não tem. Quando a noite chegar, vou olhar para a lua branca, cheia de fulgores e de encantos, pedir-lhe que me dê abrigo, não sem antes indagar: “quem sabe se ele é constante e, mesmo tão distante, se ainda é meu seu pensamento”.  Antes de adormecer, vou pisar no chão salpicado de estrelas e, espalhando meus olhos pela plantação, vou lembrar que amanhã será um lindo dia, cheio da mais louca alegria. Sim, porque amanhã quero ir para o mar e quando eu pisar na areia ele vai serenar. Vou olhar para a jangada saindo ao raiar do dia e para o barquinho que vai enquanto a tardinha cai. Vou, vou sim, porque lá na beira do mar, todo mar é um. Talvez lá eu me esqueça de que o Brasil mostrou sua cara e sua cara me assustou. Talvez lá eu me esqueça da gente que deveria se indignar e não se indignou. Talvez lá eu consiga evitar a dor que me aperta o peito pelo despeito de não ter como lutar. Talvez eu lá me esqueça de querer vingança e vingança aos santos clamar. Então vou deixar isso de lado, juntar tudo o que é meu, não seu, e recomeçar tudo de novo. Caminharei pra beira de outro lugar ou pra dentro do fundo azul. E lá irei eu pela imensidão do mar, ou voltar a andar, andar, andar até encontrar... O que? Sei lá, não sei, este vazio é tão grande que nem sei como explicar. Ah, não vou me esquecer de pisar em folhas secas caídas de uma mangueira. Pedirei à tristeza que, por favor, vá embora, não vou querer saber da minha alma que chora e, se ela insistir, lembrarei que a vida é tão linda que não pode se perder em tristezas assim. Vou olhar para a rosa na janela, não para me queixar, mas para lhe dizer: “ah, se todos no mundo fossem iguais a você!” Muito provavelmente vou querer conversar, comigo mesma, é claro. E, de conversa em conversa, vou me perguntar o por quê de meus olhos tão fundos, ao que responderei que guardo, senão toda, pelo menos boa parte da dor deste mundo.  Vou me perguntar se não vou voltar. Direi que sim. Sim, vou voltar, sei que ainda vou voltar para o meu lugar, mesmo sabendo que o meu lugar bem poderia ser por aí. Mas, antes de voltar, recordarei as três lágrimas que derramei nesta vida. A primeira quando minha vida se complicou. Éramos então duas crianças, cheias de vida e esperança. Lembro-me bem do seu olhar espantado quando me roubou um beijo bem roubado e uma lágrima dos olhos me rolou. A segunda, quando minha vida desmoronou. Tínhamos mais vinte anos, mágoas, saudade e desenganos. Ele me olhou com aquele olhar esquisito, surpreso, tão aflito! E uma lágrima dos olhos me rolou. A terceira, quando minha vida se acabou. Vinha pela rua amargurada, quando ouvi o seu chamado. Lembro-me só que, do nosso olhar, fugira a meiguice. Agora era apenas a velhice e uma lágrima dos olhos nos rolou.

 

Enfim, e por fim, nessa tristeza que vai, nessa tristeza que vem, com os olhos cansados de olhar para o além, sei que vou acabar sentindo saudade, uma torrente de paixão que me trará de volta para este lugar todinho meu. Esta casinha pequenina onde nosso amor, que nem aqui nasceu nem aqui morreu, aqui ficou encantado e cantado em versos fragmentados como estes roubados, sem qualquer pudor.

 

Despertei do meu devaneio, assustada com as batidas na porta, agora cada vez mais fortes. Afastando uma mecha de cabelos que teimava em me cair sobre a face, suspirei fundo: - Que viagem! E tudo para esquecer esta vida inexplicável. Tudo para fugir do tempo que, implacável e inexorável, esmurrava a porta.

 

Levantei, sacudi a poeira e, dando a volta por cima, criei coragem, deixando-o  entrar. O tempo não se fez de rogado, Entrou e me sorriu. Entreguei os pontos. Não iria mais discutir, nem resistir. Afinal, não era ele o senhor da razão? Deixei que ele dançasse e girasse à minha volta, repetindo cruel o seu refrão: eu passara, ele não.,. 

 

Cecília Maria De Luca

 

Retirado de Samizdat

publicado às 21:54

Ziferbalt

Imagem de aqui

 

O que pensaria de um café onde em lugar de pagar o que se consome, se paga pelo tempo que se permanece lá dentro? Um lugar onde à entrada entregam um pequeno relógio aos clientes, estes estão lá dentro o tempo que quiserem consomem o que entenderem entre o que está disponível e no fim paga-se pelos minutos que marca o relógio. O preço ronda os dois Euros à hora.

