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Trabalho infantil

 

Imagem de aqui

 

Se não podes vencê-los, une-te a eles, deve ter sido este o pensamento de Evo Morales e dos deputados Bolivianos que aprovaram uma lei que permite o trabalho infantil a partir dos 10 anos de idade.

 

O trabalho infantil é uma realidade na Bolívia, há mais de 500 000 crianças que trabalham nos mais variados sectores da economia, desde o a economia informal até ao duro trabalho nas profundezas das minas. A anterior lei que regulava as condições de trabalho no país só permitia o emprego de crianças a partir dos 14 anos, a que acaba de ser aprovada pelo parlamento boliviano e promulgada pelo vice presidente Alvaro García, baixou a idade legal para se trabalhar  para os 10 anos sobe o pretexto que esta lei se adequa mais à realidade do país (??).

 

Ou seja, como não conseguem combater a precariedade e a realidade de haver crianças a trabalhar à vista de todos, a solução não é fazer aplicar a lei, a solução é inventar uma lei que torne o ilegal em legal.

 

A Bolívia é certamente um dos países mais pobres da América Latina, 55% da população é de origem indígena e Evo Morales, que é o primeiro e único presidente da América Latina que não é descendente de Europeus e sim dos aborigenes que viviam no país antes da chegada de Colombo à América, foi eleito principalmente com os votos desta parte da população. Uma das suas primeiras afirmações após tomar posse foi: "Os 500 anos de colonialismo terminaram e a era da autonomia já começou."

 

Para quem tem uma ideia do nível de vida da maior parte da população boliviana, esta afirmação faz algum sentido, mas a julgar por leis como esta que acaba de ser aprovada, ou como aquela ideia de fazer girar os relógios ao contrário de que falei aqui, não sei se Evo e os governantes bolivianos fazem ideia do que é o melhor para os seus concidadãos, alguém me explica de que forma  estas medidas podem contribuir para melhorar o nível de vida da população do país, seja esta nativa ou descendente de europeus?.

 

Um país só se começa a mudar com a educação do seu povo, afastar as crianças da escola para que estas comecem a trabalhar aos 10 anos de idade não me parece que vá contribuir minimamente para dar um melhor futuro nem às crianças nem ao país. 

 

E o mundo olha para o lado e finge que no pasa nada!

 

Para quem percebe Castellano:

 

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:54

Trabalho infantil

 

Imagem do Público

 

Lembro-me como se fosse ontem, em Caracas, na esquina da Avenida Los Proceres com a Carlos Soublette ficava a Panaderia los Proceres, um dos sócios era da Bairrada o outro da Madeira, e foi lá que com onze anos, em Setembro ou Outubro, mesmo antes de começar a escola, comecei a perceber o que era  vida. Servir ao balcão, tirar cafés, limpar o chão, ajudar os padeiros e o pasteleiro, fazer de tudo um pouco. 

 

Começou por ser uma ajuda para a economia familiar que nos primeiros tempos não ia lá muito bem, e com o tempo passou a ser um hábito que se manteve até quase ao fim do Liceu.

 

Eram outros tempos, um tempo em que quem emigrava não eram os jovens licenciados e sim os operários do interior que se queriam educar os seus filhos e ter uma vida mais ou menos decente, só tinham um caminho a seguir, o caminho que os levava para longe da família, dos amigos e da vida que até aí tinham conhecido.

 

Nem sempre as coisas corriam bem e após um ano em que as coisas não correram nada bem e em que os meus pais comeram o pão que o diabo amassou, calhou-me a mim dar uma mão na economia familiar, felizmente as coisas compuseram-se e de uma necessidade passou a ser um hábito... que se manteve quase ininterruptamente até hoje. Mesmo assim não me posso queixar muito da minha sorte, muitos dos meus colegas da escola primária lá na aldeia já nem ao ciclo chegaram.

 

Hoje os tempos são outros, o mundo é outro e custa-me a acreditar que como diz a notícia do Público, haja crianças portuguesas que estão a emigrar para trabalhar, principalmente quando a mesma noticia diz que a emigração é para outros estados-membros da UE.

