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Qual é o deus que é grande e manda matar?

por Jorge Soares, em 07.01.15

deus4.png

 

"allahu akbar", deus é grande, foram estas as palavras que os terroristas utilizaram antes de começar a disparar e a matar jornalistas, "allahu akbar", deus é grande... deus, qual deus? qual  é o deus que ensina a matar jornalistas por vingança? onde está esse deus? onde estão as suas palavras  de vingança?

 

Por vezes temos a tendência de olhar para o mundo em que vivemos e dar por garantido que não há volta atrás, que a época em que se matava e morria em nome de deus e da  religião era algo que tinha acontecido no passado e que não voltaria a acontecer,... depois acontecem estas coisas e percebemos que afinal parece que não aprendemos nada.

 

Que em pleno século XXI dois energúmenos peguem em armas e em Paris, o centro do mundo, desatem aos tiros e ceifem a vida de 12 pessoas em nome de deus e para vingar o profeta...  é voltar centenas de anos atrás... e aconteceu hoje ... e é assustador que possa acontecer amanhã noutro sitio qualquer.

 

Hoje todos somos o Charlie Hebdo, mas amanhã seguiremos com a nossa vida, pelo menos os que sobrevivemos, daqui a uns dias já poucos nos lembraremos do massacre de hoje... e a falsa sensação de segurança voltará.. todos sabemos que há uma guerra onde muitos energúmenos como estes aterrorizam e matam milhares e milhares de pessoas, mas é lá longe,.. 

 

Quando será que tomamos consciência de que esta guerra nos afecta a todos e não é algo que só acontece na televisão? No dia em que alguém nos mate em nome de uma religião ou de um deus qualquer?

 

Quando vamos deixar de olhar para os nossos umbigos e perceber que o que está a acontecer é um problema do mundo inteiro e não da Síria e do Iraque?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:18

Obama anuncia a morte de Osama Bin Laden

Imagem do Público

 

 

justiçar Conjugar 
(justiça + -ar)

v. tr.
1. Punir com pena de morte.
2. Aplicar a pena de morte a.
3. Demandar (em juízo).
4. Aplicar a justiça. ≠ injustiçar



Aos poucos e de forma tímida a polémica sobre a morte de Ossama Bin Laden e a forma como esta aconteceu, vai tomando conta da blogosfera. Alguém que de uma forma ou outra foi responsável pela morte de mais de 5000 pessoas não merece mais que a morte, acho que isso será consensual para qualquer ocidental e nem se questiona. Ossama  Bin Laden não só é responsável por essas mortes como soube escolher os alvos de forma a atingir o maior número de povos e culturas possíveis. Haveria no mundo um lugar onde  num tão pequeno espaço estivessem representados tantos credos, raças e religiões como no Word Trade center?

 

Mas independentemente do que se possa pensar e/ou sentir, há uma diferença entre justiça e vingança, por norma a justiça serve para fazer pagar os culpados pelos seus crimes, é administrada pelos tribunais e deseja-se que exista alguma diferença entre o juiz e os carrascos. A vingança poderá muitas vezes chegar através da justiça mas dificilmente a pode substituir.

 

Entre o  “Se pudéssemos, tínhamo-lo trazido vivo” dito por John Brennan no  Público e o "O objectivo da operação era matar Bin Laden" dito por fontes da Casa Branca no Sol estará algures a verdade, justiça ou vingança?

 

Quanto a mim era mil vezes preferível que tivesse sido aprisionado e tal como os responsáveis dos genocídios nos Balcãs e muito antes disso os Nazis, entregue a um tribunal internacional para ser julgado, condenado e morto. Não consigo deixar de pensar que a forma como morreu e como depois o corpo foi lançado ao mar vai contribuir para além de dar azo a muitos mitos e teorias da conspiração, criar um mártir que durante muito tempo alimentará o ódio e o desejo de mais vingança por parte dos seus seguidores.

 

A sua morte foi aclamada e festejada por muita gente, como se por si só resolvesse o que quer que fosse, como dizia a Suspeita no seu post desta tarde, não deixa de ser irónico que esta morte tenha sido ordenada e anunciada como se de um grande feito se tratasse,  por um prémio Nobel da Paz. Haverá quem diga que a paz também se faz com mortes... pois eu temo que neste caso esta morte trará mais mortes, muitas mais mortes... e pouca paz.