 

À primeira vista parece uma ideia maluca, mas acredite ou não é um conceito que já existe e que pelos vistos está a ter sucesso, já está em 11 locais, 9 na Rússia, um na Ucrânia e o último em Londres, chama-se Ziferbalte fica no 388 Old St., esquina con Shoreditch High Street,

 

A ideia ocorreu ao jovem Russo Ivan Mitin e o objectivo passa por criar lugares onde as pessoas possam socializar sem pressas e sem preocupações. Tudo começou quando ele abriu na Rússia uma especie  de café literário  onde se faziam gratuitamente tertúlias sobre literatura e poesia, a ideia inicial era a de que os participantes ajudassem a manter o local à base de donativos, como os donativos não eram suficientes para manter o negócio aberto, começou a cobrar pelo tempo e o conceito tornou-se um sucesso que já dá emprego a mais de 200 pessoas.

 

Segundo Ivan a sua filosofia é: "As pessoas não tem que pagar pelo consumo, nós pagamos o local, as pessoas pagam pelo tempo, é tudo uma questão de participação"

 

Há um pequeno detalhe, os empregados não estão lá para servir as pessoas ou atender pedidos, quem quer café ou tomar o pequeno almoço tem que o preparar.

 

Resta a questão de sabermos porque é que havemos de ir tomar o pequeno almoço a um lugar onde temos que pagar para sermos nós próprios prepará-lo ... em casa de certeza que é mais barato... em contrapartida a internet é gratuita.

 

Anda muita gente à procura de ideias para mudar de vida, que tal esta? Será que a moda podia pegar por cá? 

 

Jorge Soares

 

publicado às 22:17

O tempo

 

 Imagem minha do Momentos e Olhares

 

O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

Mario Quintana

 

Setembro de 2012

Jorge Soares

publicado às 17:52

Conto - Sob os escombros

por Jorge Soares, em 17.11.12
Sob os escombros

Lembrança é vida soterrada.Escondida sob escombros fundos, onde a dor se acomoda em letargia e desistência por um tempo longo demais, curto demais.

Conveniência? Ou seria medo o que nos faz insistir no esquecimento?Sofrer é hábito descuidado. E a gente nem percebe há quanto tempo não sente alegria. Ou paixão. Ou vontade. Ou qualquer coisa que aqueça o coração. Segundos, anos... Quanto tempo se leva sendo triste? 

