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Livro:A menina que nunca chorava

por Jorge Soares, em 21.09.08

A menina que nunca chorava

 

 

 

"Querida Mãe,

 

Quero viver contigo, Estou farta de viver com o Pai. Não é que tenha acontecido alguma coisa ruim, porque há muito tempo que nada de ruim acontece ,só que fico farta dos seus modos. De me preocupar com ele, de me preocupar com a bebida e de me preocupar com as drogas e de me preocupar com o que vai acontecer com o nosso dinheiro e de me preocupar se se vai meter de novo em sarilhos e de me preocupar com o que me vai acontecer. Quero viver contigo..... "

 

Quando terminei de ler A Criança que não queria falar fiquei com vontade de saber o que aconteceu com aquela criança. Era uma histórica verídica de uma menina de 6 anos, uma mente brilhante que estava no inicio da vida, a história não poderia terminar ali. Efectivamente a historia não termina ali e a continuação está em a Menina que nunca chorava.

 

Entre as estadas do pai na prisão e nas clínicas de reabilitação, Sheila vai crescendo entregue ao estado, entre centros de acolhimento e famílias temporárias, é apesar de tudo uma criança normal que consegue dar a volta e seguir enfrente, sempre.

 

Aos 13 anos volta a reencontrar Torey, por estranho que pareça, pouco se lembra de aquela turma que viria a mudar a vida dela, lembra-se da professora mas de pouco mais. Ambas vão reencontrando aquele passado e lutando com os fantasmas que perseguem Sheila.

 

Sheila é uma adolescente que se converte num adulto precoce, cresceu sozinha e solitária sem conhecer o amor dos que a rodeiam e a sonhar com encontrar a mãe, tem uma visão do mundo muito própria e por vezes irrealista.

 

O livro tem partes chocantes, porque nos mostra alguns pormenores da cultura americana que para nós são impensáveis, a forma como vêem a adopção e o acolhimento de crianças de um modo que achei completamente leviano, o modo com tratam os problemas das crianças e adolescentes, etc. Por outro lado, mostra-nos a forma como os fantasmas do passado perseguem as crianças que foram abandonadas, Sheila nunca desiste de tentar encontrar a mãe, sonha com ela e com o momento em que se irão encontrar.

 

"Querida mãe,

A vida está a ser boa para mim. Tenho um grande emprego e o meu próprio apartamento e um cão chamado Mike. Desculpa, já não penso muito em ti. Quero faze-lo, mas não tenho tempo. É pena que nunca me tenhas conhecido. Penso que terias gostado de mim.

 

Com amor Sheila"

 

Jorge

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publicado às 22:10

Livro:A criança que não queria falar

por Jorge Soares, em 08.09.08

Torey Hayden

 

Sheila é uma menina de seis anos que rapta um menino de três, o ata a uma árvore e lhe prende fogo. É praticamente assim que começa o livro, uma criança que comete um acto irracional e que é condenada a ser internada num hospital psiquiátrico, como não há vagas no hospital, é colocada temporariamente numa escola onde há uma turma de crianças especiais.

 

Nesta turma há uma professora que se interessa realmente pelos seus alunos e que descobre que por detrás de toda a raiva e rebeldia há uma mente brilhante e uma criança como as outras, que simplesmente necessita de carinho e de atenção.

 

Sheila foi abandonada pela mãe que a atirou de um carro em andamento numa auto-estrada, vive com o pai, um homem  alcoólico e toxicodependente mas orgulhoso, num campo miserável e sem condições. Só tem uma muda de roupa que utiliza dia trás dia, mas o pai nega-se a que lhe ofereçam outra, eles não precisam.

 

Este foi um livro que me tocou, porque fala de abandono, de crianças difíceis e dos desafios que se colocam na educação de crianças que foram abandonadas.

 

O abandono é algo que marca uma criança para toda a sua vida, e essas marcas vão surgindo nas diversas fases do seu crescimento, eu sei, porque há coisas ali, poucas felizmente, que vi no meu filho.

 

O livro fala sobre a Sheila, sobre a sua professora, sobre o como ensinar e tratar crianças diferentes, mas fala também sobre o trauma do abandono, sobre as marcas que este deixa nas crianças, sobre as suas fragilidades e sobre como algumas coisas se devem tratar.

 

Há livros que nos marcam pela história, outros pela forma como estão escritos, outros porque os lemos na altura e circunstancias certas das nossas vidas, este livro marcou-me porque sou pai. Um livro que todos os pais adoptivos ou não deveríamos ler e  que todos os professores deveriam ler.

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet

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publicado às 22:20

Post sem titulo!

por Jorge Soares, em 07.09.08

Chora

 

«Todos os outros vieram

Tentaram fazer-me rir

Brincaram comigo

Algumas vezes para rir e outras a sério

E depois partiram

Abandonando-me nas ruínas das brincadeiras

E eu não sabia quais eram a sério.

Quais eram para rir e 

Vi-me sozinha com os ecos de risos

Que não eram os meus.

 

E depois chegaste

Com os teus modos estranhos

Nem sempre humanos

E fizeste-me chorar

E não pareceste importar-te que chorasse.

Disseste que as brincadeiras tinham acabado

E esperaste

Até que as minhas lágrimas se transformassem

Em alegria.»

 

 

Torey Hayden in : A criança que não queria falar.

 

Jorge

Imagem retirada da internet

 

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publicado às 21:28


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