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Mudança da hora porquê?.. e para quê?

por Jorge Soares, em 26.10.14

mudançadahora.jpg

 

Imagem de aqui

 

Eu vivi dez anos num sitio onde não mudava a hora, também é verdade que não havia inverno e verão, havia uns meses em que chovia menos e uns meses em que chovia mais, de resto a temperatura andava o ano todo entre os vinte e dois e os 28 graus, assim a modos que numa eterna primavera...a cidade da eterna primavera, era como lhe chamavam. Outra coisa que também não havia era grande diferença nas horas de luz, talvez uma hora e pouco entre Junho e Dezembro.

 

Talvez por isso para mim a mudança da hora é sempre o cabo dos trabalhos, principalmente a passagem da hora de inverno para a de verão, ando sempre uns quinze dias à nora até que finalmente o tico, o teco e o resto do meu organismo ,se adaptam aos novos horários.

 

Porquê muda a hora?

 

A ideia de mexer nos relógios para aproveitar melhor as horas de sol foi lançada em 1784 por Benjamin Franklin quando ainda nem existia luz eléctrica. Na altura nem o governo americano nem o francês, a quem esta foi apresentada, se deixaram convencer. A ideia seria retomada durante a primeira Guerra mundial, primeiro pela Alemanha e depois pelos restantes países beligerantes, com o objectivo de se poupar o carvão que era utilizado para produzir energia. Posteriormente foi sendo adoptada por muitos outros países, e há até alguns onde foi adoptada e posteriormente abolida.

 

O Brasil é o único país onde há estados em que muda a hora, os estados mais ao sul e outros onde esta não muda.

 

Sobre o tema há estudos para todos os gostos, há quem fale de poupanças de energia que vão desde 0,2 % até quase 10%, há também um estudo de 2012 da Universidade do Alabama que diz há um aumento de 10% de ataques cardíacos na segunda e terça-feira após avanço da hora. Já quando se atrasa a hora, no Outono, não foi registada qualquer oscilação nos números referentes a ataques de coração.

 

Está visto que se conseguem fazer estudos para tudo, tenho sérias dúvidas que na actualidade a mudança da hora tenha alguma influência nos consumos de energia, vivemos num mundo que não dorme e em que a vida se prolonga seja noite ou dia.

 

Se a mudança da hora afectar todas as pessoas como me afecta a mim, de certeza que a o que se ganha em poupança de energia se perde em produtividade nos primeiros 15 dias.

 

Jorge Soares

 

 

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publicado às 22:44

Cães na praia

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Aproveitamos que após a noite de tempestade o dia aqui em Setúbal acordou claro e soleado, para irmos dar um passeio até à praia de Albarquel, a meteorologia prometia chuva pelo que não havia muita gente.

 

O dia estava bonito e a água nem estava muito fria, à medida que se acercava o meio dia a praia ia ficando composta e havia até alguns turistas espanhóis que apreciavam a beleza do lugar.

 

Todo o mundo sabe que é proibido levar cães para a praia e por acaso em Albarquel até lá está o sinal bem à vista na entrada da praia, mesmo assim há quem se esteja a lixar para as leis e para as pessoas.

 

Íamos a passear junto à agua quando nos apercebemos de um senhor não com um mas com dois cães sem trela que corriam para lá e para cá entre quem descansava nas toalhas, as crianças que chapinhavam junto à água e os banhistas quem tomavam banho,  e até faziam as suas necessidades ali no meio do areal ao lado das crianças que brincavam

 

Tudo isto enquanto os nadadores salvadores estavam em amena cavaqueira junto aos toldos de aluguer. A minha meia laranja não resistiu e foi questionar porque permitiam que dono e cães se passeassem assim impunemente quando isso é proibido. A resposta foi esclarecedora, pelos vistos os senhor vai para lá repetidamente com os cães, já foi chamado à atenção várias vezes para o facto de não poder levar os cães para a praia e simplesmente ignora, os nadadores salvadores não podem fazer mais que chamar a atenção, já chamaram a policia marítima mais que uma vez mas esta demora tanto tempo que quando eles chegam já os cães e o dono foram para casa.

 

Tive pena de não ter levado a máquina fotográfica comigo, porque de certeza que teríamos aqui a imagem do animal que leva os seus cães para a praia sem trela e se ri das leis, das normas e do civismo.

 

Os turistas espanhóis devem ter achado imensa piada à praia de Setúbal onde os cães fazem as suas necessidades no meio das toalhas dos banhistas... além disso aqueles não eram os únicos cães na praia, havia mais gente com o cachorrinho a apanhar sol.