Tornar-se infeliz é bordado lento. É como poeira nas roupas, que se assenta em camadas finas, toldando o viço, deturpando os fios da trama. 
Ser triste leva uma vida. A vida que depois a gente esconde na memória. E pensa que esqueceu.
Um fim de tarde magnífico se debruçava sobre o mar de ondas soluçadas. Na areia, um pedaço de jornal que dançava sob a regência da brisa chamou a atenção de Salvatore, exumando memórias inesperadas e dolorosas. Apanhando a folha bailarina enroscada em seus pés, olhou em volta, procurando o passado.
Inês corria pela praia atrás do jornal que lhe fugira das mãos. Segurando o chapéu para que não voasse como as folhas, pareceu a Salvatore, num primeiro e divertido olhar, que tentava arrancar a própria cabeça.
–– Melhor voarem as notícias do que o cérebro! — caçoou ele.
–– Como? –– interpelou-o a moça, séria.
–– Deixe que eu pego o fujão –– disse ele, prosseguindo com a troça.
–– Agradeço, mas dou conta sozinha! –– respondeu a jovem, altiva.
Mas antes que um ou outro alcançasse o jornal, o papel fujão decidiu por vontade própria ir parar aos pés de Salvatore.  
–– Agora, não se pode negar: ele gosta de mim –– provocou-a, bem humorado.
Cedendo ao sorriso sedutor daquele homem charmoso, Inês aproximou-se dele, aderindo à brincadeira.
–– Ingrato! Eu o compro, eu lhe faço companhia e ele me abandona assim, pelo primeiro estranho!
–– Onde está o estranho? Vamos, diga-me onde está que eu o ponho daqui para correr! –— disse ele, fingindo procurar ao redor algum intruso.
Em seguida, estendeu a mão forte e apresentou-se a ela:
— Salvatore Rossetti.
–– Inês Santana –– respondeu ela.
As mãos de Maria Inês eram conchas quentes e macias, e o sorriso fez com que ele prestasse a atenção aos dentes benfeitos. Achou-a tão linda que, ainda no cumprimento, sentiu-se tomado por um abobamento incontrolável. Tentou recompor-se, mas era tarde demais. Inês tomou-lhe a vida naquele mesmo instante.
A diferença de idade entre os dois era de dez anos. O que não seria muito, não fosse a vida desregrada que Salvatore levara até conhecê-la, que o tinha transformado em um cínico, um mundano. Sentia-se velho. E tinha medo de magoá-la. No entanto, ali, à beira-mar, Inês se tornou um cais. E ele foi deixando, aos poucos, de ter medo. Do tédio que lhe tomaria os sentimentos quando cessasse o êxtase. De outras carnes que lhe atrairiam o desejo quando findasse nas dela o frescor da mocidade. Da irritação que sentiria, numa manhã de domingo, quando um “por favor”, um “me ajude” o desconcentrasse da escrita dos textos. Esqueceu-se apenas de ter medo de que ela deixasse de amá-lo quando ele voltasse a ser o homem que o habitava antes.
Inês, contudo, o surpreendeu. Cedeu e impôs-se a seus caprichos em igual medida. Agradou-o com carícias; respeitou-o com silêncios. Ela o fez feliz. Como ele nunca tinha sido. Como jamais seria. Mas ele se cansou de ser feliz. Enjoou-se das manhãs, das tardes e das noites perfeitas. Aborreceu-se com a repetição das horas. Desprezou o amor maduro que ela lhe oferecia. E só descobriu que era inverno quando viu a neve em seus próprios cabelos.
Quando partiu, não se voltou uma só vez para saber da tristeza de Inês. Não se despediu dos quadros que acenavam suas tintas enfraquecidas pelos anos, nem revidou ao relógio que marcava “É tarde!”.
Memória é vento que se encolhe com frio de si mesmo; tormenta que se guarda para um próximo açoite. É linha que costura na alma, em ponto miúdo, todos os choros, todas as belezas, toda a rebeldia. E repousa, e repousa, e então desperta. Esparrama-se em rajadas. Como um pulmão que expele. Para não sufocar.
A lua fazia desenhos na água. A brisa assediava Salvatore, despenteando-lhe os cabelos ainda fartos. Ele não queria ir embora. Não de novo. Tudo doía, mas ele gostava da dor. Não sentia remorso pelos anos de liberdade e de excessos, e enfrentava o aperto no peito sem sobressaltar-se. Mas a falta das memórias o atormentava. As memórias de Inês. E a certeza de que, sem elas, não haveria consolo a acompanhar-lhe a velhice.
Precisava vasculhar os escombros daquela casa em ruínas e ouvir o murmúrio dos destroços. Até encontrar as lembranças. Seguiria o sorriso de Inês, deixaria que o rastro da vida soterrada lhe indicasse o caminho. Não descansaria. Não permitiria que a solidão o encontrasse distraído, para que se apossasse do que lhe restava a respirar.
–– Salvatore –– escutou, então, a voz tranquila.
Fechou os olhos e entregou-se ao arrepio que o sacudiu por inteiro. Depois, sentiu que Inês o puxava pela mão e deixou que os seus pés a seguissem. Abriu os olhos para reencontrar os quadros em suas cores vívidas, e olhou para o relógio que marcava “Enfim!”.
A gente pensa que esqueceu. A gente acredita que acabou. Então, a vida se levanta das ruínas. Sussurra. Alcança-nos. E tudo está lá, intacto. Para nos levar além.

Cinthia Kriemler


Retirado de Samizdat

publicado às 22:53

Privacidade, sabem o que é?

por Jorge Soares, em 01.04.12

Privacidade

Imagem de aqui

 

privacidade 

s. f.
Intimidade de pessoal ou de grupo definido de pessoas.



Intimidade pessoal, é isso que se supõe que a privacidade protege, bom, parece que a privacidade anda nestes tempos pelas ruas da  amargura, na época em que vivemos a privacidade já não é o que era.

 

A semana passada foi notícia que há nos Estados Unidos empresas que nas entrevistas pedem aos candidatos a empregos o utilizador e a password do Facebook e quem se nega é evidentemente descartado.

 

Ao invés da Golimix, eu não vejo nesta situação um sinal de que os tempos estão a voltar para trás, vejo sim um sinal de que as empresas estão atentas ao que se passa á sua volta e tentam tirar partido da falta de consciência que a maioria de nós tem sobre as consequências de alguns dos nossos actos.