 

Jorge Soares

 

PS:Eu achava que aquilo de colherem as amostras e passados poucos minutos termos o resultado dos testes do ADN era mesmo só no CSI, mas afinal parece que é mesmo verdade.... resta saber com que é que eles terão comparado.

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publicado às 22:02

A caçada

por Jorge Soares, em 28.03.09

Ave

 

Quando ao romper da manhã o Felismino, ouviu bater à porta, admirou-se da pressa do companheiro. Estava madrugador, o Leoniz. Sim, senhor!

 
Riscou um palito, acendeu a candeia e saltou da cama. A mulher, como sempre, espapaçada no seu canto, sem dar acordo de si.
 
- Joaquina!
 
- Ahn?!
 
- Raios te partam e mais ao sono! - e puxou-lhe a roupa.
 
O que a gente se faz! Que ruína de corpo! Dantes, mal a via assim descoberta, exposta, não resistia. Caía-lhe em cima como um abutre, mesmo antes de ela acordar. Agora podia olhá-la à vontade, que a natureza nem lhe estremecia. Velho também, era o que era!
 
Com um arrepio, a companheira abriu os olhos estremunhada e desceu a camisa pudicamente.
 
- O galo já cantou?
 
- Não. Mas está o Leoniz a bater. Tinha enfiado as calças e abotoava a braguilha, quando novas pancadas impacientes ressoaram no silêncio.
 
- Lá vai! - gritou. Meteu os pés nas botas de atanado e, sem apertar os cordões., foi à janela. Abriu., pôs a cabeça de fora e chalaceou:
 
- Madrugaste!
 
O vulto, em baixo, não respondeu. - Que horas são? Via-se mal. Enevoado, o céu só à custo se deixava atravessar pelos primeiros laivos da alvorada.
 
- Hoje deu-te a espertina! Enquanto falava ia espetando os olhos na negrura- Começava a desconfiar que não era o Leoniz que chamava
 
- Quem está aí ? - perguntou, a certificar-se.
 
- Gente. Não identificou a voz. E, contudo, apenas a ouviu, o coração deu-lhe um baque.
 
- Que é gente, vejo eu. Mas que gente?
 
- Não me conhece? Agora sim, conhecia... O cabrão do Marta! Mordeu o beiço e coçou a barba.
 
- Olá! - Quer vir às perdizes? Nada mal imaginado, não senhor! Por aquela não esperava ele... Mas tinha que ser. Enterrou as unhas no lambril da janela e respondeu, sem deixar tremer as palavras:
 
- Posso ir. Tirou a cabeça para dentro, voltou-se, e viu a mulher a enfiar a saia.
 
- Torna-te a deitar. - E o farnel? - já não é preciso. - O Leoniz leva que chegue?
 
- O Leoniz não vai. Se ele aparecer, diz-lhe que tive um convite e não pude recusar.
 
- Um convite de quem?
 
- Não interessa. Acostumada a obedecer cegamente, a Joaquina meteu-se outra vez na cama e adormeceu quase logo. Calmamente,, o Felismino acabou então de se vestir foi à gaveta do pão buscar uma côdea, e quando acabou de mastigar bebeu dum trago um cálice de aguardente- Depois., pôs o cinturão, tirou a arma do prego onde estava pendurada, abriu-a e meteu-lhe um zagalote no cano esquerdo e um cartucho de chumbo cinco no direito Finalmente, desceu e destrancou a porta.
 
Mais negra que a escuridão, a figura do Marta parecia um tronco carbonizado. A noite apagava-lhe inteiramente as feições, e era uma impressão maciça e tenebrosa que vinha daquela presença. Mas pouco a pouco, ajudado pela memória dos olhos, o Felismino, foi passando para a tela da claridade o negativo que tinha em frente.
 
- Bons dias!
 
- Viva... Enquanto os dois se cumprimentavam assim, os cães rosnavam também.
 
- Onde é a caçada?
 
- Qualquer sítio serve...
 
O Felismino contraiu-se por dentro. Já sabia que não eram as perdizes que interessavam ao visitante. O bandido não lhe perdoava tê-lo enfrentado na feira da Vila e vinha vingar-se.
 
- Podemos então ir por aí fora... - disse, num tom desprendido.
 