 

Quanto ao dono dos cães, de certeza que gosta muito de animais, mas está-se mesmo a ver que se está a lixar para as pessoas

 

E é assim o civismo neste país.... 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:53

Para a tua boca, todas as vidas.

por Jorge Soares, em 17.08.13

mulher

 

 Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Desiguais as contas:
para cada anjo, dois demónios.

Para um só Sol, quatro Luas.

Para a tua boca, todas as vidas.

MIA COUTO

Do poema "Números",
no livro "Idades cidades divindades"

Mulher passeia na areia molhada da Praia do Meco

Sesimbra, Julho de 2012

Jorge Soares

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publicado às 15:07

Talvez o amor, neste tempo, seja ainda cedo

por Jorge Soares, em 03.08.13

Flores

 

 Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo


"Poema de despedida",
In "Raiz de orvalho e outros poemas"

 

 

Nas margens do Rio Eo num dia de verão nas Astúrias

Agosto de 2012
Jorge Soares

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publicado às 17:42

Uma praia nas Astúrias

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Acho que nunca aqui se falou de óculos, o que não deixa de ser estranho, isto porque dos 5 que moramos cá em casa, 4 usamos e para além de que bem que podíamos ser sócios da óptica, não somos mas consta-me que eles gostam mesmo muito de nós, há histórias que dariam não para um post, mas para um blog inteirinho só sobre o assunto.

 

A história que lhes quero contar hoje começou há dois anos atrás, quando as férias em lugar de nas nossas adoradas Astúrias, foram na Galiza.

 

No fim de um dia qualquer demos pela falta dos óculos do N. ao contrário da irmã mais velha, que nunca sabe onde está nada, o N. é quase o nosso amuleto da sorte, não só sabe onde costumam estar todas as suas coisas, como normalmente sabe onde estão ou podem estar as coisas do resto da família.. ainda não percebi se tem memória fotográfica, mais jeito para procurar, ou simplesmente tem muita sorte, mas o certo é que quando falta algo, todo o mundo pergunta ao N. se ele viu... e normalmente viu.

 

Naquele dia ele não tinha visto os óculos, depois de revirarmos a tenda o carro e meio parque de campismo, ele lá se lembrou que a última vez que os tinha visto tinha sido na praia. Já não me lembro se naquele dia voltamos à praia ou não, mas no dia seguinte fomos.. é claro que encontrar uns óculos na areia da praia é mais ou menos como encontrar uma agulha num palheiro... e evidentemente não encontramos nada. Também perguntamos no bar da praia, em vão.

 

No dia a seguir voltamos à praia e por descargo de consciência voltamos a perguntar no bar...e voilá, alguém tinha encontrado uns óculos enterrados na areia....

 

Este ano as férias foram mesmo nas Astúrias, num dos muitos dias em que andamos a vaguear de praia em praia, fomos parar a uma enseada cheia de gente, a praia era bonita e a água era de um azul turquesa e uma transparência que convidava ao mergulho... era quase tudo perfeito, excepto que em lugar de areia a praia era de seixos e por muito convidativa que fosse a água, era um suplicio chegar até ela..estivemos uns cinco minutos e decidimos procurar outro poiso.

 

Quando chegamos à praia seguinte demos pela falta dos óculos do N. nem ele se conseguia lembrar de os ter trazido, nem ninguém de o ter visto com óculos...  ele achava que não... Ainda recorremos à máquina fotográfica, mas não havia imagens com ele de frente, concluímos que deviam ter ficado na tenda e dispusemos-nos  a gozar as delicias do sol e da água quente do Mar Cantábrico.

 

Ao fim do dia e depois de revirarmos a tenda e o carro, concluímos que aquela vaga lembrança que ele tinha de tirar os óculos na praia e os colocar no boné, tinha sido mesmo o que tinha acontecido e a aquela hora estes estariam algures a rebolar entre as ondas na praia dos seixos.

 

Por descargo de consciência no dia a seguir passamos de novo pela praia e no bar fomos perguntar se alguém teria "encontrado unas gafas en la playa"... e por incrível que pareça os óculos estavam lá à nossa espera.

 

O N. é mesmo o rapaz com mais sorte do mundo.