 

Eu tenho Facebook, não lhe dedico muito tempo, mas o pouco que dedico dá para perceber como a maioria das pessoas não tem a noção de como o Facebook é um livro aberto, desde declarações de amor mais ou menos veladas, a  fotografías comprometedoras, fotografias às claras de família, amigos e filhos, caso especialmente grave quando se trata de crianças adoptadas, há de tudo um pouco.

 

As pessoas não tem noção, mas no segundo a seguir em que colocamos algo na net, já seja num blog, num site pessoal ou numa rede social, não há forma de o esconder ou apagar, e não, o facto de termos o perfil protegido não serve de nada, porque não impede que alguém simplesmente copie o que mostramos e o coloque noutro sitio.

 

É evidente que não concordo nem desculpo estas empresas, mas também é verdade que se queremos privacidade devemos ser nós os primeiros a proteger-nos e a verdade é que a maioria não o faz... e para ser sincero, não sei se quem utiliza o Facebook para espalhar ao mundo a sua vida social, as suas taras e manias, será digno de confiança.

 

Por cá a notícia é que há organismos do estado que na altura da prorrogação dos contratos de quem está a recibos verdes, exige uma declaração de afinidades politicas, económicas e familiares com outros colaboradores e ex-funcionários. 

 

E de repente percebemos que sim que a Golimix tem razão, porque isto nem é uma questão de privacidade, é uma questão de cumprir leis, fazer cumprir o que diz a nossa constituição... e sim, já foi tempo em que neste país não havia liberdade de pensamento ou associação, felizmente há muito que esse tempo passou... o facto de isto aparecer agora é sinal de que ainda há quem tenha saudade desses tempos e muito mais grave, que há quem se aproveite da precariedade de quem está a falsos recibos verdes, muitas vezes há anos, para tomar atitudes destas.

 

Quero crer que isto seja a excepção, assim como uma andorinha não faz a Primavera, também não será uma atitude destas que irá fazer o tempo andar para trás.... não Golimix, não consigo sequer conceber que um destes dias apareça por aí uma nova Pide... tu, eu e muito mais gente como nós, nunca deixaríamos que isso acontecesse.

 

Jorge Soares

 

PS: O Blog vai entrar em modo automático até depois da Páscoa, desejo uma boa Páscoa a todos.. não comam muitas amêndoas.

publicado às 22:02

Whitney Houston, morreu a voz feminina

por Jorge Soares, em 12.02.12

Morreu a cantora Whitney Houston

Imagem do Público

 

E assim de repente sinto-me velho,  esta semana deparei-me com uma fotografia de Meryl Streep com a cara da sessentona Margaret Tatcher e fiquei a pensar que as estrelas também envelhecem, hoje dei de cara com a notícia de que Whitney Houston apareceu morta num quarto de hotel de Los Angeles. 

 

O tempo  passa e nós no dia a dia nem damos por ele, quando nos deparamos com estas notícia acordamos para a realidade, o mundo com o que aprendemos a viver vai mudando, as nossas referências vão desaparecendo à medida que vão envelhecendo ou morrendo. Tenho a certeza que a próxima vez que olhar para o espelho vou olhar para mim de outra forma, mais velho e metido num mundo que pouco a pouco vai ficando mais pobre e mais triste à medida que as coisas e as pessoas com as que aprendi a viver vão desaparecendo.

 

Para mim Whitney Houston era uma das melhores vozes que tive o prazer de ouvir, independentemente dos gostos, o mundo ficou de certeza mais pobre e mais triste.


 

 

Jorge Soares

publicado às 12:36

 

O fim dos jornais como os conhecemos

 

 

 

Imagem de aqui

 

Há quem não acredite, mas a verdade é que o papel escrito tal como o conhecemos tem mesmo os dias contados. Há muito que as vendas de livros em edições electrónicas superam as vendas das edições em papel, as versões online dos jornais são cada vez mais a nossa primeira opção para nos mantermos informados, os portais electrónicos de noticias vão-se impondo como a forma mais rápida e eficaz de fazer chegar a informação ao público.

 

Os jornais impressos tal como os conhecemos foram desaparecendo ou perdendo fulgor, quem se não se lembra do expresso no seu formato enorme, com 4 cadernos e duas revistas, quilos de papel que mal cabiam no saco plástico, o que resta daquele jornal enorme? não me lembro quando foi a última vez que o comprei, em contrapartida é raro o dia em que não passo pelo site online, ou pelo do Público.

