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Ontem ligaram para a Mãe da escola do menino a perguntar se o Bruno tinha ido para a escola com os dentes todos!!!! É só impressão minha ou parece que ainda estão a gozar??? Ontem uma menina deu-lhe um "estalo" que arrancou um dente ao Bruno. Eu chamo a isto um murro. O Tesourinho estáva todo cheio de sangue e por isso tiveram que chamar a Mãe.

 

Depois de se averiguar quem foi, a Mãe falou com a responsável da escola e iriam tomar as medidas necessárias. ...

 

...Hoje quando a Mãe o foi levar á escola, pediu para falar com a professora do menino para lhe explicar o que tinha sucedido ontem, pois já tiha sido quase ao fim do dia, e qual não foi o espanto que ela pura e simplesmente recusa-se a falar com os pais a não ser um assunto muito grave, ao qual a Mãe lhe disse que o Bruno estar a levar todos os dias dos meninos mais velhos não era grave o suficiente... Pelos vistos não... Não aceitou falar com a Mãe. Mas o pior ainda está para vir. Quando ela vinha embora, vai despedir-se do menino e a conversa entre eles foi assim:


-"A Mãmã vai embora Tesourinho. Porta bem."

-"Embora não Mãmã.... meninos batem."

-"Isso foi ontem filho. Hoje já não te vão bater."

-"Sim Mãmã. Murro."

 

E uma menina que lá estáva e viu tudo disse á Mãe que um outro menino do 3º ano passou e deu um murro no Bruno.

 

Pedi autorização para copiar e utilizar o post que podem ler no O Tesourinho, tive que ler e reler mais que uma vez, porque me custava a acreditar que algo assim fosse possível. Na reposta ao meu comentário, a mãe do Bruno diz que os outros miúdos não batem no Bruno por ele ter Trissomia 21, ou por ser de outra etnia..  se calhar é verdade, e também não devem bater por ele ser adoptado, mas é difícil esquecer que tudo isto é verdade.

 

No outro dia eu dizia num post em que falava do suicidio de um professor, que não são só as crianças que são vitimas de bullying, este também afecta funcionários e professores, mas se isto é verdade, o contrário também se aplica, se o bullying existe a responsabilidade também não é só das crianças que o praticam, também é da responsabilidade de funcionários e professores que não se podem simplesmente demitir das suas funções de educadores e fingir que não se passa nada.

 

Quanto a mim, a atitude desta professora é inqualificável, se uma agressão a uma criança que a deixa a sangrar e com medo de ficar na escola não é algo grave, então o que será? É verdade que cada dia é mais complicado ser professor, é verdade que as crianças são cada vez mais difíceis e que cada vez mais os pais se demitem do seu papel de educadores, mas também é verdade que atitudes como as desta professora que se nega a receber uma mãe cujo filho foi enviado para casa a sangrar, não contribuem em nada para melhorar a situação.

 

A responsabilidade por fazer com que as coisas não continuem assim tem de ser de todos nós, e não é olhando para o lado como quis fazer esta senhora, que as coisas vão melhorar, então e se um destes dias uma daquelas criança em lugar de agredir o Bruno, a agredir a ela?, Também vai achar que não é suficiente grave e vai ignorar o assunto? E se for ela a que termine a sangrar?

 

Este tipo de coisas não pode passar em branco, não pode mesmo.

 

Jorge Soares

publicado às 21:27

Bullying, a morte não pode ser a solução

por Jorge Soares, em 14.03.10

Violência nas escolas

 

 Professor vítima de bullying preferiu morrer a voltar ao 9º B

 

"Na véspera das aulas com aquela turma, Luís ficava nervoso. Isolava-se no quarto e desejava que o amanhã não chegasse. Não queria voltar a ouvir que era um "careca", um "gordo" ou um "cão". Não queria que o burburinho constante do 9.º B e as atitudes provocatórias de alguns alunos continuassem a fazê-lo sentir aquela angústia. O peso no peito. O sufocante nó na garganta. Luís não era um aluno. Tinha 51 anos e era professor de Música na Escola Básica 2.3 de Fitares, em Rio de Mouro, Sintra. Era. Na semana antes do Carnaval, decidiu que não voltaria a ser enxovalhado. Pegou no carro e parou na Ponte 25 de Abril. Na manhã do dia 9 de Fevereiro, atirou-se ao rio."

 

Era assim que começava a noticia no público na passada sexta feira, definitivamente o Bullying é um tema que veio para ficar, mas esta noticia mostra-nos que a violência física e psicológica não atinge só as crianças, atinge também professores e restantes funcionários das escolas.

 

Mas há várias coisas neste caso que me deixaram perplexo, em primeiro lugar, segundo uma outra noticia do ionline o suicidio ocorreu a 9 de Fevereiro, mas só agora, após o caso virar noticia na comunicação social, o ministério da educação decidiu abrir um inquérito... isto quando era publico entre alunos e professores da escola que a situação era insustentável. O professor tinha feito pelo menos sete queixas à direcção da escola, queixas estas que não resultaram em nada... quer dizer, em nada não...  resultaram na morte de um professor.

 

Ainda voltando à noticia do publico, podemos ler o seguinte que foi dito por um dos alunos da turma em questão:

 

"Portava-me sempre mal, mas não era por ser ele. Somos assim em todas as aulas, é da idade", reconheceu um dos alunos que tiveram mais participações por indisciplina.

 

Da idade? desculpa?... da falta de educação, que não há idade que desculpe uma coisa destas, e depois foi caricato ouvir alguns dos pais das criancinhas, indignados porque eles é que eram as vitimas....

 

Definitivamente há algo de muito errado na nossa sociedade, não há nada que justifique a indisciplina e a falta de respeito nas aulas, assim como não há nada que justifique a violência sobre os colegas. Há sim uma enorme falta de educação e uma enorme irresponsabilidade por parte de pais que não vêem ou não querem ver que estão a criar uma geração que não respeita nada nem ninguém...  

 

Há uns tempos, neste post, escrevi uma frase que alguém retirou e que foi colocada em alguns blogs de professores, começo a perceber porquê, foi esta:

 

Hoje eles não respeitam os professores

porque já não respeitam os pais

e amanhã não vão respeitar ninguém.

 

Acho que está na altura de nós, como pais, como responsáveis pela educação de toda uma geração, comecemos a pensar o que estamos a fazer de errado, porque não tenham dúvida, a culpa é nossa, não é de mais ninguém. E chegou a altura de fazermos algo, porque a morte,  esta ou a do Leandro, não pode ser a solução.

 

Jorge Soares

publicado às 21:03


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