Começaram a caminhar lado a lado, calados como velhos,,, amigos que já não têm que dizer. Quem os visse, mal diria que cada um levava às costas a vida do outro., apertada nas câmaras da caçadeira.
 
Assim atravessaram a povoação adormecida, subiram a encosta dos soutos e entraram pela serra dentro, agora a entremostrar as corcovas do lombo à teimosia de uma luz oculta. Às tantas, o Felismino ergueu a mão, num sinal de silêncio.
 
- Aí estão elas... - acrescentou em voz baixa.
 
Pararam e ficaram a ouvir. Perto deles, no seio da penumbra, um alegre e descuidado cacarejo respondia ao apelo que lhe fora feito mais adiante.
 
Apesar de já se terem olhado de soslaio por diversas vezes, não conseguiam ainda distinguir claramente a cara um do outro. Viam-se como retratos desfocados.
 
Insofridos., os cães agitavam-se à volta deles, a pedir liberdade de movimentos.
 
- Aqui, Liró!
 
- Nero, quieto! Subitamente, o perfil da montanha apareceu gravado na tela imensa do horizonte. Uma toalha de luz cinina descera do céu e pousara na terra sem eles darem conta. Mas em vez de extasiarem os olhos no mar de oiro que os rodeava, encararam-se mutuamente.
 
- Podemos começar... - disse o Marta, escarninho, ao fim de algum tempo.
 
No mesmo gesto automático, como soldados num exercício, tiraram as armas dos ombros e com elas empunhadas entraram no mato orvalhado.
 
Ia ser bonito aquilo! Com que então, um tiro à falsa-fé, e depois, claro, fora um acidente! Filho de uma porca! E o Felismino ajeitou o dedo indicador ao gatilho como se entortasse um prego sobre o encabadoiro da enxada.
 
Cautelosamente, numa recíproca vigilância, foram-se afastando até chegarem à distância regulamentar. Então, começaram a caminhar paralelamente. Adiante deles, num incansável vaivém do instinto, os cães iam farejando as urgueiras.
 
No esplendor do outono, o grande panorama da montanha escancarara-se à luz do sol. Denunciadas por um tufo de fumo que se erguia delas, as povoações circundantes surgiam milagrosamente na paisagem.
 
Em dado momento, o perdigueiro do Felismino estacou. Alguns segundos de expectativa, passos cautelosos do dono e, por fim, duas perdizes saltaram, mansas, de rabo, inocentes ainda. Uma única detonação alarmou a quietude das fragas.
 
- Dá cá! De arma pronta, o Marta ficara parado, à espera. E ao ver a segunda perdiz distanciar-se sem fogo, cuspiu fora, numa raiva mal contida.
 
Pouco depois chegou a sua vez. Logo adiante, o resto do bando ergueu-se-lhe aos pés, todo em girândola, num pavor desordenado. Mas deu-lhe também um tiro apenas.
 
- Claro... - rosnou o Felismino, com os seus botões.
 
Ambos elucidados, mal o Liró entregou a peça caída, puseram-se novamente a caminhar pela serra fora, batendo o terreno conscienciosamente, sem se perderem de vista e guardando sempre um cano carregado. Ajudavam-se como podiam, combinando os movimentos no sentido do melhor rendimento da caçada, adiantando-se ou atrasando-se conforme as revoadas e os relevos, nunca emendando, o tiro, e carregavam rapidamente o cano vazio de olhos pregados no companheiro.
 
O dia, que começara fresco, aquecia de hora a hora. E, por volta das onze, a serra parecia incendiada pelo sol a refulgir na mica das fragas. Quente, o perfume do rosmaninho aumentava a secura. Mas os dois caçadores, a suar em bica, continuavam a palmilhar o chão de Lareira, no mesmo ritmo incansável e conjugado.
 
- É preciso ir àquelas!...
 
- Vamos lá.
 
O de cima parava, o de baixo rodava, e daí a pouco, na mesma formatura impecável, mudavam de rumo e até de encosta.
 
Quando a uma da tarde chegou, os cães já mal procuravam. Esfalfados, com a língua de fora, eram máquinas vivas a arfar. Se casualmente uma perdiz se levantava perto deles, olhavam-na numa espécie de espanto resignado, e ficavam-se.
 