 

Outra das vantagens dos formatos electrónicos é a proximidade, a maioria dos jornais do mundo estão ali ao alcance de um click, terei comprado o espanhol El País uma dúzia de vezes quando nas férias nas Astúrias longe de computadores e gadgets me quero manter informado, mas a visita diária ao seu site na internet e à sua secção de blogs é quase obrigatória.

 

Tudo isto vem a propósito da noticia que diz que o Jornal Francês La Tribune decidiu abandonar a sua edição em papel, é um sinal dos tempos, não sei se será o primeiro não será de certeza o último, e não me parece que tarde muito em acontecer por cá...  e nem será muito difícil prever por onde irá começar.. basta olhar para a forma como o número de páginas impressas de alguns jornais vai diminuindo à medida que o tempo passa e as versões online vão crescendo.

 

Posso estar enganado, mas prevejo que daqui a no máximo 10 anos restará um ou dois jornais em papel e dos livros restarão as edições de luxo.. o resto será electrónico.... por muito que muita gente, e eu sou um desses, ache que só consegue ler livros se eles estiverem em papel.

 

Jorge Soares

publicado às 22:40

Ano novo, alegria e optimismo

por Jorge Soares, em 30.12.10

alegria e optimismo.jpg

Deve ser da idade, mas já não consigo olhar para a vida e dividi-la em fatias de 12 meses, não sou capaz de olhar para trás e pensar se este foi um bom ou mau ano, assim como não consigo olhar em frente e desejar que o próximo seja bom.. ou melhor, não consigo fazer planos a tanto tempo, nem desejos para mais uma fatia da vida... Acho que cheguei a uma fase em que simplesmente quero viver, ir passo a passo, viver cada dia pela positiva, a passagem do ano não é mais que uma passagem do calendário e um motivo para festejar... o tempo passa é verdade.. mas passa todos os dias... deveríamos festejar cada um deles, porque é sinal de que já o vivemos... e cada manhã mais uma oportunidade para vivermos.

 

Os últimos 12 meses  fizeram mudar a minha vida porque com eles veio o concretizar de um desejo antigo e uma nova vida cá para casa, com ela veio o recordar, por vezes saber as coisas não é suficiente, é necessário ver mesmo, que existem mais mundos e mais realidades para além da que vemos e vivemos todos os dias... ir a Cabo Verde e ver a realidade na que vivia a minha filha mostrou-me que há muito por fazer no mundo para que este seja realmente justo.... agora, há que fazer por isso... fazer que o mundo seja mais justo.

 

Ontem estava a ver a série Ossos (Bones, no original) e alguém dizia que não festejava o natal porque não fazia sentido nenhum festejar algo que na realidade terá acontecido algures em Março ou Abril.. é claro que é só uma forma de levar o significado do natal demasiado à letra.. mas deixou-me a pensar... todas estas festas, ano novo incluído, davam muito mais jeito se em lugar de no solstício de inverno fossem por exemplo no  de verão, não acham?.. afinal a ideia é só festejar, ninguém sabe realmente quando ou onde supostamente nasceu Jesus, logo, 25 de Dezembro ou 25 de Junho... e solstício por solstício, qualquer um é bom.... e vão por mim, que já passei vários, passar o natal na praia... tem muita pinta...

 

Desejo a todos os que por aqui passam o mesmo que desejo para mim e os meus, que sejam felizes... sempre, todos os dias.. durante o próximo e  todos os anos seguintes.. façam lá o que diz a Mafalda... ela é que sabe... e já agora, cuidado com os excessos.

Jorge Soares

publicado às 21:58

O tempo

por Jorge Soares, em 16.08.10

Relógio de sol

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Tempo — definição da angústia. 
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te 
Ao coração pulsátil dum poema! 
Era o devir eterno em harmonia. 
Mas foges das vogais, como a frescura 
Da tinta com que escrevo. 
Fica apenas a tua negra sombra: 
— O passado, 
Amargura maior, fotografada. 

Tempo... 
E não haver nada, 
Ninguém, 
Uma alma penada 
Que estrangule a ampulheta duma vez! 

Que realize o crime e a perfeição 
De cortar aquele fio movediço 
De areia 
Que nenhum tecelão 
É capaz de tecer na sua teia! 

Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'

 

 

Relógio de Sol em Setúbal

Abril de 2010

Jorge Soares

publicado às 20:49


Ó pra mim!

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