 

Jorge

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publicado às 22:10

Preciso ser um outro para ser eu mesmo

por Jorge Soares, em 23.08.12

Preciso ser um outro para ser eu mesmo

Imagem minha do Momentos e Olhares 

 

Identidade


Preciso ser um outro 
para ser eu mesmo 

Sou grão de rocha 
Sou o vento que a desgasta 

Sou pólen sem insecto 

Sou areia sustentando 
o sexo das árvores 

Existo onde me desconheço 
aguardando pelo meu passado 
ansiando a esperança do futuro 

No mundo que combato morro 
no mundo por que luto nasço 

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

 

Faro de Busto

Luarca, Astúrias,  Espanha

Agosto de 2011

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publicado às 17:50

Um poema não é uma coisa .....

por Jorge Soares, em 19.08.12

Um poema não é uma coisa .....

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Um poema não é uma coisa que se coloca sobre o teu dia como um condimento sobre o teu almoço. A vida de uma pessoa não tem material semelhante a nada que conheças. Existir é feito de peças impossíveis de copiar. E a poesia não entra nesse material único - a vida de uma pessoa - como o avião no ar ou o acidente do avião na terra dura. Um poema não é manso nem meigo, não é mau nem ilegal.


Os homens não se medem pelos poemas que leram, mas talvez fosse melhor. O que é a fita métrica comparada com algo intenso? Há poemas que explicam trinta graus de uma vida e poemas que são um ofício de demolição completa: o edifício é trocado por outro, como se um edifício fosse uma camisa. Muda de vida ou, claro, muda de poema. 

Gonçalo M. Tavares, in A Perna Esquerda de Paris
Retirado de Há vida em Marta

 

Um raio de luz atravessa o fumo da fornalha do ferreiro.
Mazo de Meredo, Ribadeo, Astúrias, Espanha
Agosto de 2011
Jorge Soares

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publicado às 17:42

Não te apresses: também a água deste rio é vagarosa ...

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Se eu definisse o tempo como um rio,



a comparação levar-me-ia a tirar-te

de dentro da sua água, e a inventar-te

uma casa. Poria uma escada encostada

à parede, e sentar-te-ias num dos seus

degraus, lendo o livro da vida. Dir-te-ia:

«Não te apresses: também a água deste

rio é vagarosa, como o tempo que os

teus dedos suspendem, antes de virar

cada página.» Passam as nuvens no céu;

nascem e morrem as flores do campo;

partem e regressam as aves; e tu lês

o livro, como se o tempo tivesse parado,

e o rio não corresse pelos teus olhos.

Nuno Júdice
Cascata no rio Suarón,
Mazo de Meredo, Vegadeo, Asturias
Agosto de 2011
Jorge Soares

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publicado às 17:40

A cor da rosa

por Jorge Soares, em 17.08.12

A cor da rosa

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Alvejava de neve outrora a rosa,
Nem como agora, doce recendia;
Baixo voava Amor sem tento um dia,
E na rama espinhosa
De sua flor virgínea se feria.
Do sangue divina! gota amorosa
Da ligeira ferida lhe corria,
E as flores da roseira onde caía
Tomavam do encarnado a cor lustrosa.
Agora formosa
A rúbida flor
Recorda de Amor
A chaga ditosa.

Para os braços da mãe voou chorando;
Um beijo lhe acalmou penas e ardores:
E tão doce o remédio achou das dores,
Que Amor só desejou de quando em quando
Que assim penando,
Com seus clamores
Novos favores
Fosse alcançando.

Súbito voa, pelos ares fende;
As rosas viu de sua dor trajadas,
E que só de suas glórias namoradas
Nada dissessem com razão se ofende:
A mão lhe estende,
E delicioso
Cheiro amoroso
Nelas recende.

Vós que as rosas gentis buscais, amantes,
Nos jardins do prazer,
E, em vez da flor, espinhos penetrantes
Só chegais acolher,
Resignados sofrei, sede constantes,
Que a desventura,
Que a mágoa e dor
Sempre em doçura
Converte Amor.

Almeida Garret

 

Uma rosa em Hide Park

Londres, Agosto de 2011

Jorge Soares

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publicado às 17:38

O que eu fui ontem já é memória

por Jorge Soares, em 16.08.12

O que eu fui ontem já é memória

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

"O que eu fui ontem e anteontem já é memória. Escada vencida degrau por degrau, mas o que eu sou neste momento é o que conta, minhas decisões valem para agora, hoje é o meu dia, nenhum outro."

 

Martha Medeiros

 

 

Casa de verão da Rainha, Greenwich

Londres, Agosto de 2011

Jorge Soares

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publicado às 17:37


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