- Ferido! Boca lá, boca! Pois sim! O chão apenas lhes cheirava a urze queimada. E deitavam-se na primeira sombra, impotentes e comprometidos. Os donos é que pareciam invulneráveis à torreira e à fadiga.
 
- Valerá a pena entrar no giestal?
 
- Pousaram lá... Desciam e subiam incansavelmente, como bonecos a que uma secreta mão desse corda. Nem à sede torturante atendiam. Ao transpor qualquer ribeiro, olhavam-se de esguelha e passavam adiante.
 
A certa altura, uma perdiz saltou entre os dois e quando o Felismino se refez da momentânea emoção do levante e se propunha visá-la, deu com a arma do Marta apontada na sua direcção. Agachou-se com a rapidez dum raio e o tiro passou-lhe por cima.
 
- Este era para mim!... - galhofou, já com os olhos da sarrasqueta pregados no inimigo.
 
O Marta teve um sorriso amarelo. E tentou disfarçar a traição.
 
- Foi sem querer. Disparou-se-me a arma... Mesmo assim o Felismino não se afastou da linha. Manteve a distância que até ali os separava e apenas redobrou de atenção.
 
Os perdigueiros seguiam agora atrás deles, na dura disciplina de uma escravidão domesticada. E a caça, sem o radar canino a farejá-la, ferrava-se nas moitas e nos pedregulhos. Mas a penitência dos dois continuava.
 
- Tem de ser a calção! - gritou de lá o Marta., inexorável.
 
- Não há outro remédio... Apesar de alagados e de estômago vazio, nenhum dava sinais de fraqueza. E redobravam o esforço para que o terreno ficasse honradamente varrido.
 
- Caiu mais adiante. Aí. Por volta das quatro, o sol começou a perder a força tropical e uma aragem subtil acariciou-lhes as caras tisnadas.
 
Sobe-se? É melhor. Ao dobrar o cerro, o Felismino vislumbrou num gesto equívoco do Marta nova tentativa de agressão. Mas o seu instinto, numa manobra instantânea da arma,, sustou o tiro no momento preciso. O outro, comprometido, pôs-se a vasculhar um bitoiro.
 
Até que a tarde empalideceu de vez e a serra começou a cobrir-se de uma poalha de penumbra. Uma perdiz atravessou a linha e erraram-na ambos.
 
- Já se não vê. Talvez não valha a pena continuar...
 
- É consigo... - respondeu o Felismino, sem sombra de cansaço na voz.
 
Sempre a andar, como se traçassem com os pés duas rectas convergentes., foram-se aproximando. Em frente um do outro, mediram-se ainda, num último e mudo desafio.
 
- Morreram poucas... - disse o Marta, a quebrar o silêncio.
 
- Podia ser pior... Tinham doze cada um.
 
- Mas há umas perdizes. E o terreno é bom.
 
- Se quiser voltar, às ordens...
 
O Marta teve um sorriso onde o ódio se adoçava Fica longe. A brincar, a brincar, daqui a Bouças são duas léguas. Hoje é que me deu na veneta vir por aí acima... Trazia esta fisgada...
 
- Foi uma boa ideia. já com os traços do rosto esfumados no lusco-fusco, o Marta meteu um cigarro à boca e fez lume. O clarão do fósforo aceso desenhou-lhe a dureza do perfil. Tirou duas fumaças, ajeitou a bandoleira, da arma no ombro e ficou indeciso.
 
- Não sei que faça. Se desça, se meta a direito...
 
- Veja lá. A corta-mato encurta um pedaço.
 
- Está resolvido. Sigo por aqui. Liró, vamos embora!
 
O navarro ergueu-se nas patas doridas e deu ao rabo cordialmente.
 
- Até qualquer dia.
 
- Boa noite. Rodaram e puseram-se a caminhar, cada qual em sua direcção.
 
De repente, houve uma pausa na restolheira que o Marta ia fazendo no matagal. O Felismino, atento, aguçou o ouvido, mas não se voltou. Continuou no seu chouto sossegado.
 
E, em vez do tiro que esperava, bateu-lhe nas costas a voz grossa do Marta, quente como uma baforada de vento suão:
 
- E ouça: o que lá vai, lá vai...
 
Miguel Torga, Novos Contos da Montanha
Retirado de: Contos da Aula

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publicado às 21:45


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