 

Se eu acho que me fez mal trabalhar? não, não acho, mas também  acho que podia ter sido muito melhor aluno se estudasse o mesmo que os meus colegas estudavam e tinha de certeza sido muito mais feliz se tivesse usado a minha infância e parte da minha juventude para jogar à bola,  fazer amigos e conquistar miúdas em lugar de estar o tempo todo com adultos.

 

Os tempos não são fáceis, mas estamos muito longe do que eram há 30 ou 40 anos acho que no meio disto tudo há gente a aproveitar-se da situação para pintar o quadro ainda mais negro do que ele realmente é, convém não confundir as coisas, mas espero sinceramente que quem diz e escreve estas coisas, mostre e denuncie os casos reais, para que todas as crianças de Portugal e do mundo possam ter direito à sua infância e juventude.

 

Jorge Soares

publicado às 21:20

Há alturas para tudo na vida... até para viver

 

Foi o tema do último post do Vila Forte (Pedro, é para quando o teu regresso aos blogs?), na altura ficou-me a ideia para um post, hoje e a propósito do que tem sido as férias dos dois mais velhos,  a minha meia laranja fez um comentário que me lembrou o assunto.

 

A minha filha faz 11 anos em Outubro, precisamente a idade com que comecei a trabalhar, começou por ser uma ocupação para os tempos livres das férias escolares e terminou por ser a ocupação dos meus tempos fora da escola. Eram tempos difíceis, os meus pais estavam há pouco mais de um ano na Venezuela e no início as coisas não correram lá muito bem, de repente o pouco que eu podia ganhar era uma enorme ajuda para a economia familiar e quando terminaram as férias escolares, eu fui ficando. Tinha aulas de manhã e trabalhava à tarde.

 

No ano seguinte entrei para o liceu, mais tempo de aulas.. menos tempo de trabalho.. mas trabalhava na mesma... fazia os trabalhos de casa ao fim do dia...  nunca estudava... mas havia algo que me levava, mesmo assim, a ser um aluno razoável... tinha a certeza de que no dia em que chumbasse um ano seria o ultimo e o trabalho passaria a tempo inteiro.

 

Olhando para trás sei que começar a trabalhar tão cedo foi importante para a pessoa que sou, mas nem tudo é positivo,  por vezes dou por mim a pensar que há imensas coisas que não vivi, enquanto os meus colegas jogavam à bola, passeavam juntos pelos jardins da cidade, iam ao cinema ou  à praia, namoriscavam, viviam a adolescência, eu trabalhava, era adulto à força... Há coisas que tem uma idade certa para se viverem ... e acreditem ou não, há coisas das quais tenho saudades porque não as vivi... por muito que isso possa soar estranho para a maioria.

 

Com 11 anos eu passava 12 horas atrás de um balcão de uma pastelaria, atendia as pessoas como qualquer outro empregado, fazia as contas de cabeça muito mais rápido que os meus colegas adultos e nunca me enganava. Hoje olho para os meus filhos com 10 anos e vejo duas crianças, super protegidas, não vão a lado nenhum sozinhas. Não os consigo imaginar a assumir alguma responsabilidade e muito menos a trabalhar.... mas para ser sincero, e ainda que algumas vezes me esqueça de tudo isto e ache que eles deveriam passar as férias a estudar e a preparar-se para serem melhores alunos.. a verdade é que não desejo para eles o que eu passei... eles não passam de  crianças e devem ter vida de crianças, brincar, fazer amigos, tropelias em grupo....

 

A vida são dois dias e há que vivê-la  no tempo certo, a responsabilidade e os valores são algo importante, mas virão com o tempo e na altura certa.. acreditem em mim, o único que ninguém nos pode roubar é aquilo que já vivemos... a mim roubaram-me uma parte da minha vida, não quero isso para os meus filhos.

 

Jorge Soares

publicado às 22:10


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